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Contratações no 2º semestre devem chegar a 7,5 mil vagas na Grande Belém e a 23 mil vagas no Pará

Estimativa do Dieese aponta aquecimento do mercado de trabalho impulsionado pelo Círio, Black Friday, Natal, Copa do Mundo e eleições; comércio, serviços e logística lideram a geração de oportunidades, e Fecomércio projeta até 23 mil vagas formais e temporárias no Pará até dezembro

Jéssica Nascimento

O segundo semestre de 2026 deve ser mais aquecido para quem busca uma oportunidade de trabalho na Região Metropolitana de Belém. Levantamento exclusivo enviado ao Grupo Liberal e elaborado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese/PA), em parceria com a Secretaria de Estado de Assistência Social, Trabalho, Emprego e Renda (Seaster), estima a abertura de cerca de 7.500 vagas temporárias entre julho e dezembro. O crescimento é de aproximadamente 10% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram projetadas cerca de 6.800 contratações. Já a Fecomércio (Federação do Comércio de Bens, de Serviços e de Turistas do Pará) projeta que o período gere entre 18 mil e 23 mil vagas de empregos formais e temporários em todo o estado do Pará.

A expectativa positiva é resultado da combinação entre fatores tradicionais do calendário econômico, como o verão amazônico, o Círio de Nazaré, o Dia das Crianças, a Black Friday, o pagamento do 13º salário, o Natal e o Ano Novo, além de elementos extraordinários que devem ampliar a circulação de renda e o consumo neste ano, como a realização da Copa do Mundo FIFA de 2026 e das eleições gerais. O cenário reforça a tendência de expansão das contratações temporárias e formais em diversos segmentos da economia paraense.

Comércio e serviços lideram demanda

O comércio e o setor de serviços devem concentrar a maior parte das oportunidades no segundo semestre. Empresas do varejo, supermercados, atacadistas, bares, restaurantes, hotéis, empresas de turismo, transporte, logística, alimentação e entretenimento tradicionalmente reforçam seus quadros para atender ao aumento da demanda neste período.

Os dados do Novo Caged confirmam esse movimento. Entre janeiro e maio deste ano, o Pará registrou saldo positivo de 12.813 empregos formais, o maior entre os estados da Região Norte. O setor de Serviços liderou a geração de vagas, com saldo de 9.239 postos de trabalho, seguido pela Indústria (+2.053), Comércio (+1.964) e Construção Civil (+724).

Segundo o Dieese, esse desempenho cria uma base favorável para novas admissões ao longo dos próximos meses.

"Além das tradicionais contratações sazonais, impulsionadas pelo Círio de Nazaré, Dia das Crianças, Black Friday, pagamento do 13º salário, Natal e Ano Novo, a geração de novas oportunidades de trabalho deverá contar, em 2026, com importantes fatores adicionais de dinamização da economia, entre eles a realização da Copa do Mundo FIFA e das eleições gerais", destaca a análise do Dieese.

Copa e eleições ampliam oportunidades

Pela primeira vez em muitos anos, dois grandes eventos devem influenciar simultaneamente o mercado de trabalho no segundo semestre.

O período eleitoral tende a ampliar a contratação de profissionais ligados à organização de eventos, publicidade, comunicação, marketing digital, produção audiovisual, montagem de estruturas, segurança privada, alimentação, transporte, logística e serviços administrativos. Também cresce a procura por cabos eleitorais, motoristas, panfletadores, operadores de redes sociais e equipes de apoio às campanhas.

O Dieese ressalta, porém, que parte significativa dessas ocupações ocorre por meio de prestação de serviços, trabalho autônomo ou vínculos informais, o que faz com que muitas dessas vagas não apareçam nas estatísticas oficiais do emprego formal.

A Copa do Mundo FIFA também deverá movimentar diversos setores da economia.

"O aumento esperado no consumo impulsiona especialmente os setores de comércio, bares, restaurantes, supermercados, turismo, entretenimento, logística e serviços de entrega. Embora seus impactos sejam mais difusos que os das festas de fim de ano, a competição amplia a demanda por trabalhadores temporários e reforça a movimentação econômica observada no segundo semestre", aponta o estudo.

Trabalho temporário pode abrir portas

De acordo com o Dieese, o trabalho temporário continua sendo uma das principais portas de entrada para o mercado formal. Regulamentada pela Lei nº 6.019/1974, atualizada pela Lei nº 13.429/2017, essa modalidade permite contratos de até 180 dias, prorrogáveis por mais 90 dias, para atender necessidades transitórias das empresas.

Além de suprir períodos de maior movimento, as vagas temporárias frequentemente resultam em efetivação.

Dados da Associação Brasileira do Trabalho Temporário (Asserttem) mostram que o Brasil registrou mais de 2,5 milhões de contratos temporários em 2025, dos quais cerca de 500 mil trabalhadores foram efetivados. Para 2026, a entidade mantém perspectiva favorável para o setor.

Mercado formal sustenta expectativa de novas contratações

O bom momento do mercado de trabalho formal reforça a expectativa de um segundo semestre aquecido no Pará. Dados do Novo Caged analisados pelo Dieese/PA mostram que, entre janeiro e maio de 2026, o Estado registrou 216.878 admissões e 204.065 desligamentos, resultando em um saldo positivo de 12.813 empregos formais. Com esse desempenho, o Pará lidera a geração de empregos entre os estados da Região Norte, indicando que a economia mantém capacidade de criar vagas, sobretudo nos setores que tradicionalmente ampliam as contratações temporárias nesta época do ano.

Saldo de empregos formais na Região Norte (janeiro a maio de 2026)

Pará: +12.813 vagas

Amazonas: +9.226 vagas

Tocantins: +3.443 vagas

Amapá: +3.267 vagas

Rondônia: +2.768 vagas

Acre: +2.553 vagas

Roraima: +1.667 vagas

O levantamento também mostra que o setor de Serviços segue como principal motor da geração de empregos no Estado, com saldo de 9.239 vagas entre janeiro e maio. Na sequência aparecem:

  • Serviços: +9.239 vagas
  • Indústria: +2.053 vagas
  • Comércio: +1.964 vagas
  • Construção Civil: +724 vagas
  • Agropecuária: -1.167 vagas

Na Região Metropolitana de Belém, a capital concentrou o maior saldo de empregos formais no período.

Saldo de empregos por município da Região Metropolitana de Belém (janeiro a maio de 2026)

  • Belém: +3.460 vagas
  • Ananindeua: +424 vagas
  • Benevides: +359 vagas
  • Santa Isabel do Pará: +57 vagas
  • Santa Bárbara do Pará: +25 vagas
  • Marituba: -61 vagas
  • Castanhal: -561 vagas
  • Barcarena: -613 vagas

Fecomércio projeta até 23 mil vagas no Pará até dezembro

Segundo o presidente do Sistema Fecomércio Pará, Sebastião de Oliveira Campos, os segmentos de comércio de bens semiduráveis, como vestuário, calçados e tecidos, além de supermercados, farmácias e lojas de material de construção, devem liderar a geração de empregos entre julho e dezembro.

"Os segmentos de semi-duráveis, os não duráveis e os materiais de construção devem liderar a geração de empregos formais e temporários no Pará entre julho e dezembro de 2026", afirma.

A projeção é sustentada pelos indicadores da entidade. O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (ICEC) aponta o segmento de semiduráveis com 137,8 pontos, enquanto a perspectiva de consumo futuro das famílias, medida pela Intenção de Consumo das Famílias (ICF), alcançou 163,5 pontos — ambos acima da linha de 100 pontos, considerada positiva pela metodologia. Entre as famílias com renda de até dez salários mínimos, o índice de otimismo chega a 130,8 pontos.

"O avanço da demanda nesses segmentos é explicado pelo efeito multiplicador sazonal do segundo semestre, com a injeção de renda do 13º salário, o forte apelo comercial da Black Friday e do Natal e a tradicional renovação do consumo durante o Círio de Nazaré", destaca Campos.

Nos serviços, a expectativa é de maior contratação nas áreas de alojamento, alimentação, transporte, comunicação, serviços gráficos, publicidade, produção de eventos e tecnologia

De acordo com o presidente da Fecomércio, o aumento do fluxo turístico durante o Verão Amazônico e o Círio de Nazaré deve elevar a demanda por hotéis, bares, restaurantes e transporte de passageiros, enquanto o período eleitoral tende a impulsionar a contratação de profissionais ligados à comunicação, marketing digital, design gráfico e produção audiovisual.

A entidade estima que entre 18 mil e 23 mil vagas formais e temporárias sejam abertas no Pará até dezembro, com comércio e serviços respondendo por mais de 60% desse total. A projeção também é respaldada pelo subíndice de intenção de contratação de funcionários, que atingiu 135,7 pontos. Segundo a Fecomércio, 76,2% dos empresários pretendem ampliar seus quadros de funcionários no segundo semestre.

Entre as profissões mais procuradas devem estar vendedores, operadores de caixa, repositores, auxiliares de logística, garçons, auxiliares de cozinha, recepcionistas, camareiras, motoristas, entregadores, além de profissionais com conhecimentos em tecnologia, designers gráficos e editores de vídeo.

A Fecomércio também projeta que entre 20% e 25% dos trabalhadores contratados temporariamente durante o período possam ser efetivados após as festas de fim de ano, com base no histórico do mercado de trabalho paraense.

Sebrae destaca competências digitais e visão empreendedora

Na avaliação do gerente da Unidade de Negócios de Impacto do Sebrae Pará, Igor Silva, o aumento da atividade econômica no segundo semestre também amplia a demanda por profissionais qualificados nos pequenos negócios, especialmente em setores como comércio, turismo, alimentação, serviços, economia criativa e bioeconomia.

Segundo ele, além da qualificação técnica, as chamadas competências comportamentais ganharam peso nos processos de contratação. 

"Organização, comunicação, criatividade, capacidade de resolver problemas, adaptabilidade e uso de ferramentas digitais passaram a ser requisitos importantes para quem busca uma vaga ou deseja empreender", destaca.

O gerente do Sebrae Pará observa ainda que os empreendedores têm buscado aprimorar a gestão dos negócios para aumentar a competitividade.