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Consumidores percebem aumento da gasolina em postos de Belém

Em alguns postos, combustível já chega a R$ 7; Sindicombustíveis cita cenário internacional, marcado por tensões geopolíticas e pela alta do petróleo

Dilson Pimentel e Gabi Gutierrez

Motoristas de Belém e da Região Metropolitana começaram a sentir no bolso um aumento expressivo no preço da gasolina nos últimos dias. Em alguns postos da capital paraense, o litro do combustível já ultrapassa a marca de R$ 7, mesmo sem anúncio oficial de reajuste por parte da Petrobras. A alta repentina tem gerado preocupação entre consumidores e profissionais que dependem do combustível para trabalhar.

Taxista há mais de três décadas, Ivaldo Moraes afirma que o aumento pegou motoristas de surpresa. Segundo ele, a variação tem sido percebida diretamente nas bombas.

“Está um absurdo, porque disseram que não tinha aumento nenhum. De repente chega no posto e tem lugar que já está a sete reais”, relata o profissional, que trabalha em Marituba e circula diariamente por diferentes bairros da região metropolitana.

Com o custo mais alto, Moraes diz que tenta adaptar a rotina para reduzir gastos, mas afirma que as opções são limitadas.

“Geralmente eu rodo mais pela parte da manhã e procuro onde está mais barato, mas quase todos os postos estão no mesmo preço”, conta.

Ele também demonstra preocupação com o impacto do combustível no trabalho. Segundo o taxista, se os aumentos continuarem, muitos profissionais podem ter dificuldade para manter a atividade.

“Vai continuar aumentando e a nossa bandeirada é a mesma. Se continuar assim, a gente vai parar, porque não tem condição”, afirma.

Consumidores percebem menor rendimento

Quem utiliza o carro no dia a dia também tem percebido o peso do combustível no orçamento. O serralheiro Antônio Sérgio Trindade, de 63 anos, diz que o aumento tem sido frequente e que o rendimento da gasolina parece menor.

“A cada vez que eu coloco gasolina percebo que aumenta o preço e parece que a durabilidade está menor. Antes eu colocava 20 litros e rodava cerca de 200 quilômetros, agora parece que não chega mais a isso”, comenta.

Para tentar reduzir os gastos, ele tem reorganizado a rotina e concentrado deslocamentos no mesmo dia.

“Eu tento conciliar os lugares para onde eu vou. Às vezes deixo alguma coisa para o outro dia para fazer tudo de uma vez só, no mesmo local”, explica.

Apesar das estratégias, Trindade teme que os preços continuem subindo, principalmente diante do cenário internacional.

“Eu acredito que vai aumentar, porque a situação internacional do petróleo não está boa. É preocupante”, diz.

Especialistas apontam fatores internacionais

Segundo o economista Nélio Bordalo, aumentos nos postos podem ocorrer mesmo sem reajuste oficial da Petrobras, já que outros fatores influenciam o preço final ao consumidor.

Entre eles estão a antecipação de custos por parte de distribuidoras e revendedores, o aumento do preço internacional do petróleo e os custos de reposição do combustível importado.

“Mesmo sem reajuste da Petrobras, os postos podem repassar aumentos porque as distribuidoras e os revendedores já começam a antecipar custos mais altos”, explica.

De acordo com ele, alguns estados brasileiros já registraram reajustes nas revendas nas últimas semanas.

“Há registros de aumentos de cerca de R$ 0,20 a R$ 0,30 na gasolina e até R$ 0,80 no diesel em alguns estados”, afirma.

Para o economista, o cenário internacional, marcado pela instabilidade no mercado de petróleo, pode continuar pressionando os preços nos próximos meses. Enquanto isso, consumidores em Belém já começam a sentir o impacto cada vez que passam pelo posto para abastecer.

Sindicombustíveis cita alta do petróleo

O Sindicombustíveis afirmou, em nota ao Grupo Liberal, que é precipitado classificar automaticamente como abusivos os aumentos observados em alguns postos de combustíveis. Segundo a entidade, no atual cenário internacional, marcado por tensões geopolíticas e pela alta do petróleo, esse tipo de conclusão exige análise técnica. “É absolutamente irresponsável e leviano afirmar, sem análise técnica dos dados, que a elevação de preços seja automaticamente abusiva”, declarou.

De acordo com o sindicato, o conflito envolvendo o Irã provocou forte impacto no mercado global, fazendo o barril de petróleo subir de cerca de US$ 78 para mais de US$ 100, chegando a atingir US$ 120 em determinados momentos. A entidade também destacou que, no Brasil, o mercado de combustíveis tem preços livres e que os reajustes não dependem de autorização da Petrobras. “A Petrobras apenas divulga os valores praticados em suas refinarias, que não são as únicas em operação no país”, informou.

O Sindicombustíveis acrescentou que, embora o Brasil seja autossuficiente na produção de petróleo bruto, o país ainda precisa importar parte dos combustíveis para atender à demanda interna, especialmente diesel. Por isso, segundo a entidade, qualquer análise sobre eventual abusividade precisa considerar fatores como custos de aquisição, logística, reposição de produto e variações cambiais. “A avaliação deve ser feita caso a caso, por profissionais tecnicamente habilitados”, concluiu.