Comércio varejista cresce 0,2% no Brasil, mas cai até 5,3% no Pará
Enquanto o país registra leve alta nas vendas e bate recorde histórico, comerciantes de Belém relatam queda no faturamento e início de ano “arrastado”
O comércio varejista brasileiro apresentou crescimento de 0,2% em fevereiro de 2026 na comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), alcançando um novo recorde histórico. No Pará, porém, a realidade é diferente: o setor acumula queda de 5,3% no volume de vendas no mesmo comparativo, evidenciando um descompasso entre o cenário nacional e o regional, especialmente no centro comercial de Belém.
Crescimento nacional contrasta com retração local
Em âmbito nacional, o varejo mostra sinais de recuperação gradual. O avanço de 0,6% em relação a janeiro reforça a tendência positiva apontada pela Pesquisa Mensal do Comércio (PMC).
O aumento, ainda que tímido, é suficiente para levar o setor ao maior patamar desde o início da série histórica, em 2000.
No Pará, entretanto, os números seguem em direção oposta. Em fevereiro de 2026, tanto o índice de receita nominal quanto o volume de vendas caíram 1,3% na comparação mensal.
Já no comparativo com fevereiro de 2025, as quedas são ainda mais expressivas: -4,1% na receita e -5,3% no volume de vendas.
Percepções divergentes entre lojistas
Apesar dos dados negativos no estado, há empresários que demonstram otimismo. O diretor do Sindilojas de Belém, Muzaffar Said, afirma que parte do comércio acompanha a tendência nacional.
“O crescimento da minha loja acompanhou essa tendência. A tendência é positiva. Essa pesquisa do IBGE procede e a gente tá esperando mais crescimento ainda”, declarou.
Ele reconhece, porém, fatores externos que impactam o consumo.
“Tudo bem que veio a guerra do Oriente Médio, que impactou no preço do combustível. Isso reflete no preço das coisas, aumenta a inflação e tira o poder aquisitivo do povo”, admitiu.
Ainda assim, datas sazonais têm ajudado a impulsionar as vendas.
“Datas como Carnaval e Páscoa trouxeram aumento nas vendas neste ano em comparação com o ano passado. Essas datas sempre trazem bons resultados”, analisou.
Realidade no comércio de rua é mais cautelosa
Já entre gerentes e lojistas do centro comercial de Belém, o cenário relatado é menos otimista. João Aguiar, gerente comercial, diz que os números nacionais não refletem a realidade local.
“Esse resultado da pesquisa do IBGE não é o que eu vejo na loja. Em termos de venda e faturamento, não houve crescimento em comparação com o ano anterior”, disse.
Segundo ele, o início de 2026 foi marcado por retração.
“A gente percebeu que o começo desse trimestre teve uma queda no nível de venda. Foi o inverso do crescimento apontado nacionalmente”, observou.
Aguiar também destaca o comportamento mais cauteloso do consumidor. “O consumidor tá se segurando mais pra comprar. O pessoal do atacado está comprando só pra repor, não está formando estoque”, destacou.
Datas comemorativas e expectativa de recuperação
Mesmo diante das dificuldades, há expectativa de melhora nos próximos meses, impulsionada por datas importantes para o varejo. O Dia das Mães, por exemplo, é visto como uma oportunidade de recuperação.
“Apesar desse começo desfavorável, acredito que para o Dia das Mães as vendas tendem a aumentar”, afirmou João Aguiar.
Muzaffar Said reforça a importância da data. “Depois do Natal e do Círio de Nazaré, o Dia das Mães é uma das melhores datas para o comércio”, declarou.
Comércio varejista – Pará (Fonte: IBGE)
Período: Fevereiro de 2026
Variação mensal
(fevereiro de 2026 em relação ao mês anterior)
- Receita nominal de vendas: -1,3%
- Volume de vendas: -1,3%
Variação em relação ao mesmo mês do ano anterior
(fevereiro de 2026 vs. fevereiro de 2025)
- Receita nominal de vendas: -4,1%
- Volume de vendas: -5,3%
Variação no ano (acumulado)
(janeiro e fevereiro de 2026 vs. mesmo período de 2025)
- Receita nominal de vendas: -0,6%
- Volume de vendas: -2,1%
Variação acumulada em 12 meses
(em relação aos 12 meses anteriores)
- Receita nominal de vendas: 4,9%
- Volume de vendas: 0,2%
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