MENU

BUSCA

Comerciantes relatam retração nas vendas de carnaval em Belém

Lojistas e economista justificam comportamento pelo tempo mais curto de folia e o conflito com outros gastos importantes

Maycon Marte

As vendas para o carnaval de 2026 registraram desempenho abaixo das expectativas no comércio de Belém, especialmente em lojas de artigos festivos e fantasias, segundo empresários e gerentes, que relatam queda na procura em relação ao ano passado. Fatores como a redução do período carnavalesco, o impacto dos gastos escolares no início do ano e o consumo mais cauteloso por parte da população podem ter influenciado esse cenário. Além desses fatores, o economista paraense Nélio Bordalo também acrescenta a despesa com os impostos e o êxodo de foliões para o carnaval em outros municípios e estados, mas, principalmente, a data do carnaval, que este ano caiu antes do pagamento da maioria dos trabalhadores.

Na manhã desta segunda-feira (16/02), pré-feriado de carnaval, as ruas do comércio estavam bem menos cheias do que o habitual. Enquanto lojistas descrevem o movimento menor como comum, os consumidores que estavam, pareciam ter interesses pontuais, como comemorações de aniversários. O centro comercial fica fechado durante o feriado de carnaval e só retorna na quarta-feira (18/02) a partir das 12h. Em algumas lojas o retorno pode ocorrer apenas na quinta-feira (19/02).

A empresária local Janaína Castro afirma que a movimentação nas semanas que antecederam a folia ficou aquém do observado em 2025. “Foi bem abaixo. O pessoal procurando adereços foi muito abaixo do que o ano passado”, disse. Segundo ela, a antecipação do calendário carnavalesco pode ter influenciado o comportamento do consumidor. “Ano passado o Carnaval foi em março, esse ano foi em fevereiro. Aí junta com o período escolar, o pessoal gasta com escola e sobra pouco para o Carnaval”, explicou.

Apesar da queda, a empresária disse que a preparação seguiu o padrão dos anos anteriores, com exposição dos produtos logo após o Natal. “A gente sempre adianta todas as festas. Já começa carnaval, depois festa junina e o natal, porque o pessoal que trabalha com artesanato já procura antes”, relatou. Ela informou ainda que a loja permanecerá fechada na terça e quarta-feira de Carnaval, retomando as atividades na quinta-feira, devido ao baixo movimento e à chuva recorrente no período.

Situação semelhante foi observada por Johnny Silva, gerente de uma loja de acessórios no centro comercial de Belém. “As vendas estão um pouquinho mais baixas. Ano passado era melhor. As procuras começaram depois, não começaram antes”, afirmou. Segundo ele, o fluxo no pré-feriado também foi considerado fraco, comportamento comum quando os foliões já estão nos blocos ou já adquiriram os itens necessários. “Alguns ainda procuram acessórios, mas são poucos”, disse.

Mesmo com a redução nas vendas, Johnny destacou que o impacto financeiro tende a ser limitado, já que parte do estoque pode ser reaproveitada em anos seguintes. “Esse ano a gente nem comprou muitas coisas, porque já temos bastante do ano passado. O que sobra conseguimos segurar para o próximo Carnaval”, explicou. Após a folia, a loja deve iniciar a transição para produtos de Páscoa e outras datas comemorativas.

Do lado dos consumidores, o movimento mais fraco foi percebido como uma oportunidade para compras mais tranquilas. A bancária Renata Reis aproveitou o pré-feriado para adquirir itens para uma festa de aniversário e também para o Carnaval. “Eu sabia que ia estar mais vazio, então deixei para vir hoje. Está tudo muito tranquilo, preços bons, encontrei tudo que eu queria”, relatou. Segundo ela, ainda havia variedade de fantasias e adereços disponíveis nas prateleiras.

VEJA MAIS

 

Gastos

O economista paraense Nélio Bordalo aponta que o cenário reflete um comportamento de consumo mais seletivo no início do ano, quando despesas obrigatórias, como material escolar, impostos e contas acumuladas, competem com os gastos em lazer. Para os lojistas, a expectativa agora se volta para o ciclo de festas juninas, considerado um dos períodos mais fortes do calendário comercial local.

“Fevereiro é um mês pesado para o bolso do paraense, devido ao acúmulo de impostos (IPVA, IPTU), mensalidades escolares, matrículas e compras de material e uniformes, e o pagamento das compras feitas no cartão de crédito em dezembro e janeiro (Natal/Ano Novo e das confraternizações) reduziram o poder de compra e os gastos dos foliões para o Carnaval, com isso foi necessário priorizar os itens de consumo (bebidas, refeições,  transporte e hospedagem)”, avalia o economista.

Ele ainda projeta a possibilidade de os brincantes estarem reaproveitando fantasias e adereços de festas anteriores como estratégia para economizar. Isso, somado ao fato de que muitos foliões optaram por aproveitar carnavais de outros municípios e estados, além do prazo de pagamento, que, segundo Bordalo, não caiu antes da festança na maioria dos casos.