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Comércio prevê criar 850 mil empregos no Brasil em 2026, mas inadimplência recorde preocupa

Setor de serviços pode ter alta de 200% na carga tributária com a reforma. No Pará, COP 30 e portos impulsionam resultados acima da média nacional.

Gabriel da Mota

O comércio e o setor de serviços iniciam 2026 como os principais motores da geração de empregos no Brasil, com a projeção de criar, juntos, 850 mil novas vagas de trabalho com carteira assinada. No entanto, o otimismo é freado pelo endividamento das famílias, que atingiu o maior patamar da série histórica desde 2010, com 30,4% de inadimplência em 2025. Os dados foram apresentados pelo presidente da Confederação Nacional do Comércio (CNC), José Roberto Tadros, em entrevista ao Grupo Liberal.

Para Tadros, o cenário atual é de resiliência, após um 2025 que registrou o melhor faturamento para o Natal e o Dia das Crianças da última década. “O cenário foi marcado pelo recorde histórico de endividamento das famílias. Para 2026, a perspectiva é de um ano de transição e cautela, focado na adaptação técnica à reforma tributária e na busca por equilíbrio fiscal para sustentar o consumo”, avaliou.

Escassez de mão de obra e custos operacionais

Apesar da oferta de vagas, o setor enfrenta dificuldades para preencher postos de trabalho. Em julho de 2025, 57% das principais ocupações do comércio apresentaram escassez de mão de obra, o maior índice desde 2020. As áreas mais afetadas são logística e administração, com carência de profissionais como almoxarifes e assistentes administrativos.

Outro ponto de atenção é a proposta do fim da escala 6x1. Segundo a CNC, uma mudança legislativa imposta poderia elevar os custos operacionais em até 40%, atingindo principalmente as micro e pequenas empresas. “O impacto estimado seria um aumento de custos que pressiona a inflação e incentiva a informalidade. Defendemos que cada setor deve ter liberdade para negociar sua carga horária via negociação coletiva”, afirmou o presidente.

Impactos da reforma tributária no setor produtivo

O ano de 2026 marca o início do período de teste da reforma tributária, com alíquotas iniciais de 0,1% para o IBS e 0,9% para a CBS. A maior preocupação da CNC reside no setor de serviços, que pode sofrer um aumento de até 200% na carga tributária em algumas atividades.

“O foco do setor é a mão de obra, empregando muito e sem a possibilidade de abater gastos com pessoal da tributação. Esse impacto pode chegar a até 200% em algumas atividades e é uma grande preocupação. É importante um novo olhar sobre as alterações do texto para que ele não prejudique a economia”, defendeu Tadros.

Pará cresce acima da média nacional com COP 30

Na região Norte, o desempenho do setor tem superado a média do Brasil. O Pará aparece como o principal destaque, impulsionado pelos investimentos e preparativos para a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP 30), realizada em novembro passado, além da movimentação estratégica nos portos de Vila do Conde e Santarém. “O Pará é um dos exemplos de progresso como motor regional, impulsionado pelos preparativos e realização da COP 30, serviços e turismo e pela eficiência dos portos”, pontuou o presidente da CNC, sem especificar, no entanto, quão acima da média nacional foi o percentual de crescimento do estado.

Projeções e dados para 2026

  • Vagas CLT no comércio: 302 mil novos postos
  • Vagas CLT em serviços: 548 mil novos postos
  • Vendas do comércio: crescimento de 3,0% em volume
  • Receita de serviços: alta de 2,7%
  • Inadimplência: 30,4% das famílias (recorde histórico)
  • Alíquotas iniciais: 0,1% (IBS) e 0,9% (CBS)

Fonte: CNC