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Cobrança integral de aluguel em shoppings de Belém deve ser mantida

Valor pode ser um fator prejudicial aos lojistas, que estão sem faturamento

Elisa Vaz

O preço dos aluguéis de lojas em shopping centers, mais altos que os comumente encontrados fora desses espaços, pode ser um fator prejudicial às empresas, que enfrentarão pelo menos duas semanas sem faturamento, por conta do lockdown que está em vigor na Região Metropolitana de Belém. Embora os lojistas precisem de flexibilizações por parte das diretorias para que suas empresas não fechem, a maioria dos shoppings vai manter a cobrança integral.

Presidente do Sindicato do Comércio Varejista e dos Lojistas de Belém (Sindilojas), Joy Colares afirma que é muito provável que os valores não tenham descontos, por conta dos contratos firmados antes do aluguel. Portanto, ele diz que é uma certeza que várias lojas vão fechar as portas e deixar os espaços em shoppings.

“É um absurdo, mas é contrato. Esperamos que os administradores tenham a consciência de que, ao fazer essa cobrança, se o lojista não tiver condição de pagar, vai ser difícil eles conseguirem empreendedores que ocupem esses espaços. Não tem empresário que vai alugar, ninguém vai arriscar. Então nós pedimos a compreensão e nos colocamos à disposição dos lojistas para intermediar essa situação e até entrar com medidas judiciais”, declara Joy.

Um dos shoppings da capital paraense, o Pátio Belém, seguirá o caminho oposto. O coordenador de administração da AD Shopping Norte Nordeste, Tony Bonna, acumulando a superintendência do Pátio Belém, afirma que a indústria de shopping centers tem feito um esforço grande para amenizar o prejuízo dos lojistas, e que medidas neste sentido serão adotadas.

“Não são só os lojistas os prejudicados. É toda uma cadeia que forma um shopping center, incluindo empreendedores, lojistas, fornecedores, prestadores de serviços, entre outros. É um momento delicado, pois estamos agravando uma crise de fluxo de caixa das empresas, em um momento que não temos auxílios trabalhistas e emergenciais e que o crédito para as empresas é de difícil alcance. Porém, entendemos que devemos fazer a nossa parte pelo bem maior, que é a vida da população”, pontua.

Com o lockdown, e sua extensão para mais uma semana, haverá um grande impacto financeiro nos shoppings, de acordo com o coordenador. “Temos despesas fixas que são invariáveis. Cada dia fechado, gera um grande impacto na conta de todos os stakeholders envolvidos com o shopping”. No entanto, Tony acredita que, mesmo com os impactos e prejuízos econômicos, os empresários do varejo vão sair desta crise em breve.

A presidente da Associação dos Lojistas do Shopping Pátio Belém (Alpab), Labibe Pedrosa, conta que há apenas sete lojas abertas no local, que são atividades essenciais, entre padaria, loteria e feira. Mesmo com a iminência de um possível novo lockdown no Pará, ela diz que é muito difícil para os empresários e que não há muito o que se fazer em termos de preparação. “Os impactos financeiros são enormes, os empresários que resistiram e não fecharam seus negócios no ano passado com tudo o que passamos estavam tentando recuperar os prejuízos. Seria muito bom já abrir na semana que vem, para que não aumente mais ainda o desemprego no nosso Estado”, afirma.

Em outro shopping de Belém, o Bosque Grão Pará, a situação dos lojistas será avaliada individualmente, para que a diretoria saiba que tipos de benefícios conceder a cada empresário, incluindo o pagamento do aluguel. Isso também foi feito no ano passado. Segundo o gerente de marketing, João Vyctor Fonseca, o shopping já está fazendo cortes de orçamento, na propaganda e no próprio condomínio, reduzindo despesas com energia elétrica, por exemplo. Dessa forma, será possível conceder algum desconto aos lojistas.

“O lockdown é um mal necessário. Tem impacto nas vendas, com certeza, a vida dos lojistas depende dessas vendas, mas é um bem maior. Precisamos, nesse momento, ter essa consciência. Esperamos que não haja demissão, mas vai depender de loja para loja. Em 2021, pela experiência do ano passado, ainda no final de janeiro fizemos um planejamento, um plano de ação para caso houvesse mais limitações”, comenta João.

Procurados pela reportagem, o Boulevard Shopping e o Parque Shopping não quiseram dar entrevistas. Porém, o presidente da Associação dos Lojistas do Boulevard Shopping (Albs), Thiago Fonseca Guimarães, disse que a administração ainda não sinalizou a quantidade de desconto diante do lockdown.

"Por se tratar da principal linha de despesa dos lojistas, não parece razoável diante da decretação de lockdown a não concessão de descontos agressivos no aluguel ou mesmo a isenção circunstancial dessa despesa, uma vez que os lojistas estão proibidos de vender e durante o mês inteiro existiram restrições de funcionamento no shopping. Caso a cobrança seja integral, há risco de inadimplência em níveis altos, além do fechamento de negócios", afirma.

Embora alguns setores do shopping estejam com autorização para funcionar, de acordo com o decreto do governo do Estado, como as operações das áreas de alimentação, de pet, de saúde e de farmácia, o contexto exposto e a limitação de fluxo de pessoas retira a condição de normalidade operacional e impacta severamente o negócio, segundo Tiago.

"O planejamento durante a pandemia é de curto prazo. A cena muda com muita velocidade: saímos de um quarto trimestre em 2020 que esboçou melhorias, mas de janeiro a março de 2021 tudo mudou. É preciso avaliar o estado das coisas no curto prazo e, de alguma forma, estar preparado para enfrentar o extremo a qualquer instante, obviamente sem perder o otimismo com relação as variáveis que estão nas mãos do empresário para manter vivo seu negócio".