Cesta básica sobe pelo 6º mês seguido e chega a R$ 759,41 em Belém
Feijão, arroz e leite pressionaram os preços em junho; cesta básica acumula alta de 13,93% no primeiro semestre de 2026.
No mês de junho passado, o custo da cesta básica de alimentos comercializada em Belém voltou a registrar aumento e alcançou o valor de R$ 759,41, conforme pesquisa realizada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos no Pará (Dieese/PA) em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgada nesta quarta-feira (8). O valor cobrado no mês anterior era de R$ 755,24. Esse resultado representa o 6º aumento mensal consecutivo no ano, consolidando uma trajetória de elevação contínua que coloca o indicador em um dos maiores patamares já registrados na capital paraense e eleva a pressão sobre o orçamento doméstico.
Para adquirir os 12 produtos essenciais, o trabalhador paraense remunerado pelo salário mínimo precisou comprometer cerca de 50,65% de sua remuneração líquida. Em termos de jornada de trabalho, a aquisição exigiu 103h04min das 220 horas mensais previstas em lei. Na prática, quase metade do tempo trabalhado no mês foi destinada unicamente para cobrir as despesas com a alimentação básica.
Quais alimentos ficaram mais caros no supermercado em Belém?
O levantamento das entidades aponta que seis dos 12 alimentos que compõem a cesta tiveram elevação de preços em junho. Os principais reajustes ocorreram no feijão, com alta de 6,01%, e no arroz agulhinha, que subiu 2,96%. Também registraram aumentos o leite integral (2,14%), o tomate (1,30%), a carne bovina de primeira (0,36%) e o pão francês (0,35%). Por outro lado, seis itens tiveram queda no mesmo período, com destaque para o açúcar cristal (-2,16%), a banana (-1,62%) e o café em pó (-1,40%).
As variações percentuais são confirmadas de forma imediata no cotidiano dos consumidores locais. A aposentada Albertina Costa relatou que a diferença de preços alterou expressivamente a rotina de compras na capital.
"Em Belém, o que ficou muito caro foi o feijão. Deu uma diferença grande do que a gente estava acostumada. Eu costumava comprar em torno de R$ 3 ou R$ 4 [o quilo], agora está R$ 8 e pouco", afirmou.
Ela acrescentou que o macarrão, artigo antes comprado com facilidade, também apresentou um aumento expressivo nas prateleiras.
Preço da cesta básica acumula alta de quase 14% no primeiro semestre
No acumulado do 1º semestre de 2026, a alta da cesta básica atingiu 13,93% em Belém. O índice é quase cinco vezes superior à inflação estimada para o período, que ficou em torno de 3,3%. Entre janeiro e junho, o tomate e o feijão carioquinha lideraram as altas na capital, acumulando reajustes expressivos de 71,49% e 66,73%, respectivamente. As quedas registradas na farinha de mandioca (-21,24%) e no óleo de soja (-13,38%) não foram suficientes para neutralizar o avanço dos itens de maior peso no prato do consumidor.
A doméstica Maria Augusta Ferreira confirmou que o encarecimento pesou significativamente nas despesas domésticas, atingindo desde a carne até os legumes.
"O que mais pesou para mim foi o feijão e o arroz. Antes eu pagava R$ 4 e pouco [o quilo do feijão], hoje eu estou pagando quase R$ 10; R$ 9 e uma fração em um quilo de feijão novo", explicou.
A consumidora pontuou que o quilo do arroz de melhor qualidade chega a custar R$ 4,15, o que a obriga a buscar alternativas diárias para driblar a carestia.
"Onde tem promoção do arroz, eu estou indo lá. Quando está R$ 2,50, corro atrás de comprar uns 10 pacotes", relatou.
De acordo com o relatório assinado pelo supervisor técnico do Dieese/PA, Everson Costa, esse cenário impõe severas restrições financeiras aos lares paraenses. "A continuidade da elevação dos preços dos alimentos essenciais mantém elevada a pressão sobre o orçamento doméstico, comprometendo principalmente o poder de compra das famílias de menor renda, que concentram parcela significativa de seus gastos na alimentação", apontou o especialista.
Belém tem a segunda cesta básica mais cara entre as capitais do Norte
No cenário nacional, o custo do conjunto essencial de alimentos subiu em 17 das 27 capitais pesquisadas em junho. Belém ocupa a segunda posição entre as capitais mais caras da Região Norte, ficando atrás apenas de Palmas, onde o valor atingiu R$ 790,23. Em todo o país, a cidade de São Paulo registrou o maior custo para a alimentação básica, fixado em R$ 965,47. O indicador nacional calculado pelo Dieese aponta ainda que o salário mínimo necessário para suprir as despesas de uma família de quatro pessoas deveria ser de R$ 8.110,92.
Comportamento dos 12 produtos da Cesta Básica em Belém
Preços médios praticados em junho de 2026 e o histórico de variações percentuais em curto e longo prazo:
Produto e quantidade | Preço médio em junho (R$) | Variação no mês (%) | Variação no ano (%)
- Carne (1 kg): 45,22 | +0,36 | +7,05 | +9,60
- Leite (1 l): 8,13 | +2,14 | +3,57 | -3,67
- Feijão (1 kg): 9,17 | +6,01 | +66,73 | +64,34
- Arroz (1 kg): 4,87 | +2,96 | +6,10 | -15,74
- Farinha (1 kg): 8,38 | -0,36 | -21,24 | -22,84
- Tomate (1 kg): 12,45 | +1,30 | +71,49 | +28,09
- Pão (1 kg): 16,98 | +0,35 | +1,68 | -0,88
- Café (1 kg): 64,73 | -1,40 | -6,54 | -14,17
- Açúcar (1 kg): 3,63 | -2,16 | -6,44 | -34,36
- Óleo (900 ml): 8,61 | -0,92 | -13,38 | +1,41
- Manteiga (1 kg): 61,82 | -1,25 | +0,70 | -5,56
- Banana (1 dúzia): 11,55 | -1,62 | +7,64 | 11,06
Impacto no bolso do trabalhador
- Valor em junho de 2026: R$ 759,41
- Variação mensal (junho/maio): +0,55%
- Variação acumulada no ano (janeiro a junho): +13,93%
- Variação acumulada em 12 meses: +7,10%
- Comprometimento do salário mínimo líquido: 50,65%
- Tempo de trabalho necessário: 103 horas e 04 minutos
Fonte: Dieese/PA e Conab
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