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Ceasa em Belém movimenta 14 toneladas de abacates por dia em janeiro

Entre 1º e 27 de janeiro, a central comercializou 387 toneladas da fruta, com preço médio de R$ 7,50 o quilo; segundo o Dieese, o preço subiu no mês, mas caiu no acumulado de 2025.

Jéssica Nascimento

A Ceasa movimentou 387 toneladas de abacate em Belém entre os dias 1º e 27 de janeiro de 2026, o que representa uma média diária de 14,33 toneladas da fruta comercializadas no entreposto. De acordo com o diretor técnico da Central de Abastecimento do Pará, Denivaldo Pinheiro, o volume foi puxado principalmente pelas tipos margarida e geada, que lideraram as vendas no período, com preço médio de R$ 7,50 o quilo.

Preço sobe no mês, mas cai no acumulado do ano

Com base em dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos do Pará (Dieese/PA), o preço do abacate apresentou queda significativa em Belém ao longo dos últimos 12 meses, tanto nos supermercados quanto nas feiras livres da capital.

Nos supermercados de Belém, o quilo do abacate foi comercializado, em média, a R$ 14,04 em dezembro de 2025. O valor representa um aumento de 30,73% em relação a novembro do mesmo ano, quando o preço médio era de R$ 10,74. 

Apesar da alta mensal, o produto ficou consideravelmente mais barato na comparação anual: em dezembro de 2024, o quilo do abacate custava R$ 23,51, o que indica uma redução de 40,28% no período de 12 meses. Em janeiro de 2025, o preço médio havia alcançado R$ 19,10.

Nas feiras livres de Belém, o comportamento dos preços seguiu tendência semelhante. Em dezembro de 2025, o quilo do abacate foi vendido, em média, por R$ 14,30, registrando alta mensal de 14,31% frente a novembro, quando o produto custava R$ 12,51. 

No entanto, na comparação com dezembro de 2024, quando o preço médio era de R$ 19,02, houve uma queda de 24,82%. Já em janeiro de 2025, o valor médio praticado nas feiras chegou a R$ 20,67.

Dependência de outros estados e sazonalidade explicam oscilações

De acordo com o economista e supervisor técnico do Dieese/PA, Everson Costa, a alta mensal já era esperada e está relacionada a fatores estruturais do mercado do abacate no Pará.

“Seja no supermercado ou na feira, a tendência de alta no mês está dada. Inclusive, no supermercado subiu bem mais. O abacate tem uma explosão de preço aí. Em relação ao ano, o produto ficou bem mais barato, seja de um lugar ou outro”, explica.

Segundo o economista, a principal razão para essa instabilidade é a sazonalidade da produção e a dependência de outros estados. “O abacate é um produto que tem sazonalidade de produção e uma oferta no mercado local que obedece exatamente ao custo de comercialização e ao frete. A gente não tem produção de abacate no estado, então isso vem tudo de fora”, destaca.

Essa dependência, conforme Costa, impacta diretamente os preços ao consumidor.

“Essa condição de comercialização, essa dependência de outros mercados e, acima de tudo, essa flutuação sazonal do produto têm reflexo direto no preço”, afirma.

Para os próximos meses, a expectativa ainda é de pressão nos valores. “A julgar pelos preços de dezembro, que ficaram mais caros em relação a novembro, a gente enxerga que agora em janeiro não tem mudanças maiores no preço. Deve continuar com uma tendência de alta. O produto certamente deve se apresentar mais caro pelo menos ainda no mês de janeiro”, projeta.

Feirantes sentem impacto do clima e do transporte

Na Feira da 25, tradicional ponto de venda de hortifrutigranjeiros em Belém, os feirantes relatam variações recentes nos preços, influenciadas principalmente pelo clima e pelos custos de transporte.

Josué Messias, feirante e vendedor de abacate, afirma que o valor caiu em relação a dezembro.

“Atualmente tô vendendo a R$ 15 o quilo do abacate. Em dezembro tava custando R$ 22 e hoje custa R$ 15”, relata.

Segundo ele, a oferta é determinante para o preço. “Quando a fruta fica em falta na Ceasa, onde chegam os distribuidores de Belém, fica mais caro. A procura é maior, mas com pouca mercadoria”, explica. 

Ainda assim, a demanda segue elevada. “A procura pelo abacate tá intensa. O que a gente mais vende aqui é abacate, banana e mamão.”

O custo logístico também pesa no bolso do consumidor. “O transporte influencia o preço do abacate, principalmente os que vêm de fora. O regional ainda não tem aparecido, mas quando aparecer vai sair mais barato. Por isso que tá baixando de preço”, completa.

Já o feirante Paulo Gomes relata preços um pouco mais elevados, mas com melhora nas vendas em janeiro.

“Tô vendendo o quilo do abacate entre R$ 18 e R$ 20. A venda agora já tá ficando boa. Os consumidores tão surgindo agora em janeiro. Em relação a dezembro, o preço ficou na média”, diz.

Consumidores ajustam a compra

Do lado do consumo, o preço influencia diretamente a quantidade comprada. A dona de casa Helena Gaspar afirma que percebeu o aumento recente e precisou se adaptar. 

“Quase todos os dias consumo abacate, mas o preço influencia minha decisão de compra. Só dá pra comprar um abacate por semana”, relata.

Ela destaca que a fruta faz parte da rotina alimentar. “O abacate faz parte da minha alimentação regular. Costumo fazer um mix de frutas pela manhã.”

A servidora pública Keila Vale também confirma a alta nos preços. “Toda semana consumo abacate. Percebi um aumento de preço. Compro sempre por causa do meu esposo e dos meus filhos”, afirma.

Volume de vendas diárias do abacate em Belém em janeiro de 2026 (Ceasa)

  • ABACATE TUPÃ - 19.000 kg
  • ABACATE FORTUNA  - 5.400 kg
  • ABACATE GEADA  - 50.320 kg
  • ABACATE MARGARIDA  - 313.050 kg

Valores correspondentes de 1ª de janeiro a 27 de janeiro

Preço do abacate em Belém (Dieese/PA)

supermercados de Belém

Dezembro de 2025

  • Preço médio: R$ 14,04/kg
  • Alta mensal de 30,73% em relação a novembro (R$ 10,74)

Comparação anual

  • Dezembro de 2024: R$ 23,51/kg
  • Queda de 40,28% em 12 meses

Janeiro de 2025

  • Preço médio: R$ 19,10/kg

 Feiras livres de Belém

Dezembro de 2025

  • Preço médio: R$ 14,30/kg
  • Alta mensal de 14,31% em relação a novembro (R$ 12,51)

Comparação anual

  • Dezembro de 2024: R$ 19,02/kg
  • Queda de 24,82% em 12 meses

Janeiro de 2025

  • Preço médio: R$ 20,67/kg