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Carnaval 2026: ocupação em hotéis do Pará está em 85%, diz sindicato

Setor hoteleiro aponta que turistas buscam economia e preferem dividir casas em destinos como Salinas. Alter do Chão lidera procura com 95% de ocupação.

Gabriel da Mota

Faltando poucos dias para o início da folia, a taxa média de ocupação hoteleira para o Carnaval 2026 no Pará registra entre 80% e 85% nos principais polos turísticos do estado. O levantamento foi confirmado pelo Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares do Pará (SHRBS), que aponta um cenário de estabilidade em relação ao mês passado. O público, mais cauteloso com gastos este ano, tem priorizado o consumo imediato com acessórios e festas em detrimento de hospedagens luxuosas, mantendo as reservas dentro da média histórica para o período. 

"A gente sentiu entre os associados que as pessoas têm uma ‘reserva em fazer reserva’. É um ano complicado para gastos. Vi uma pesquisa que falava sobre alta intenção de gastos com fantasias e acessórios, mas o gasto com hospedagem é diferente, não se compara", afirmou Fernando Soares, assessor jurídico do SHRBS.

Segundo ele, o bom senso nos preços é a recomendação principal para que os estabelecimentos não percam clientela de última hora. 

Salinas e Alter do Chão concentram maior volume de turistas

Salinópolis continua sendo o município que mais congrega pessoas, impulsionado pelo crescimento de resorts e apart-hotéis. No entanto, o perfil do visitante em Salinas tem mudado: muitos preferem reunir grupos de 10 a 15 pessoas para dividir o aluguel de imóveis particulares, buscando reduzir custos. Já Alter do Chão, em Santarém, mantém a tradição de destino de descanso e deve registrar a maior ocupação do estado, atingindo 95% da capacidade das pousadas. 

Nos polos de folia como Cametá e Vigia, o público é majoritariamente jovem. Fernando Soares ressalta que esses municípios possuem meios de hospedagem insuficientes para a demanda. Em Cametá, é comum o uso de navios como hotéis flutuantes para suprir a carência de quartos. "Nesses locais, há muita alimentação fora do lar, mas o ticket médio é menor. Geralmente, as pessoas fazem uma refeição por dia e o resto é lanche", explicou o assessor do sindicato. 

A mão de obra para o período também segue um padrão específico. Diferente do ano passado, quando a proximidade da COP 30 gerou contratações formais, em 2026 o setor opera majoritariamente com diárias. “Garçons, cozinheiros e seguranças são alguns exemplos de profissionais contratados apenas para os dias de festa, sem a criação de postos temporários de longa duração”, concluiu Soares. 

Preços de hospedagem para o Carnaval 2026

  • Salinópolis: diárias em resorts a partir de R$ 900; casas para 12 pessoas com pacotes de R$ 5 mil a R$ 8 mil
  • Alter do Chão: pousadas centrais com pouca disponibilidade; diárias médias de R$ 450 a R$ 700
  • Cametá: hotéis esgotados no centro; pacotes em navios/camarotes variam entre R$ 1,2 mil e R$ 2,5 mil por pessoa
  • Bragança: destino mais acessível; diárias em pousadas históricas a partir de R$ 250
  • Mosqueiro: alta oferta de casas por temporada; pacotes para o período entre R$ 1,5 mil e R$ 3 mil

Fonte: simulação feita pela reportagem