Belém vende mais de mil toneladas de laranja por dia em janeiro; fruta encarece até 4% no mês
Sedap destacou liderança do Pará na citricultura do Norte, com produção acima de 300 mil toneladas e foco em derivados de maior valor agregado
Belém comercializou mais de 1.003.202,95 quilos de laranjas por dia em janeiro de 2026 com o preço médio do quilo da fruta no entreposto de R$ 6,00 ao longo do mês. Os dados são da diretoria técnica da Central de Abastecimento do Pará (Ceasa). Apesar do volume expressivo, o preço da fruta apresentou alta no mês, especialmente nos supermercados, refletindo diferenças entre a laranja importada de outros estados e a produção regional, que enfrenta o período de entressafra.
Dados da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap) indicam que o Pará lidera a produção de laranja na Região Norte e ocupa a 7ª posição no ranking nacional, com produção estimada em 310,4 mil toneladas na safra 2025, concentrada principalmente no polo citrícola de Capitão Poço, além de um perfil exportador voltado majoritariamente a derivados, que respondem por mais de 99% do valor comercializado no exterior.
Supermercados registram alta de 4,13% no mês
Levantamento do Dieese/PA (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos) enviado ao Grupo Liberal apontou que, nos supermercados da capital, o quilo da laranja pera atingiu o valor médio de R$ 7,32 em janeiro deste ano. O preço representa uma alta de 4,13% em relação a dezembro de 2025, quando o quilo da fruta custava R$ 7,03.
Apesar do aumento recente, o Dieese observa que o produto acumulou queda de 12,23% na comparação com janeiro de 2025 (R$ 8,34). Segundo o departamento, esse comportamento está ligado principalmente à maior oferta de laranjas vindas de outros estados, especialmente do Sudeste, principal região produtora do país.
A produção em larga escala e uma cadeia de distribuição mais estruturada contribuem para preços mais estáveis ao longo do ano.
Feiras livres sentem impacto da entressafra local
Situação diferente é registrada nas feiras livres de Belém, onde predomina a comercialização da laranja regional. Em janeiro, o preço médio foi de R$ 6,71 o quilo, com alta de 1,51% no mês e aumento acumulado de 10% em 12 meses.
Em dezembro de 2025, o preço médio do quilo da laranja regional custava R$ 6,61 nas feiras livres da capital. Em janeiro do mesmo ano, custava R$ 6,10.
Segundo o Dieese/PA, a elevação está diretamente relacionada à entressafra da produção local, período marcado pela redução da oferta. No Pará, a produção de laranja concentra-se no Nordeste paraense, com destaque para Capitão Poço, principal polo citrícola do estado.
Conforme o departamento, a citricultura paraense é baseada, em grande parte, na agricultura familiar, mais sensível às condições climáticas, aos custos de manejo, ao armazenamento e ao transporte até a Região Metropolitana de Belém.
Feirantes explicam diferença de preços e influência do clima
Na ponta final da cadeia, os feirantes sentem diretamente os efeitos da variação na oferta e das condições climáticas em outras regiões do país.
Para Messias Gomes, feirante da Feira da 25, na avenida Rômulo Maiorana, a presença da laranja paulista influencia tanto a disponibilidade quanto o preço da fruta local.
“A laranja paulista vem de fora. Ela é muito mais cara do que a laranja da nossa região. Quando tem muita laranja paulista, a laranja local tem pouca. Aí a laranja local fica mais cara. A laranja local é a laranja pera”, explica.
Segundo ele, o valor pago por unidade interfere na forma de comercialização. “A unidade das laranjas pra mim sai a R$ 1. Aí eu vendo sete laranjas por R$ 5, seis laranjas por R$ 5”, relata. Messias também destaca o impacto do clima no Sudeste.
“Como as chuvas do Sudeste interferem na importação da laranja paulista, a laranja pera acaba ficando mais barata e a importada acaba ficando cara”, afirma.
Na mesma feira, o feirante Matheus Barreiros aponta que atualmente há diferença significativa de preços entre os tipos de laranja disponíveis.
“Hoje em dia a gente tem a laranja baía e a laranja comum. A laranja comum tá saindo a R$ 12 o quilo e a laranja baía tá saindo a R$ 15 o quilo”, diz.
De acordo com ele, a laranja baía, que é importada, sofreu impacto direto das condições climáticas. “A laranja baía é importada. A seca interferiu no preço dela. Ela ficou mais cara pela falta da chuva que precisa para ter mais demanda”, conclui.
Pará consolida liderança citrícola no Norte e aposta na agroindustrialização
Dados da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap) reforçam a relevância do Pará na produção de laranja no cenário nacional. O estado se consolida como o principal polo citrícola da Região Norte, ocupando o 1º lugar regional e o 7º lugar no ranking nacional, com importância crescente na cadeia agroindustrial.
Em 2024, a produção estadual alcançou 261,11 mil toneladas de laranja. Desse total, cerca de 90% estão concentrados na Região de Integração Rio Capim, com destaque para o município de Capitão Poço, reconhecido como o principal polo citrícola do Pará.
Para a safra 2025, a Sedap estima 18.012 hectares de área plantada e colhida, com produção projetada de 310.479 toneladas. O resultado indica crescimento em relação à Produção Agrícola Municipal (PAM) de 2024, refletindo uma expansão moderada da área colhida e a estabilidade das condições produtivas.
Segundo a secretaria, o cenário aponta baixo risco de retração estrutural no curto prazo e manutenção da relevância regional da citricultura paraense.
Exportações priorizam derivados e produtos de maior valor agregado
No comércio exterior, o Pará apresenta um perfil fortemente voltado à agroindustrialização, com participação ainda reduzida da fruta in natura.
Em 2024, o estado exportou 1.854,24 toneladas, movimentando US$ 11,07 milhões. Já em 2025, o volume foi de 1.826,52 toneladas, com valor de US$ 10,83 milhões. Em janeiro de 2026, as exportações somaram 83,60 toneladas, gerando US$ 813,50 mil em receita.
Apesar da leve redução do volume entre 2024 e 2025, o valor exportado manteve-se elevado, o que, segundo a Sedap, evidencia a maior agregação de valor dos produtos comercializados pelo estado.
A pauta exportadora de 2025 confirma esse perfil: os sucos de laranja lideraram, com 1.629,43 toneladas e US$ 8,52 milhões; seguidos pelo óleo essencial de laranja, com 182,86 toneladas e US$ 2,29 milhões. As laranjas frescas ou secas tiveram participação marginal, com apenas 14,23 toneladas, equivalentes a US$ 18,25 mil.
Juntos, os derivados responderam por mais de 99% do valor exportado, consolidando o Pará como fornecedor de insumos agroindustriais.
Entre os principais destinos das exportações em 2025 estão Bélgica (42,48% do valor), Estados Unidos (27,06%), China (12,03%), Índia (9,13%) e Países Baixos (6,84%). A Sedap destaca que a pauta é direcionada a mercados com demanda industrial consolidada, especialmente nos segmentos alimentício, cosmético e de aromas.
Com base nesse desempenho, a secretaria avalia que o Pará tem uma base produtiva sólida, com crescimento gradual da produção agrícola. A safra 2025 reforça a estabilidade do setor e abre espaço estratégico para fortalecer a agroindustrialização local, ampliar a escala produtiva e aumentar a captura de valor ainda na origem, reduzindo a dependência da exportação da fruta in natura.
1. Volume comercializado em Belém
- Mais de 1.003.202,95 kg de laranja por dia vendidos em janeiro de 2026 na Ceasa/PA.
2. Preço médio na Ceasa
- R$ 6,00 o quilo ao longo de janeiro de 2026.
3. Produção de laranja no Pará
- 310,4 mil toneladas estimadas na safra 2025.
- Pará é o 1º produtor do Norte e o 7º do Brasil.
4. Preço nos supermercados de Belém
- Laranja pera a R$ 7,32/kg em janeiro de 2026.
- Alta de 4,13% em relação a dezembro de 2025 (R$ 7,03).
5. Variação anual nos supermercados
- Queda acumulada de 12,23% frente a janeiro de 2025 (R$ 8,34).
6. Preço nas feiras livres
- Média de R$ 6,71/kg em janeiro de 2026.
- Alta mensal de 1,51% e aumento de 10% em 12 meses.
7. Evolução recente do preço nas feiras
- Dezembro de 2025: R$ 6,61/kg.
- Janeiro de 2025: R$ 6,10/kg.
8. Área plantada e colhida (safra 2025)
- 18.012 hectares, com produção projetada de 310.479 toneladas.
9. Exportações do Pará
- 2024: 1.854,24 toneladas – US$ 11,07 milhões.
- 2025: 1.826,52 toneladas – US$ 10,83 milhões.
- Janeiro de 2026: 83,60 toneladas – US$ 813,5 mil.
10. Perfil das exportações (2025)
- Sucos de laranja: 1.629,43 t – US$ 8,52 milhões.
- Óleo essencial: 182,86 t – US$ 2,29 milhões.
- Laranja in natura/seca: apenas 14,23 t – US$ 18,25 mil.
- Derivados representam mais de 99% do valor exportado.
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