Belém perde 14 geladões após apreensão por instituição financeira
Sindicato aponta desequilíbrio financeiro e diz que outras empresas podem enfrentar apreensões no sistema de transporte coletivo
Quatorze ônibus do tipo 'geladão', que integram o sistema de transporte coletivo de Belém, foram apreendidos após decisão da instituição financeira responsável pelo financiamento dos veículos. De acordo com o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belém (Setransbel), a apreensão se deu mediante da "incapacidade das empresas de cumprirem os compromissos financeiros assumidos na aquisição da frota".
Os ônibus pertencem às empresas Auto Viação Monte Cristo (12 veículos) e Transportes Canadá (2), segundo informou .
Em nota, o Setransbel atribui o episódio ao atual cenário de desequilíbrio econômico-financeiro do sistema de transporte coletivo em Belém e na Região Metropolitana. Segundo a entidade, a tarifa pública vigente não acompanhou a planilha técnica aprovada pelo Conselho Municipal de Transporte em 2025, mesmo após acordo judicial firmado com o poder público.
Em nota, a Secretaria Municipal de Segurança, Ordem Pública e Mobilidade de Belém (Segbel) informou que acompanha a retirada de 12 ônibus do tipo “geladão” de circulação, que estavam em posse da empresa Monte Cristo, ocorrida na última quinta-feira (26). O orgão afirmou que acionou uma nova empresa, que já iniciou operação emergencial nas linhas afetadas — CDP/Providência, Pedreira/Lomas A, Pedreira/Nazaré e UFPA/José Malcher — com a utilização de novos ônibus.
O sindicato afirma que o acordo previa a remuneração necessária para viabilizar a renovação da frota, processo que resultou na aquisição de cerca de 300 novos ônibus do tipo “geladão”.
Outro fator apontado pela entidade é o aumento do custo do diesel, que pode representar até 40% das despesas operacionais das empresas, impactando diretamente a capacidade de pagamento dos financiamentos.
Ainda segundo o Setransbel, outras empresas associadas podem enfrentar medidas semelhantes.
A reportagem solicitou posicionamento Secretaria Municipal de Segurança, Ordem Pública e Mobilidade de Belém e da Prefeitura de Belém sobre as apreensões e possíveis impactos no sistema, e aguarda retorno. A apuração do Grupo Liberal também procurou as empresas envolvidas, mas até o fechamento não obteve resposta. O espaço segue aberto para posicionamentos.
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