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Aposentados no Pará enfrentam dificuldades com custo de vida apesar de reajustes

Levantamento do Dieese-PA aponta insuficiência dos benefícios previdenciários, enquanto aposentados relatam perda de poder de compra e necessidade de renda complementar

Maycon Marte

Neste sábado (24), data em que se comemora o Dia da Previdência Social e do Aposentado, paraenses que dependem da renda previdenciária ainda relatam dificuldades para lidar com o custo de vida. A enfermeira, economista, advogada e futura psicóloga Marilene Jardim, aposentada há seis anos, afirma que a aposentadoria representa hoje a menor parte de sua renda e que só consegue arcar com as despesas graças a investimentos feitos quando ainda estava na ativa.

Essa realidade é reforçada por um levantamento recente do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos no Pará (Dieese-PA), que aponta a insuficiência dos benefícios previdenciários diante dos reajustes consecutivos dos produtos essenciais.

O Dieese-PA estima uma injeção de R$ 219,8 milhões no estado, resultado do reajuste sobre as aposentadorias, em especial as que superam o valor base do salário mínimo. O estudo se baseia em dados do Boletim Estatístico da Previdência Social do Instituto Nacional do Seguro Social (Beps), que analisa os efeitos econômicos do reajuste sobre a aposentadoria e seus impactos no poder de compra dos beneficiários.

Segundo o levantamento, o Pará possuía um total de 848.697 beneficiários do Regime Geral de Previdência Social (RGPS). Desse contingente, apenas 144.565 pessoas, cerca de 17% do total, recebiam acima de um salário mínimo. Mesmo sendo a menor parcela, esse grupo foi responsável por um volume mensal de R$ 468,4 milhões, o equivalente a 30,7% de toda a massa previdenciária paga no estado, que somou R$ 1,53 bilhão por mês.

O valor total mensal dos benefícios do Regime Geral de Previdência Social (RGPS) pagos no Pará alcançou R$ 1.526.775.783. Desse montante, R$ 1.058.331.269 correspondem a benefícios de até um salário mínimo, enquanto R$ 468.444.514 referem-se a pagamentos acima do piso nacional.

Dentro da faixa de benefícios superiores ao salário mínimo, a distribuição da massa de rendimentos ocorre da seguinte forma: R$ 458.921.385 concentram-se entre quem recebe de um a cinco salários mínimos; R$ 9.294.839 correspondem a benefícios entre cinco e dez salários mínimos; e apenas R$ 228.290 são destinados a beneficiários com rendimentos acima de dez salários mínimos.

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Realidade

A aposentada Marilene Jardim relata que sua aposentadoria não é suficiente para cobrir todas as suas necessidades. Ela complementa a renda com imóveis, trabalho na área jurídica, em menor escala, e poupanças. Ainda critica os reajustes baixos do valor e a falta de poder de compra suficiente para dar conta das despesas essenciais do dia a dia.

“A aposentadoria representa apenas uma parte da renda necessária para a sobrevivência. Quem depende exclusivamente da aposentadoria não consegue arcar com todas as despesas. Em meu caso, possuo recursos complementares que poupei ao longo da vida, como imóveis, além de continuar trabalhando na área jurídica, embora em menor escala. É essa combinação que me permite suprir minhas necessidades”, explica a aposentada.

Marilene diz que os reajustes da aposentadoria são mínimos, em torno de 5% a 6%, insuficientes para cobrir gastos com saúde, alimentação e lazer, por exemplo. Ela critica a falta de equidade nos reajustes da aposentadoria, que não acompanham os custos crescentes.

“Em alguns casos, o aposentado é forçado a escolher entre comprar remédios ou se alimentar. Acredito que a aposentadoria de quem contribuiu por 30 anos ou mais deveria ser reajustada de forma semelhante à dos políticos e do Judiciário, para que houvesse maior equidade no tratamento do trabalhador que dedicou uma vida ao trabalho”, conclui.