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Alta de custos, guerra no Oriente Médio e dependência externa pressionam fertilizantes no Pará

Conflito internacional eleva preço da ureia e agrava cenário já marcado por entraves logísticos e importações elevadas

Gabi Gutierrez

O Brasil importou cerca de 2,87 milhões de toneladas de fertilizantes em janeiro de 2026, segundo dados da Comex Stat, volume 4,4% menor em relação ao mesmo período de 2025. Apesar da leve retração, o cenário para o agronegócio segue pressionado, especialmente no Pará, onde os custos e a dependência externa continuam elevados.

O contexto internacional tem agravado ainda mais a situação. O conflito no Oriente Médio, que entrou na quarta semana, já provoca repercussões imediatas no agronegócio brasileiro, principalmente sobre o preço dos fertilizantes — insumos essenciais para culturas como soja e milho. A ureia, utilizada na fabricação de fertilizantes nitrogenados, registrou alta de 50% desde o início da guerra, chegando a US$ 725 por tonelada, segundo a consultoria StoneX.

No Pará, os reflexos desse cenário global se somam a desafios locais. Em fevereiro de 2026, o estado importou US$ 30,5 milhões em adubos ou fertilizantes químicos, com alta de 2,2% e variação absoluta de US$ 665,2 mil. Esses produtos representaram 13,7% da pauta de importações estaduais no período, consolidando-se entre os principais itens adquiridos no exterior.

No acumulado de 2025, as importações de fertilizantes pelo Pará somaram US$ 668,2 milhões, crescimento de 23,8% em relação ao ano anterior, com participação de 4% nas compras externas.

De acordo com o diretor da Federação da Agricultura e Pecuária do Pará (Faepa), Guilherme Minssen, o aumento global dos preços é agravado por problemas estruturais locais. “Além do problema mundial que aumentou consideravelmente o preço dos insumos, as péssimas condições de logística para o acesso de insumos no setor rural estão onerando os produtores rurais”, afirma.

Ele ressalta que o estado possui potencial para reduzir essa dependência, mas enfrenta entraves ambientais e regulatórios. “O Pará tem quase todos os fertilizantes necessários para a autonomia do seu agronegócio, porém as normas de licenciamento ambiental e principalmente os zoneamentos de áreas com diferentes tipos de reservas em locais de minérios estratégicos nos deixam com total dependência externa”, explica.

O impacto já é sentido ao longo da cadeia produtiva e chega ao consumidor final. “O custo/benefício da produção animal ou vegetal depende diretamente da safra de qualquer produto. O aumento imediato de cerca de 20% nos combustíveis já está sendo repassado imediatamente para os alimentos”, diz Minssen.

Diante desse cenário, o setor acompanha com apreensão os desdobramentos internacionais aliados aos gargalos regionais. “O agronegócio paraense assiste com apreensão o atual momento da geopolítica mundial, sem esquecer dos nossos gargalos regionais”, conclui.