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Agronegócio do Pará celebra prêmio nacional do AçaíBot, máquina que colhe açaí por controle remoto

Tecnologia desenvolvida no Pará, foi reconhecida como a solução mais inovadora em premiação em São Paulo (SP)

Valéria Nascimento

Em Belém, na noite desta quinta-feira (9), um jantar para parceiros institucionais e convidados do Agro, comemorou a conquista inédita do setor no Pará: a premiação nacional na categoria inovação do AçaíBot, a primeira máquina do mundo capaz de colher açaí por controle remoto. O equipamento foi considerado uma das soluções mais inovadoras do país​ voltadas ao agro e à bioeconomia. 

A tecnologia desenvolvida pela startup paraense Kaatech venceu o prêmio concedido em São Paulo, em março passado, pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). Nesta quinta-feira, em Belém, o Fórum das entidades empresariais do Pará, em parceria com a Kaatech, reuniu lideranças e dirigentes do agronegócio amazônico para celebrar o prêmio.

"O Pará é o primeiro produtor de açaí do Brasil e do mundo, e a nossa presença aqui é de alegria em razão desse prêmio. A tecnologia feita pela Kaatech é destaque nacional em IA para a produtividade. É a primeira vez que o Pará participa e recebe um prêmio desse, e nós vamos evoluir cada vez mais”, afirmou Carlos Xavier, presidente da Faepa (Federação da Agricultura e Pecuária do Pará), a entidade máxima de representação dos produtores rurais no Pará.

O zootecnista Guilherme Missen, que é também diretor da Faepa, destacou que o AçaíBot é uma solução de robótica aplicada ao agronegócio amazônico para eliminar os riscos físicos enfrentados pelos trabalhadores durante a coleta dos frutos das palmeiras, atividade conhecida pela periculosidade e pelo esforço físico extremo.

A tecnologia amplia o acesso ao trabalho de coleta, afirmou Missen, ao permitir que mulheres também atuem na atividade, o que é um avanço no âmbito da inclusão social e econômica para as famílias da cadeia econômica do açaí

"O robô que nós estamos festejando aqui, o AçaíBot, é uma revolução para as pessoas mais carentes, são os nossos ribeirinhos, são as pessoas que nós mais devemos dentro da sociedade. Pessoas que enfrentam problemas bastante diferentes dos nossos, que estão lá numa outra ponta, na ilha da Caviana, da Mexiana, do arquipélago marajoara, aqui para as nossas outras ilhas, no Tocantins. E eles não têm tecnologia disponível. Nunca havia sido feita uma tecnologia para eles”, afirmou Guilherme Missen.

Para o idealizador da tecnologia, Reinaldo Santos, da startup paraense Kaatech, o diferencial do projeto está justamente na aplicação prática da inovação. “A gente não criou só uma máquina, criamos uma solução para aumentar a produtividade e, principalmente, salvar vidas. O AçaíBot elimina a necessidade de subir em árvores de mais de 20 metros, que sempre foi o maior risco dessa atividade”, afirmou.

O presidente da Federação das Indústrias do Pará (Fiepa), Alex Dias Carvalho, foi quem entregou a premiação em São Paulo para Reinaldo Santos, em março passado. Em Belem, nesta quinta-feira, ele assinalou que a presença do Pará na premiação da CNI foi ampla e coroada com a vitória na categoria Inovação.

“Hoje é uma noite para celebrar uma conquista que traz um simbolismo gigante, pelo tamanho, potência e pelo amor que todos nós paraenses temos pelo açaí. De fato, o Pará despontou com um grande ecossistema, com resultados fantásticos e agora coroados com a conquista do grande prêmio de inovação pelo AçaíBot, que apresenta uma nova dinâmica à colheita do açaí, e isso tem apelos sobre a questão de segurança do trabalho, sobre a questão da maior dignidade no processo de extração, isso traz a produtividade e ganhos de competitividade”, disse o titular da Fiepa.

Na prática, o AçaíBot utiliza controle remoto e recursos de inteligência artificial para realizar a colheita de forma segura e eficiente. A tecnologia permite ampliar a capacidade produtiva, reduzir acidentes e profissionalizar a atividade, além de integrar inovação ao contexto da floresta.

A premiação conquistada pela tecnologia paraense reconhece exatamente esse tipo de solução: tecnologias que convertem conhecimento em resultado econômico, impacto social e desenvolvimento sustentável. A partir de agora, a Kaatech espera acelerar a adoção da tecnologia nas principais regiões produtoras do país.

De acordo com o diretor comercial, João Rezende, o prêmio deve impulsionar a escala do negócio. “Esse reconhecimento abre portas e acelera a confiança do mercado. Nossa expectativa agora é ampliar a produção e montar novas unidades em Belém e Macapá, atendendo a uma demanda crescente pela tecnologia”, destacou. Além disso, o Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar) oferece crédito rural com taxas de juros reduzidas e prazos facilitados para o pequeno agricultor, e também cooperativas e associações de trabalhadores rurais, acessarem o equipamento.