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Açaí deve ficar mais caro ainda este mês, aponta Dieese

Entidade sindical estima que, desde a segunda quinzena de novembro, o preço do produto tem subido; período chuvoso contribui para o reajuste

Gabriel da Mota

O preço do açaí comercializado em Belém deve subir nos próximos meses, de acordo com o balanço do mês de novembro que será divulgado ainda esta semana, pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). As pesquisas feitas em pontos de venda, supermercados e feiras livres mostram que, desde a segunda quinzena de novembro, houve encarecimento do produto na capital paraense. Na Feira da 25, bairro do Marco, o valor do açaí grosso foi encontrado a R$ 20 em média, mas deve subir nos próximos dias, segundo comerciantes.

“A entressafra, que é esse período de menor oferta, escassez e replantio, começa agora mais fortemente em dezembro e deve se estender até o mês de abril ou maio de 2024, dependendo das variações climáticas e de outras condicionantes, mas principalmente o fator clima. Na prática, a gente tá falando de metade do ano com preços mais elevados, que é o que já está ocorrendo agora”, explica o supervisor técnico do Dieese/PA, Everson Costa. 

A entidade sindical costuma analisar o preço do açaí dos tipos médio e grosso, praticados na capital paraense. O balanço mais recente, divulgado no dia 24 de novembro, mostra os seguintes aumentos no período de 12 meses (outubro de 2022 a outubro de 2023): o açaí médio acumulou um reajuste de 9,65%; e o açaí grosso subiu 17,08%.

Leoclides Andrade é proprietário de um ponto de açaí localizado na Feira de 25, e conta que, em breve, precisará reajustar o preço de seu produto. “Nós estamos no fim de safra, então o preço do caroço vai começar a aumentar no Ver-o-Peso. Já está aumentando”, revela o comerciante. O período de chuvas intensas na região, que começou nas últimas semanas, já aumentou o preço das rasas de açaí adquiridas pelo empresário: até o mês passado, ele costumava comprar o paneiro de duas latas do fruto a R$ 120; em dezembro, está gastando R$ 140.

“Acredito que, a partir de janeiro, o preço do açaí aqui vai alterar, porque fica impossível de vender no balcão o mesmo preço, se o caroço tá muito alto”, detalha Leoclides Andrade. Ele vende o litro do açaí grosso a 20 reais. “Popular eu não faço, porque a gente já tem um padrão aqui na loja. Tem freguês que, mesmo comprando o popular e pagando mais barato, ele vai achar ruim, porque é fino”, explica. 

Apesar da tendência de alta no preço, há quem não abra mão do hábito de consumir, todos os dias, o produto. A feirante Socorro Diniz costuma comprar, diariamente, um litro de açaí no ponto do seu Leoclides. Independentemente do valor, ela diz que o fruto faz parte do cotidiano: “No almoço, na janta, eu consumo açaí com a comida: um peixe frito, uma galinha, uma carne assada… todo dia”, relata.