Alta global de combustíveis e insumos pressiona indústria paraense devido à guerra no Oriente Médio
Guerra no Oriente Médio eleva custos de produção e fretes, afetando madeira, agronegócio, construção civil e logística no Pará
O impacto da guerra no Oriente Médio já é sentido nas indústrias do Pará. Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o índice de evolução do preço médio das matérias-primas no Brasil saltou de 55,3 pontos no quarto trimestre de 2025 para 66,1 pontos no primeiro trimestre de 2026. Entrevistados pelo Grupo Liberal apontam que combustíveis, fertilizantes, cimento, aço e outros insumos essenciais ficaram mais caros ou escassos, pressionando margens de lucro, prazos de entrega e planejamento produtivo.
Madeireiras enfrentam aumento de custos e instabilidade logística
Deryck Martins, diretor executivo da Aimex (Associação das Indústrias Exportadoras de Madeira do Estado do Pará), afirma que a indústria madeireira paraense sente os efeitos da alta do petróleo principalmente nos combustíveis, essenciais para extração, transporte fluvial e rodoviário, e fretes marítimos.
“O aumento do petróleo eleva significativamente os custos de operações florestais e logísticas, que já são elevados na Amazônia. Além disso, há instabilidade em rotas globais, afetando fretes, seguros e tempos de trânsito”, explica Martins.
Ele alerta que essas pressões impactam diretamente a competitividade das exportações de madeira:
“As empresas enfrentam redução de rentabilidade, precisam manter qualidade e regularidade no fornecimento, e os contratos internacionais exigem renegociações constantes. A instabilidade logística aumenta prazos de entrega e prejudica a previsibilidade das operações, afetando nossa competitividade frente a concorrentes internacionais.”
Agronegócio sente falta de fertilizantes
No setor agropecuário, os principais impactos vêm da escassez de fertilizantes, essenciais para a produção de grãos, carne, leite e ovos, segundo Guilherme Minssen, da Faepa (Federação da Agricultura e Pecuária do Pará).
“Sem adubo, não conseguimos produzir proteínas nobres. Nosso déficit em fósforo e adubos nitrogenados depende do Estreito de Ormuz, e qualquer instabilidade externa reflete diretamente em produtividade, preços e contratos de exportação.”
A falta de insumos básicos compromete tanto a produção vegetal quanto animal, pressionando custos e reduzindo a rentabilidade dos produtores.
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Transporte e logística: impacto nos trabalhadores
Edilberto Ventania, diretor do Sintracarpa (Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas de Transportes e Logística de Cargas do Pará), destaca que a alta nos combustíveis tem reflexos diferenciados sobre trabalhadores do setor de transporte:
“Para os funcionários com salário fixo, o impacto é menor. Mas quem recebe comissão sofre, porque o aumento do diesel não é repassado integralmente ao valor do frete, aumentando os custos para os motoristas e operadores logísticos.”
Construção civil precisa se adaptar
Herivelto Bastos, presidente da Acomac Pará (Associação dos Comerciantes de Material de Construção do Pará), detalha que a cadeia da construção enfrenta elevação nos preços de cimento, aço, cobre, PVC e nos custos logísticos.
“A dependência de transporte rodoviário e hidroviário torna a alta dos combustíveis ainda mais sensível. As empresas estão reajustando contratos, renegociando cronogramas e reduzindo margens para manter obras em andamento.”
Estratégias como compra antecipada de insumos, diversificação de fornecedores e replanejamento de obras têm sido adotadas para reduzir impactos sobre preços e evitar atrasos.
Indústrias minerais e energia não se manifestaram
O Grupo Liberal tentou contato com Fiepa (Federação das Indústrias do Pará), Simineral (Sindicato das Indústrias Minerais do estado do Pará) e Equatorial Pará, mas não obteve resposta sobre como a alta global de insumos está afetando outros setores industriais e energéticos do estado.
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