Ursula Vidal lança 'Em Tempo', livro com mosaico de temas palpitantes, em Belém
Com lançamento nesta quinta (24), às 19h, livro traz artigos da jornalista e produtora cultural publicados em O Liberal
Viver intensamente o seu tempo. Essa proposta, a jornalista e produtora cultural paraense Ursula Vidal, coloca em prática há décadas. E, agora, ela chega em um momento bem interessante em sua trajetória como mulher criadora de conteúdos: nesta quinta-feira (24), às 19h, no Núcleo de Conexões Na Figueiredo, no centro de Belém, Ursula Vidal lança o seu primeiro livro, "Em Tempo: 3.500 toques sobre gênero, política, cultura e Amazônia", que sai pela Editora Travessia.
"O livro nasceu como capítulo inusitado e muito bem-vindo de um processo literário e ensaístico que teve início cerca de 2 anos atrás. O Jornal O Liberal abriu um generoso espaço em suas páginas para que eu partilhasse reflexões semanais sobre assuntos, fatos, personagens ou efemérides que estivessem no topo da pauta. Foi um delicioso desafio. Mas igualmente apavorante. Sou uma comunicadora experiente no uso da imagem e da voz. A página em branco sempre foi, para mim, território sacro. Tive que juntar muita coragem para encará-lo", revela Ursula.
Os textos nasceram da urgência da notícia, mas, reunidos agora em livro, revelam outros fios entre acontecimentos, personagens e questões que atravessam o presente. Os "3.500 toques" do subtítulo recuperam essa origem: era o espaço da coluna de jornal, onde cabiam o fato da semana, a reflexão e a necessidade de dizer algo sobre aquele tempo.
Os artigos que compõem o livro foram escritos pela autora entre maio de 2024 e junho de 2026. Ao longo desse período, o público pôde conferir a desenvoltura de Ursula na abordagem de temas variados, com a característica de estarem na pauta do dia, ou seja, "bombando" na sociedade brasileira antenada com o cenário mundial. A autora conseguiu, muitas vezes, chamar a atenção dos leitores e internautas para aspectos que não haviam sido notados com relação a fatos da política brasileira e questões de gênero e do desenvolvimento sustentável da Amazônia. Essa meta alcançada se deve, em muito, pelo fato de Ursula ser uma leitora voraz, nas várias formas de se ler o mundo, as realidades e seus tempos.
À mostra
"O fluxo da escrita foi ganhando método e forma com o tempo. Embora os ensaios apresentassem uma estrutura textual mais livre, sempre busquei construir análises comparativas, pesquisando dados e estatísticas. Uma tentativa permanente de contextualizar o fato — com toda sua beleza ou seu horror — em nosso tempo histórico, nossa crise civilizatória. Há uma subjetividade autoconcedida. Eu estava ali inteira em cada artigo — meus alertas, minhas impressões e indignações", conta Ursula Vidal sobre o processo de confecção dos artigos.
O livro de estreia de Ursula acabou recebendo o título sugestivo de "Em Tempo". E ela explica por quê. "A sugestão foi do editor Pedro Gama, idealizador e diretor da Editora Travessia. A capa é uma síntese da intenção e da dinâmica criativa que geraram o livro. Ali está o olho da câmera; aquele olho mítico do fruto do guaraná; é minha lente observando, atenta e apaixonadamente, nossas precariedades e maravilhas humanas. Foram longas e estimulantes conversas com aquele jovem sensível e cultíssimo sobre o processo de editoração, incluindo a seleção dos textos, a divisão por capítulos, além do convite aceito pela talentosíssima jornalista Cristina Serra — amiga querida — para que escrevesse o prefácio da coletânea de artigos. Foi um presente que me emocionou deveras. Me emociono, a cada leitura".
E Cristina Serra destaca a passagem dos artigos da coluna para o livro e ressalta que a escrita de Ursula parte do acontecimento, mas não termina nele. "Sempre achei que escrever é uma forma de capturar o espírito do tempo", afirma Serra, ao definir a autora como uma observadora dos "dilemas e encruzilhadas que vivemos". É justamente nessa fronteira entre o imediato e o que permanece que Cristina localiza os textos de "Em Tempo". "Seus artigos têm um pé no jornalismo e outro no ensaio, com caráter de perenidade", descreve.
Nos artigos, a Amazônia mostra-se nos debates sobre desenvolvimento e desigualdade, mas também na cultura, na identidade e nas imagens de futuro construídas a partir da região. "Num mundo em convulsão, a Amazônia, os amazônidas e os leitores precisam de vozes lúcidas e indignadas com as desigualdades", completa Cristina Serra no prefácio.
"Em Tempo" está organizado em quatro movimentos. "O avesso do silêncio" abre o livro com textos sobre mulheres, violência e estruturas de desigualdade. Em "Amazônia e outros futuros", o olhar se volta para o território amazônico, sua história, suas contradições e possibilidades. "O mundo que nos atravessa" reúne artigos sobre questões políticas, sociais e humanas, enquanto "O que permanece" retorna à memória, à cidade, à fé e à cultura.
Portanto, quem pretende não abrir mão de uma boa leitura, provocativa de reflexões, com textos bem urdidos, como, por exemplo, uma tapeçaria ou cerâmica com símbolos marajoaras, pode conferir o lançamento de "Em Tempo", nesta quinta-feira (24), às 19h, no Núcleo de Conexões Na Figueiredo.
Serviço
Lançamento de 'Em Tempo: 3.500 toques sobre gênero, política, cultura e Amazônia', de Ursula Vidal
Data: quinta-feira, 24 de setembro de 2026
Horário: a partir das 19h
Local: Na Figueiredo
Endereço: Av. Gentil Bittencourt, 449, Nazaré, Belém
Editora: Edições Travessia
Palavras-chave
COMPARTILHE ESSA NOTÍCIA