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Brasil 70 - A Saga do Tri: Série da Netflix recria intimidade de Pelé e quer inspirar Seleção atual

Dirigida por Paulo e Pedro Morelli, a minissérie de ficção estreia no dia 29 de maio com cinco episódios. A produção reconstrói momentos históricos e os bastidores do esquadrão de Zagallo a partir de uma narrativa inédita que une atores e futebol

Bruna Dias Merabet

Em 21 de junho de 1970, a seleção brasileira de futebol conquistou o tricampeonato da Copa do Mundo no Estádio Azteca, no México. A trajetória até o título envolveu disputas dentro e fora de campo, além de conexões com o cenário político e social daquele período. Essa trama vai ser contada a partir do dia 29 de maio na Netflix, de forma fictícia.

Paulo e Pedro Morelli, pai e filho, estão na direção de "Brasil 70 - A Saga do Tri". A minissérie, com 5 episódios, acompanha os bastidores da Seleção Brasileira durante a Copa do Mundo de 1970, em uma narrativa que une jogadores, imprensa e torcedores.


“Já existem muitos documentários sobre o Pelé, a Copa de 70, sobre todas as Copas, e ficção não tinha. Acho que ela permite a gente viver uma intimidade com os personagens, tipo de cena onde nunca teria uma câmera, um jornalista ou alguém gravando, o Pelé no quarto dele pensando. Então, você se permite criar um vínculo, a ter um acesso àqueles personagens que o documentário não permite. A gente achou que isso seria um grande diferencial para se conectar com essa figura do Pelé, que é tão marcante, famosa, reconhecida no Brasil e no mundo inteiro, e talvez agora, com essa série, quem sabe ela ajude um pouco os jovens a entrarem em contato com a figura e criarem um vínculo com ele também”, explica Pedro Morelli.

A narrativa permite uma imersão a cenas já conhecidas de uma história contada diversas vezes em livros e documentários, mas agora, como falou o diretor, ela possibilita uma conexão mais realista, como os gols de Pelé, Gérson, Jairzinho e Carlos Alberto Torres, que eternizaram o esquadrão de Zagallo na história do futebol.

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Além dessa narrativa, "Brasil 70 - A Saga do Tri" permite uma contagem regressiva para o início da Copa de 2026. Assim como o elenco deste ano, o de 70 chegou ao mundial sob vaias e desacreditado, além de Zagallo não ter sido visto como o homem certo para o cargo.

“Esse é um dos objetivos principais que a gente teve desde o começo do projeto, que era motivar os torcedores e principalmente os jogadores brasileiros a entrar nessa Copa que está começando daqui a pouquinho, com toda a garra, inspirados pelo que aconteceu em 70. Porque realmente é muito parecido. Em 70, os jogadores, a seleção, estavam muito desacreditados e hoje em dia também estão desacreditados. A de 70 saiu vitoriosa. A gente gostaria de inspirar os nossos jogadores para que a gente saia vitorioso de novo”, pontua Paulo Morelli.

Um dos pontos altos da série é a estreia de Lucas Agrícola como Pelé. Com uma semelhança assustadora, ele encarou diversos testes que não pediam apenas boa interpretação, mas também habilidade com o futebol. O ator teve preparação física de até 12 horas com chuteiras nos pés durante as filmagens, o que ganhou mais realidade diante das câmeras porque ele atuava no futebol amador, além de trabalhar como modelo.

“Acho que o Lucas foi o grande achado, essa série definitivamente não seria a mesma se a gente não o tivesse encontrado. Foi um longo processo para a gente encontrar, a gente pesquisou em mais de 10 estados do Brasil os atores/jogadores, porque todo mundo tinha que saber atuar e jogar bola muito bem. Precisava ter a perna certa, os canhotos tinham que ser canhotos, os destros tinham que ser destros. Tinha muitos critérios para achar, e o Lucas jogava bola bem, ele era muito parecido, mas nunca tinha atuado. A gente o encontrou e ficou um tempo no processo de fazer um workshop, ficou treinando e ensinando esse ator por uns dois ou três meses. A gente foi ver a evolução dele como ator e ficou muito feliz com isso, e está na tela. Ele emociona muito, e tem uma coisa interessante que ele não só é parecido com o Pelé, mas ele tem a voz parecida com a voz do Pelé, o jeito de falar. Então é muito impressionante”, diz Pedro.

PERSONAGEM

Fora das quatro linhas, a personagem Marlene Venerando, interpretada pela atriz Isabela Dias, precisa lidar com as demandas de mãe e de esposa do goleiro Félix Miélli Venerando (Hugo Haddad). Em algumas cenas marcantes, eles precisam lidar com a pressão sofrida pelos atletas e suas famílias.

“São duas cenas que se passam durante duas ligações. A primeira é uma ligação do Félix, já no México. Ele liga para a Marlene para falar que estava apreensivo e logo em seguida pede para falar com a filha Lígia, que questiona por que as pessoas o chamam de frangueiro. Já a outra ligação é quando o Brasil é campeão; ele sai do campo assim que o jogo acaba para ligar para a família dizendo que conseguiu vencer e que a filha agora tem um pai campeão do mundo”, conta ela.

Para o papel, Isabela Dias precisou entender melhor esse universo das esposas de jogadores, que começou ao longo dos anos e hoje tem ainda mais pressão:

“Assim que soube que havia passado no teste, comecei uma pesquisa muito intensa sobre essa mulher, sua relação com o marido e com as filhas. Fiquei impressionada com a força dela, como ela era a base daquela família, foi aí que me dei conta da maravilhosa e imensa responsabilidade de estar representando a Marlene.”