Pinacoteca de São Paulo realiza exposição do artista paraense Ismael Nery
Mostra reúne cerca de 230 obras do modernista nascido em Belém; veja detalhes da programação em cartaz até 2027
Até janeiro de 2027, a Pinacoteca de São Paulo, museu da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, apresenta a exposição “Ismael Nery: Armadilha moderna”, sobre a produção do paraense Ismael Nery (1900–1934), pintor, desenhista, arquiteto, decorador, cenógrafo e poeta. A mostra ocupa as sete salas de exposição temporária do primeiro andar do edifício Pina Luz, com curadoria de Yuri Quevedo, e aborda a trajetória do artista no modernismo brasileiro.
A mostra reúne cerca de 230 obras, entre desenhos, pinturas, retratos, autorretratos e composições com figuras humanas, que operam na relação entre afeto e violência, desejo e finitude.
Em registros como figura externa ao projeto do modernismo no Brasil, Nery atuou em articulação com as pautas do período. O artista utilizou linguagens como a ilustração, o cubismo e o surrealismo, adaptando-as ao seu trabalho. Em pinturas, desenhos e poemas, o corpo figurou como elemento de análise sobre a instabilidade da identidade, a fusão entre gêneros, a alteração da matéria e a busca religiosa em relação aos limites de espaço e tempo.
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“Somos atraídos pela figura de um pintor isolado e atormentado, distante dos debates do modernismo brasileiro. A morte anunciada, os corpos mutilados, a religiosidade, a fusão entre masculino e feminino e o desejo de destruir a própria produção parecem ajustar-se com tal perfeição que vida e obra passam a explicar uma à outra”, explica Yuri Quevedo, curador da Pinacoteca e responsável pela exposição.
A exposição “Ismael Nery: Armadilha moderna” apresenta obras do acervo da Pinacoteca de São Paulo, como Dois irmãos (1927), João Batista (c. 1928-1929), Figuras em azul (c. 1920) e Autorretrato satânico (1925). O conjunto reúne também Composição de mulher (1929), Perspectiva abstrata (sem data), Três figuras (1924) e Autorretrato Rio/Paris (1927).
Com a morte de Nery em 1934, sua produção permaneceu em coleções privadas e no círculo de amigos durante décadas, sem integração a museus, escolas e revisões críticas. O acesso do público ao trabalho ocorreu a partir de 1965, com a inclusão de suas obras na Sala Especial de Surrealismo e Arte Fantástica da 8ª Bienal de São Paulo.
Compreendido como integrante da arte no país, Nery tem sua trajetória apresentada pela Pinacoteca de São Paulo em uma mostra sobre suas proposições teóricas e trabalhos do período.
Nascido em Belém do Pará, Ismael Nery mudou-se para o Rio de Janeiro com a família aos nove anos de idade. Ele foi pintor, desenhista, arquiteto, cenógrafo, ilustrador e poeta. Ingressou na Escola Nacional de Belas Artes em 1917 e realizou estudos na Académie Julian, em Paris, em 1920. Em viagens à Europa, manteve contato com integrantes do surrealismo e do cubismo, como André Breton, Marcel Noll e Marc Chagall, estruturando sua produção a partir do Essencialismo. Autor de trabalhos focados na figuração humana, na anatomia, na androginia e no retrato, faleceu aos 33 anos em decorrência de tuberculose. Sua obra integra coleções públicas e acervos particulares, como o da Pinacoteca de São Paulo.
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