Pela segunda vez, Erika Hilton denuncia Ratinho por novas falas transfóbicas
Deputada pede investigação ao Ministério Público após novas declarações do apresentador sobre sua identidade de gênero
A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) apresentou, pela segunda vez, uma representação contra o apresentador Ratinho no Ministério Público de São Paulo (MP-SP) por declarações consideradas transfóbicas. Durante participação no podcast Papagaio Falante, publicada nesta quarta-feira (2), o apresentador afirmou que a parlamentar “não é mulher”.
Na representação, obtida pelo Terra, Erika Hilton pede que o caso seja investigado por possíveis crimes de transfobia, injúria transfóbica e violência política de gênero. Ratinho também voltou a questionar a presença da deputada à frente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados.
VEJA MAIS
O que Ratinho disse sobre Erika Hilton?
Durante a entrevista, Ratinho reafirmou uma opinião que já havia manifestado anteriormente. Segundo ele, a comissão deveria ser presidida por uma mulher que tivesse útero.
O apresentador também afirmou considerar a existência de apenas dois sexos e declarou que pessoas trans não seriam mulheres. Ratinho disse ainda que seus comentários não tinham a intenção de desrespeitar pessoas trans ou homossexuais.
Erika Hilton já havia acionado a Justiça
A nova representação afirma que as declarações de Ratinho não seriam um episódio isolado. Em março, após Erika Hilton assumir a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, o apresentador já havia questionado a escolha da deputada para o cargo.
Na ocasião, Erika acionou a Justiça contra Ratinho e o SBT. Em agosto, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) manteve a decisão que determinou que a emissora exibisse um direito de resposta da deputada no Programa do Ratinho.
Segundo o tribunal, o apresentador teria ultrapassado os limites da crítica política ao questionar a identidade de gênero de Erika Hilton.
Na nova representação, a deputada argumenta que a liberdade de expressão não protege manifestações discriminatórias e pede a investigação dos possíveis crimes previstos na Lei nº 7.716/1989, além de dispositivos relacionados à violência política de gênero.
Para Erika, a repetição dos ataques, mesmo após medidas judiciais anteriores, reforça a necessidade de responsabilização para evitar a normalização da violência contra pessoas trans e travestis no debate público.
COMPARTILHE ESSA NOTÍCIA