Fenômeno de se vestir para o cinema inspira ensaio com couro de pirarucu em Belém
O projeto une o glamour do cinema internacional à sustentabilidade e à cultura paraense, surfando na tendência global de espectadores que se vestem como os personagens das telas
Os lançamentos de O Diabo Veste Prada 2, que superou R$ 100 milhões em bilheteria no Brasil em apenas duas semanas em 2026, e Michael Jackson reviveram o fenômeno de espectadores que utilizam as salas de cinema como passarela. Adotando saltos altos, ternos e looks sofisticados inspirados em Miranda Priestly, ou jaquetas e luvas em referência ao Rei do Pop, o público transformou o ato de vestir-se em parte da experiência cinematográfica, repetindo o movimento imersivo visto em Barbie (2023).
De acordo com a estilista e docente multidisciplinar do curso de Design da Estácio, Alcimara Braga, essa forte influência do cinema no comportamento e no consumo é histórica: “Os filmes funcionam como espelhos e também como motores de desejo. O figurino traduz arquétipos e estilos que acabam sendo incorporados no cotidiano, seja pela indústria da moda que recria tendências, seja pelo público que se inspira diretamente nos personagens. Os filmes funcionam como difusores de moda e de tendências.”
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Embora o "efeito cinema" já tenha consagrado estéticas como o couro preto de Matrix, ele ganhou escala global com as redes sociais, transformando o entretenimento individual em performance identitária e ritual coletivo. Para a professora Alcimara, o movimento também impulsiona a economia por meio de produtos licenciados e coleções temáticas: “É uma forma de ritual coletivo. Vestir-se como os personagens amplia a experiência, transforma o ato de assistir em participação ativa. É uma celebração estética e da cultura de massa.”
A obra O Diabo Veste Prada segue como um dos pilares mais emblemáticos nessa relação entre vestuário, comportamento e status. A docente conclui analisando o papel do filme e da sociedade atual diante dessa dinâmica.
“O filme traduz a tensão entre moda como arte e moda como mercado. Ele mostra o poder simbólico das roupas e como elas podem definir hierarquias sociais e profissionais. A personagem Miranda Priestly é a personificação da moda como poder. Vivemos em uma sociedade que busca pertencimento através da estética, transformando consumo cultural em performance identitária. Moda e cinema se entrelaçam como linguagens que constroem sonhos, mas também refletem realidades sociais e culturais”, pontua.
Inspirados pelo glamour do longa-metragem, estudantes de Design e Jornalismo da instituição criaram o ensaio autoral “O Diabo Veste Couro de Pirarucu”. O projeto, que une sofisticação, sustentabilidade e valorização de modelos locais, propõe uma releitura da estética do filme conectada à identidade paraense e à criatividade amazônica.
Com articulação e acompanhamento conceitual da professora Alcimara Braga, o ensaio teve produção e direção visual de Samuel Albuquerque (Design Gráfico). A equipe técnica contou ainda com maquiagem de Luisa Sousa e Angel Valentin, e um elenco composto pelos modelos Cat Machado, Jessyca Santos, Paula Martinelli, Alexandre Dolzane, Mário Régo e Cristhian Pablo, demonstrando como referências globais da cultura pop podem ser ressignificadas no ambiente acadêmico e na valorização da cultura regional.
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