O ator Marco Nanini foi vaiado durante uma apresentação da peça Fim de Partida, no domingo (18), em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. A reação do público ocorreu após o espetáculo ser retomado sem intérpretes de Língua Brasileira de Sinais (Libras), comprometendo o acesso de pessoas surdas à sessão.
A apresentação ocorreu no Teatro Simões Lopes Neto e precisou ser interrompida depois de um problema envolvendo a iluminação e o posicionamento da equipe de interpretação. Relatos de espectadores publicados nas redes sociais apontam que Nanini teria reclamado das sombras provocadas pela iluminação e pedido a retirada dos intérpretes do palco.
Com a saída da equipe de Libras, o espetáculo continuou sem o recurso de acessibilidade. Pessoas surdas e outros espectadores deixaram o local, enquanto vídeos compartilhados na internet registraram as vaias ao ator.
Produtora reconhece falha de acessibilidade
A Pequena Central de Produções Artísticas, responsável pelo espetáculo e que tem Nanini entre seus sócios, publicou um comunicado para lamentar o ocorrido e pedir desculpas ao público.
Segundo a produtora, foi identificado um problema de compatibilidade entre o posicionamento da intérprete de Libras e a iluminação da peça. A sessão foi interrompida temporariamente para que a equipe de produção e profissionais da Fundação Theatro São Pedro tentassem encontrar uma solução.
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Como não foi possível resolver a questão naquele momento, a apresentação foi retomada sem interpretação em Libras. A empresa reconheceu que a decisão comprometeu o acesso do público surdo ao espetáculo.
No comunicado, a produtora admitiu que falhou ao não verificar antecipadamente as condições técnicas necessárias para realizar uma sessão com interpretação em Libras naquele teatro.
“Assumimos inteira responsabilidade por essa falha e por suas consequências”, declarou a empresa, que também reafirmou o compromisso com a acessibilidade.
Fundação Theatro São Pedro também se manifesta
A Fundação Theatro São Pedro, responsável pelo complexo Multiplaco Eva Sopher, também se pronunciou sobre o episódio. A instituição afirmou que sua equipe participou da mediação entre os envolvidos e buscou alternativas técnicas para garantir a continuidade da apresentação sem comprometer a acessibilidade.
Apesar das tentativas, não foi encontrada uma solução que atendesse a todas as necessidades naquele momento. Com isso, a peça voltou a ser apresentada sem a interpretação em Libras.
“A Fundação lamenta muito o ocorrido, especialmente os prejuízos causados à comunidade surda presente. O compromisso com acessibilidade é um dos pilares da instituição, que entende que cultura se faz com o acesso e o respeito a todos os públicos”, concluiu a nota.

