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Fotógrafa Elza Lima apresenta a exposição 'Corpos D'água'

A montagem traz um novo olhar sobre a relação dos seres vivos com as águas da Amazônia

Enize Vidigal

A premiada fotógrafa paraense Elza Lima abre a nova exposição em Belém, “Corpos D’água”, na próxima sexta-feira, 3, na Casa Namata. Nesse projeto a artista traz outros olhares sobre as paisagens, as pessoas e outros seres da floresta amazônica, revelando os detalhes, as texturas, as estampas e as semelhanças em imagens coloridas ampliadas. A vernissage inicia às 19h, com show da cantora Juliana Sinimbú. A entrada é franca.

Antes da abertura, às 18h30, Elza participa de uma live sobre a exposição com o historiador e presidente da Fundação Cultural de Belém (Fumbel), Michel Pinho, pelo Instagram @casa.namata. A mostra fica aberta à visitação até o dia 3 de agosto.

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“’Corpos D’água’ são quase todos os seres do mundo. A água é o que surge primeiro no mundo e, depois, nós viemos. A ideia dessa exposição surgiu quando eu estava fazendo a ‘O Lago da Lua ou Yaci Uaruá- as Amazonas do rio-mar’, contemplada pelo Prêmio Sesc de Fotografia Marc Ferrez, em Belém. Descobri nessa época o Porto dos Milagres, em Santarém, com uma quantidade grande de mulheres pescadoras”, conta Elza Lima, mencionando o lugar em que foram feitas parte das fotografias da nova exposição.

“Antigamente, os peixeiros passavam na porta das casas vendendo. A gente via esses peixes, mas hoje só compramos as postas no supermercado e não conseguimos ver a beleza deles. No Baixo Amazonas têm muitos peixes diferentes, são muitos bonitos”, recorda.

Há dois anos, a exposição “Corpos D’água” foi idealizada para ser apresentada no Sesc Ver-o-Peso. A seleção das imagens foi realizada por Elza em parceria com a fotojornalista Paula Sampaio, do Núcleo de Fotografia do Sesc da instituição. Mas a pandemia mudou o plano.

Conheça a fotógrafa paraense Elza Lima 

Com 38 anos de fotografia e quase 70 anos de idade, Elza Lima se aposentou do serviço público e vive o ápice da carreira para desenvolver projetos independentes de fotografia, que exigem dedicação para pesquisa e viagens. “Estou tendo liberdade de fazer as coisas que eu quero: ler, pesquisar e viajar”, conta a artista.

As águas que banham a Amazônia são um dos temas favoritos de Elza Lima. “Comecei a pesquisar a natureza das águas e surgiu um mundo bonito, profundo e poético. Enquanto elas (mulheres de Porto dos Milagres) me contavam a relação da lua com a água, da natureza com a água, aquilo foi me encantando e parti para a próxima exposição, que fala desse mundo aquático e da relação muito estreita do homem com a água”.

Elza afirma que segue realizando pesquisas e capturando mais imagens para “Corpos D’água”. “Ainda não finalizei essa exposição, que será mais ampla. Descobri o livro de um movimento que aconteceu em Santarém e que ficou conhecido como a segunda Cabanagem, que foi realizado por pescadores locais que confrontaram navios de pesca portugueses que vinham pescar em Santarém. Quero ir a Portugal pesquisar sobre o assunto. Descobri que as mulheres de pescadores portugueses, ‘as avieiras’, que, de início, só limpavam o peixe, começaram a pescar também e vi coincidências com os tipos de vida daqui”, antecipa.

Agende-se:

Exposição fotográfica “Corpos D’água”

Vernissage: Sexta-feira, 3, às 19h

Visitação até 3 de agosto

Local: Café Namata (Av. Conselheiro Furtado, 287, bairro Batista Campos

Entrada franca

Cultura