João The Rocha encerrou nesta semana as gravações de “Brega Story”, série original do Globoplay filmada em Belém, e marcou uma nova etapa da carreira ao estrear como ator em uma produção de televisão. O humorista interpretará o DJ Binho Pistola na trama, livremente inspirada na história em quadrinhos de Gidalti Jr. e ambientada no universo do tecnobrega e das aparelhagens da capital paraense. A estreia está prevista para 2027.
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Do teste ao primeiro papel na TV
Para chegar ao personagem, João passou por teste de elenco antes de ser escolhido para a produção. A experiência levou para a televisão um artista que já acumula cerca de 15 anos de trabalho com vídeos para a internet e aproximadamente uma década de atuação no stand-up.
“Eu acredito que estava na hora de dar esse passo. Então, chegou na hora certa. Todos do elenco acabaram se tornando muito amigos, muito próximos. A série fala muito sobre isso, sobre amizade, sobre música, sobre cultura e comédia também. A gente vai abordar muita coisa do nosso cotidiano com uma equipe e um elenco muito incrível”, conta.
No universo do tecnobrega
Na trama, Binho Pistola é um DJ de aparelhagem inserido no mercado do tecnobrega. O personagem circula entre artistas e grandes estruturas de som, em um universo que envolve música, negócios e os bastidores da cena paraense.
“Eu vou estar nesse universo mercadológico do tecnobrega, que é o que vai envolver a série. Vai ter vários cantores, muita trama, ação, porrada, tiro e muita comédia, porque é uma série de comédia da Globoplay”, afirma.
Durante as gravações, João também comandou a mesa do Crocodilo. O trabalho proporcionou ainda a convivência com nomes como Marcos Palmeira, que interpreta um ex-rei do brega vivendo uma fase difícil da carreira.
Parceria com Marcos Palmeira
João conta que a relação com Palmeira se tornou próxima durante os meses de produção. “O Marcos virou uma figura paterna para mim. Além de ter sido muito paciente comigo, a gente vai ser amigo na série, nossos personagens vão ter muitas trocas. Então, a gente fez o possível para passar essa amizade para o público”, diz.
A convivência também rendeu um presente. Ainda no início das gravações, João entregou ao ator duas camisas do Clube do Remo, depois de descobrir que Palmeira já conhecia o clube e simpatizava com o time.
“Eu dei logo no início das gravações. Na segunda vez que eu vi ele, já levei as duas camisas, porque ele tinha dito que gostava do Clube do Remo, que era remista. Eu falei: ‘Se eu for aqui, se eu vier para Belém, tu tem que ser remista, cara’. Como ele já conhecia o Remo e gostava da história do clube, ele gostou muito dos presentes”, conta.
Entre o palco e as câmeras
A estreia como ator também exigiu de João a adaptação entre diferentes linguagens. A experiência anterior com vídeos para a internet, segundo ele, ajudou durante as gravações, assim como a prática adquirida nos palcos.
“As linguagens são totalmente diferentes, então foi tudo muito novo para mim, mas, ao mesmo tempo, eu já tenho uma base do audiovisual. É bem mais parecido com o que eu fazia no YouTube. Não tem muito a ver com o que eu faço no palco, porque são linguagens bem diferentes”, explica.
O humorista conta que aproveitou conhecimentos acumulados em produções independentes para construir o personagem. “Eu peguei o que já tinha aprendido no YouTube sobre vídeo, websérie, cinema, posicionamento, decorar falas e toda essa experiência com audiovisual independente. E peguei um pouco do palco também, porque a gente tem o costume de improvisar piadas rápidas.”
'Uma escola'
Para João, os três meses de gravações também representaram um período de aprendizado com os profissionais e artistas envolvidos na produção.
“Claramente foi uma escola para mim. Eu nunca aprendi tanto como nesses meses, nos três meses que a gente gravou 'Brega Story'. Toda a preparação que eu fiz com excelentes profissionais. Eu quero continuar, quero continuar com outros trabalhos. Acredito que já estou começando de uma forma muito bonita, falando sobre a minha cultura, em um espaço tão grande como o da Globo”, afirma.
Além de Marcos Palmeira, o elenco reúne nomes como Jesuíta Barbosa, Zaynara, Fafá de Belém, Gaby Amarantos e Léo Bittencourt. A produção também conta com Gero Camilo e outros artistas paraenses e nortistas.
“Para mim, já foi uma grande conquista colocarem a maior parte do elenco paraense, nortista. Tem o Gero Camilo, o Jesuíta Barbosa, que para mim é um dos maiores atores brasileiros da atualidade, o Léo Bittencourt, que é um ator manauara também consagrado. Eu aprendi muito com toda essa galera e todos puderam aprender muito também com a nossa cultura, com o nosso dialeto e com os nossos costumes”, diz.
