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Espetáculo 'O Quarto' exibe últimos dias da temporada on-line

O roteiro é inspirado em 'Navalha na Carne' e 'Barrela', de Plínio Marcos.

Enize Vidigal O Liberal

O espetáculo “O Quarto”, do Grupo de Teatro Palha, entra na reta final da temporada de exibição virtual gratuita nesta sexta-feira, 23. A peça de suspense inspirada nos textos premiados de “Navalha na Carne” (1967) e “Barrela” (1958), do dramaturgo Plínio Marcos, apresenta a realidade miserável do submundo da exploração humana. A exibição se repete no sábado e no domingo, 24 e 25, sempre às 20 horas, pelo Youtube.

Três atores interagem no espetáculo, que se passa no cenário de um quarto sujo e decadente de um bordel. A atriz Abigail Silva interpreta a prostituta idosa “Deusa Marly”, que é explorada pelo amante e cafetão “Zeca” vivido pelo ator Kesynho Houston. O casal inicia uma discussão sobre o dinheiro arrecadado com um programa feito por Deusa, que foi perdido. O cafetão está sem dinheiro e pressiona a prostituta e, ela, por sua vez, passa a pressionar o faxineiro homossexual do estabelecimento conhecido por “Lindinha”, papel de Bonelly Pignatário.

O dinheiro está desaparecido. “Lindinha” nega o roubo e a discussão entre os três dá o tom da trama, entre acusações, desconfianças, humilhações e demonstrações de controle e força. O espetáculo foi contemplado pela Lei Aldir Blanc, por meio da Secretaria de Estado de Cultura (Secult) do governo do Pará.
“A minha personagem é uma prostituta que sustenta um gigolô. No início, ela demonstra que sente algo por ele (Zeca), mas ela é oprimida e humilhada, tratada como um objeto. Os textos do Plínio Marcos foram escritos por volta dos Anos 70, durante a Ditadura Militar, mas a sociedade mudou pouco no que se refere ao tratamento dispensado à mulher, mesmo à uma prostituta”, descreve a veterana Abigail Silva.

Abigail Silva veste a personagem (Bruno Moutinho- Divulgação)

“É um drama de suspense que se passa dentro de um quarto em que os três personagens vivenciam as suas problemáticas, tendo o gigolô como opressor da prostituta e do funcionário”, resume.
A adaptação de “Navalha na Carne” e “Barrela” foi coordenada por Paulo Santana, que também assina a direção do espetáculo. “Vivemos, hoje, sob o jugo de um tempo cujos valores sustentam individualismos que, aliados a modelos econômicos, nos moldes do neoliberalismo, criam uma situação na qual a desesperança é a mola mestra. E são justamente os desassistidos sociais que mais sofrem com esta situação”, pontua o diretor sobre o espetáculo.

Com 40 anos de história na cena do teatro paraense, o Grupo Palha traz para a cena as contradições da sociedade no que se refere às relações de poder e submissão, evidenciadas em “Navalha na Carne”. O processo de montagem do espetáculo optou em trabalhar as ações violentas e discriminatórias entre os personagens e a abordagem sobre o submundo em que vivem, com destaque à disputa constante pelo domínio da vida alheia. “O Quarto” é o retrato da negação da cidadania entre a realidade de miséria.

O espetáculo será exibido nesse link https://www.youtube.com/watch?v=78x5Di8hQ_Y, que só ficará disponível a partir das 20 horas da sexta-feira, 23, sábado, 24 e do domingo, 25.

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