O oceano de Djavan não precisa de água para existir: é feito de versos, melodias e histórias reunidas em meio século de carreira. Em Belém, onde os rios fazem parte da paisagem e da vida cotidiana, o cantor e compositor alagoano se apresenta neste sábado (24), no Hangar Centro de Convenções, com um repertório que percorre diferentes fases de sua trajetória. Os portões abrem às 17h, e o show está marcado para às 21h.
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A turnê “Djavanear – 50 Anos. Só Sucessos” celebra a carreira iniciada em 1976, com o lançamento do álbum “A Voz, o Violão, a Música de Djavan”. O espetáculo reúne canções que atravessaram gerações e passaram a integrar a memória afetiva de diferentes públicos.
Djavan retorna à capital paraense pouco mais de dois anos após sua última apresentação na cidade, em março de 2024, quando trouxe a turnê do álbum “D”. Em entrevista exclusiva ao O Liberal, o artista falou sobre a relação com Belém e a expectativa de reencontrar o público local.

“Sempre gostei muito daí e tenho enaltecido suas praças, que são as mais lindas do Brasil. Então, voltar é sempre uma alegria para mim. Sobretudo agora, com um show que é especial não só por ser novo, mas porque fala sobre 50 anos de carreira, sobre toda a minha vida artística”, declarou.
Antes de chegar à capital paraense, a turnê passou por cidades como São Paulo, Salvador, Fortaleza e Rio de Janeiro, além de incluir apresentações na Europa, em setembro e outubro, com passagens por Berlim, Paris e Lisboa.
Um repertório de diferentes fases
Com cerca de 25 músicas, a apresentação propõe uma retrospectiva da discografia de Djavan. A seleção combina sucessos conhecidos do público, composições menos presentes nos repertórios de shows e canções mais recentes, segundo o artista.
Entre os sucessos que marcam sua trajetória estão “Flor de Lis”, “Sina”, “Eu Te Devoro” e “Meu Bem Querer”. “Açaí”, lançada em 1982 no álbum “Luz”, também integra o repertório e estabelece uma conexão com o público paraense, já que o fruto faz parte da cultura, da economia e dos hábitos alimentares da região.
Para Djavan, definir a sequência das faixas é um dos principais desafios na preparação do espetáculo. É preciso equilibrar as expectativas do público com a proposta de apresentar outras partes de sua obra.
“Esse é um dos maiores desafios quando a gente vai fazer um roteiro: apresentar os hits, as músicas que as pessoas querem ouvir porque fazem parte das suas vidas, e também músicas, digamos, lado B, que não aparecem tanto, além das novas, compostas naquele ano, naquela temporada”, explicou.
O processo de construção do repertório ocorre gradualmente, a partir da experiência acumulada ao longo da carreira. “É um desafio muito grande, mas a gente já tem uma certa experiência e vai tateando até formatar um roteiro realmente novo. Não é uma coisa simples, mas a gente tem conseguido”, afirmou.
No palco, Djavan assume os vocais, o violão e a guitarra, acompanhado por uma banda com bateria, piano, teclado, saxofone e trombone.
Canções que atravessam gerações
Ao longo de meio século de carreira e com tantos sucessos lançados, Djavan passou a fazer parte da vida de milhões de brasileiros, embalando encontros, despedidas, histórias de amor e diferentes momentos que atravessam gerações.
Para o cantor, esse vínculo faz parte do percurso de uma obra que ultrapassa a experiência individual do compositor e passa a integrar o imaginário coletivo.
“A obra, na verdade, tem essa função de passar a fazer parte do imaginário popular. Uma música como ‘Meu Bem Querer’ ou ‘Oceano’, por exemplo, hoje pertence a todos, porque representa momentos de muita importância na vida das pessoas”, disse.
O artista também observa que suas composições continuam chegando às novas gerações. A permanência das músicas entre ouvintes mais jovens é um dos aspectos destacados por ele ao falar sobre a trajetória de sua obra.
“Você vê que a sua obra está viva na mente e no coração das pessoas, sobretudo das mais jovens, pessoas com as quais eu passei a me relacionar mais recentemente. Então, é uma alegria muito grande”, afirmou.
Homenagem a Gal Costa
A passagem do tempo realizado no palco durante a turnê também atribui novos significados às canções. É o caso de “O Vento”, composição de Djavan em parceria com Ronaldo Bastos, gravada por Gal Costa. “Ela ganhou um significado ainda mais importante depois que Gal se foi. E eu trago essa música neste show para homenageá-la, para relembrar essa artista tão maravilhosa que ela foi”, declarou.
A expectativa antes de subir ao palco
Mesmo após cinco décadas de carreira, Djavan afirma que o início de cada apresentação ainda provoca uma sensação semelhante à dos primeiros anos de trajetória. A experiência acumulada não elimina a apreensão que antecede o encontro com o público.
“Uma das coisas que não mudam é exatamente aquela apreensão que você tem no início de cada show. É como se estivesse subindo ao palco pela primeira vez”, contou.
Com o tempo, o cantor aprendeu a conviver com essa sensação, que continua presente a cada apresentação. “Você se acostuma a vivenciar essa sensação, mas ela não deixa de ser sempre uma coisa nova”, acrescentou.
SERVIÇO
Djavan – Djavanear: 50 Anos. Só Sucessos
- Data: Sábado, 24 de outubro
- Local: Hangar Centro de Convenções, em Belém
- Abertura dos portões: 17h
- Show: 21h
- Ingressos: À venda pelo site da Ticketmaster.

