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CINEMA

‘A Odisseia’ estreia nos cinemas cercada de expectativa e debates sobre adaptação do clássico

Produção reúne nomes como Anne Hathaway, Robert Pattinson, Zendaya e Charlize Theron

Amanda Martins e Abílio Dantas

16 de julho de 2026 às 10:14

Modificado em 16 de julho de 2026 às 10:15

Filme 'A Odisseia'

Filme 'A Odisseia' ( Foto: Divulgação )

Christopher Nolan volta às telonas dos cinemas nesta quinta-feira (16) com um dos lançamentos mais aguardados do ano. "A Odisseia", novo longa do diretor britânico, adapta o poema atribuído a Homero e acompanha a jornada de Odisseu, interpretada por Matt Damon, em sua tentativa de retorno para casa após a Guerra de Troia. A produção reúne nomes como Anne Hathaway, Robert Pattinson, Charlize Theron, Zendaya, Elliot Page, Lupita Nyong'o e Travis Scott.

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Para o colunista do Grupo Liberal, comentarista de cinema e membro da Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine) e da Associação de Críticos de Cinema do Pará, Ismaelino Pinto, a expectativa em torno do longa acompanha o histórico das produções de Nolan. “É aquele filme que provoca um burburinho sobre o que vamos ver, o que vamos encontrar e como será essa experiência”, afirma.

Segundo o crítico, parte dessa expectativa também está ligada à proposta visual do diretor. Ismaelino chama atenção para a escolha de Nolan de filmar em cenários naturais, em vez de depender majoritariamente de ambientes criados por computação gráfica.

Ismaelino Pinto (Divulgação)
Ismaelino Pinto (Divulgação)

"Hoje vemos muitos filmes feitos em fundos verdes e cenários digitais. O diretor nos convida a viajar por cenários reais. Essa é uma das grandes magias do cinema. Assistir a um filme como esse em IMAX seria uma experiência ainda mais completa", diz, ao lembrar que Belém ainda não possui uma sala equipada com esse formato de exibição.

Antes mesmo da estreia, porém, o filme passou a ocupar espaço nas redes sociais por causa das escolhas criativas do cineasta. Entre os assuntos mais comentados estão a figura, possíveis anacronismos, além da escalada de Lupita Nyong'o como Helena de Troia e Clitemnestra. Parte das críticas questionou a escolha por considerar que Helena deveria ter uma representação física específica, embora o poema não apresente uma descrição detalhada da personagem.

Na avaliação de Ismaelino, discutindo esse tipo costuma acompanhar adaptações de obras clássicas. Para ele, a combinação entre um texto conhecido da literatura, um diretor consagrado e um elenco formado por grandes estrelas amplia o interesse do público e gera diferentes interpretações antes mesmo da estreia.

"A arte é livre. Claro que existe uma obra original que merece respeito, mas toda adaptação também é a leitura de um diretor, de um roteirista e de uma equipe criativa. O cinema permite essas diferentes visões sem necessariamente apagar a essência da história", explica.

A crítica afirma que esse entendimento também se aplica às escolhas do elenco. Para ele, a discussão em torno de Nyong'o evidencia uma expectativa de parte do público por uma representação considerada tradicional, mas não necessariamente sustentada pelo próprio texto clássico.

"As pessoas perguntam se Helena de Troia poderia ser interpretada por uma atriz negra. Claro que pode. Como poderia ser interpretada por uma atriz loira, ruiva ou morena. O importante é que o ator consiga dirigir essa viagem junto com o espectador", diz.

Ismaelino ressalta ainda que a repercussão antes da estreia revela mudanças na forma como o público acompanha os lançamentos. "O espectador é convidado a viajar pela visão de outros artistas. Antes de julgar uma obra, é preciso aceitar esse convite e entrar na história que está sendo contada", afirma o colunista.

Para Vitor Búrigo, crítico de cinema do site CINEVITOR e também membro da Abraccine, que já assistiu à produção, afirma que é o caráter espetacular do filme é, de fato, inegável.

“É um flme grandioso. Não tem como assistir e não ficar vidrado com aquilo que está sendo mostrado pra gente. É muito comum serem criadas expectativas por um filme de Nolan porque ele nunca faz que passa batido. Os filmes dele têm sempre grandes efeitos, grandes acontecimentos. Vindo da adaptação de um clássico, de uma história já tão conhecida, a gente espera ainda mais por saber da estética megalomaníaca do diretor e, consequentemente, por ter a curiosidade de saber como ele fará essa adaptação. Visualmente, é um filme impressionante, rodado em formato IMAX (tecnologia de projeção de filmes conhecida em tela gigante, altíssima resolução e som imersiva). Tive a oportunidade de ver também nesse formato”, relata o crítico.

Vitor Búrigo, crítico de cinema do site CINEVITOR
Vitor Búrigo, crítico de cinema do site CINEVITOR (Arquivo pessoal)

Sobre as discussões e opiniões sobre as expectativas em torno do filme, Vítor ressalta que, no caso de uma adaptação, o estilo do diretor é sempre o fator determinante.

“Cada diretor tem sua marca registrada. Quando ele se propõe a fazer uma adaptação, com certeza ele já tem muitas ideias na cabeça dele, então ele vai criar uma narrativa em cima da criatividade dele, da vontade dele, de como ele imagina o universo da obra. No caso da Odisseia, ele faz um trabalho excelente, principalmente no quesito de caracterização, nas paisagens bonitas, no uso de locações reais e no elenco muito talentoso, com tantos nomes grandes de Hollywood. Nolan é um diretor muito criativo, muito inventivo, que consegue dar um visual muito impressionante para que suas obras sejam adequadas ou não”, elogia.