Calvin Harris transforma Rock in Rio em grande balada que terminou mais cedo para alguns
Essa é a segunda passagem do DJ pelo Brasil neste ano
O DJ escocês Calvin Harris fez sua estreia no Rock in Rio na noite do domingo, 6. Headliner do Palco Mundo, Harris encontrou um público ainda disposto, depois de um dia de chuva persistente e frio de 17 graus no Rio de Janeiro.
Essa é a segunda passagem do DJ pelo Brasil neste ano. Harris esteve no carnaval de São Paulo. Patrocinado por uma cervejaria, ele tocou em cima de um trio, na Rua da Consolação, vestindo uma camiseta da seleção brasileira de futebol. A presença do DJ na folia paulistana causou tumulto e empurra-empurra e atrasou a saída do bloco Acadêmicos do Baixo Augusta, gerando protestos dos organizadores do mais famoso bloco da cidade.
No Rock in Rio encontrou um ambiente mais bem controlado. Com grandes poças de água em vários pontos, a Cidade do Rock virou uma grande balada. Se é pertinente um DJ ser a grande atração de um festival marcado, ao longo de mais de 40 anos, por grandes performances de cantores e músicos, é outro papo.
A verdade é que o grandalhão Harris - ele mede quase 2 metros de altura - tem hits e carisma suficientes para encerrar um dia que já tinha visto grandes performances, também com caráter de festa, de atrações como Black Eyed Peas e Ne-Yo.
O segredo de um grande DJ é selecionar músicas que empolguem seu público em momentos-chave de sua apresentação - além de reciclá-las de tempos em tempos. Harris tem muitos desses trunfos. Alguns deles: Feel So Close, Summer, How Deep Is Your Love e We Found Love, com a voz de Rihanna.
Ingressos esgotados em duas horas
Harris também está na cota de esforço que o Rock in Rio tem feito na última década para diversificar seu público e atrair cada vez mais marcas para sua imensa arena a cada dois anos. Muitos gostam; outros dizem que o festival não é mais o mesmo. O que importa, para os organizadores, é a reação do público que compra ingresso. Para este domingo de Harris, a venda se esgotou em duas horas.
Passe livre para o DJ. Mas tudo com parcimônia. Com uma hora de apresentação, já era possível ver uma grande parcela do público deixando a Cidade do Rock. Perderam os fogos, que já viraram clichê no festival, encerrando-o com o cover de Levels, de Avicii, aos 90 minutos.
Um ponto negativo foi a forma como Harris explorou o imenso telão do Palco Mundo, uma novidade no festival neste ano - e cada artista o tem usado com maior ou menor criatividade. O DJ, na maior parte do tempo, apenas projetou sua imagem ou a do público. Na parte de cima, a inscrição Rock in Rio ficou fixa o tempo todo. Foi, de fato, a balada do festival.
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