Depois que temos posse dos nomes dos participantes da lista do Big Brother Brasil 22 e vemos os vídeos de apresentação deles, o público começa a stalkear a pessoa e ir em busca do seu passado.
Algumas pessoas, de cara, já conseguem se enxergar naquele participantes, outras precisam de mais tempo para achar o seu escolhido. Se identificar através de características, posicionamentos sociais ou até mesmo local de nascimento, são alguns dos requisitos que deixam o telespectador mais próximo do programa, é a tal da “representatividade”.
Este ano não temos no reality representante do Norte, temos apenas dois nordestinos, mas uma quantidade maior de negros e representantes da comunidade LGBTQI+.
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“Como telespectadora, fã e nortista, sempre lamentarei a ausência de representantes da nossa região na mídia. Então, sinto falta que em mais uma edição não estejamos presentes. Ao mesmo tempo, fico feliz por nossos irmãos do Nordeste e precisamos que cada vez mais ocupemos esses espaços com a nossa voz, nossas linguagens, sotaques e culturas. BBB, já passou da hora de acabar com a invisibilidade”, avaliou a publicitária Suzana Magalhães.
A telespectadora leva os debates e as reflexões do BBB para as suas redes sociais. Promovendo bate papo entre os seus seguidores, ela consegue sempre fazer uma análise do programa em relação a essa representatividade.
“Todo representante tem uma importância e uma responsabilidade de comunicação. Por isso, quando temos a representatividade garantimos que uma pluralidade de modos de ser possa se comunicar e seja mostrada à sociedade. Por exemplo, ter alguém como Linn da Quebrada em um dos maiores programas da TV brasileira possibilita com que um garoto que está descobrindo a sua sexualidade possa se identificar, se compreender, se aceitar e até quem sabe encontrar um apoio para se expressar. A pluralidade é a base da democracia e com ela podemos dizer que somos diferentes e que devemos nos respeitar nas nossas diferenças”, analisou.
“Particularmente como mulher, me identifiquei de cara com a Jessilane. Uma mulher divertida, alto astral, que tem cara de que vai se jogar no programa. Eu sou exatamente assim e acho que só sairia de lá se o Boninho me tirasse arrastada. Além de tudo, ela é professora também e é uma profissão muito nobre, que conquista meu coração”, acrescentou.
Suzana já encontrou entre os participantes o seu TOP 3, e antes mesmo de começar a edição, ela já consegue identificar as qualidades dos brothers.
“Eu espero que possam trazer temas importantes em particular para a política, principalmente no ano em que estamos, ano de eleições. Que eles tragam a temática do voto, da importância de se pesquisar antes os candidatos e suas propostas. Que eles tragam também o tema da vacinação, da pandemia, e dos cuidados essenciais à saúde. Meus preferidos são: Jessilane, curioso como não divulgaram o seu sobrenome, isso diz muito como a mulher negra é representada na mídia. Minha torcida é dela em 1º lugar porque gosto de torcer por pessoas da Pipoca; Linn da Quebrada, mulher trans, talentosíssima, tem muito a dizer nesse BBB sobre a população LGBTQIA+, tão visibilizada e violentada em nossa sociedade; e Douglas Silva, ator brilhante, representante máximo do nosso cinema, premiado nos maiores festivais de Cinema. Tem meu respeito e torcida”, finalizou.
Assim como Suzana, a pesquisadora e professora Adriana Simões promove reflexões sobre o BBB. “O programa é amado por uns, odiados por outros e está tudo bem. Mas não se pode negar a importância dos debates que emergem a partir do reality e que funciona muito bem como um experimento social”, avaliou.
A telespectadora lamenta a ausência de pessoas da Região Norte, principalmente, porque é a lacuna que fica entre as edições. Das 22 edições, apenas 5 tiveram participantes do Norte.
“Parece que sempre existe esse apagamento da população daqui e com certeza essa é uma crítica que precisa ser feita, mas para além disso, o BBB nos possibilita outras reflexões e debates: a presença de mais pessoas negras na casa, a entrada de uma participante trans, a segunda a participar de um reality show, estamos falando da maior emissora do Brasil e a segunda maior do mundo, não é por acaso que os participantes sejam representados nas suas mais diversas formas, é justamente para gerar esse debate aqui fora, para desperta na população esse senso de que representativa é importante, mas para além disso, que as pessoas não são homogêneas, não pensam todas iguais, não defendem as mesmas causas e é preciso proporcionalidade”, acrescentou Adriana.