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Autora indígena lança livros de poesias

Márcia Kambeba participa de um sarau literário no Sesc Ver-o-Peso nesta terça-feira

Enize Vidigal

A escritora indígena Márcia Kambeba lança a nova edição do livro de poesias "Ay Kakyri Tama" (que significa em tupi 'Eu vivo na cidade'), de 2013, e também lança o novo livro "O Lugar do Saber", também do gênero poético. Márcia pertence à etnia Kambeba do Alto Rio Solimões, no Amazonas. Ela nasceu na aldeia Tipuna, na cidade de Belém do Solimões, e vive no Pará desde 2011.

Formada em Geografia com especialização em Educação Ambiental e mestrado em Geografia Cultural, ela tornou-se fotógrafa e passou a escrever sobre os povos indígenas, notadamente o preconceito, a realidade da mulher indígena e valorização da cultura e da identidade indígena, além da natureza e da preservação ambiental. O lançamento será nesta terça-feira, 12, no Centro de Cultura e Turismo Sesc Ver-o-Peso (antigo Sesc Boulevard), a partir das 19 horas.

Como escritora, Márcia Kambeba tem tido participações em coletâneas de outros autores. Ela também canta e compõe músicas em tupi. Em 2018, participou do programa "Encontro com a Fátima Bernardes", da Globo, no qual falou sobre a nova mulher indígena, a cultura e a literatura indígena.

No mesmo ano, foi convidada a participar do encontro internacional de poetas indígenas, no Chile, e, em seguida, publicou fotos e texto sobre a causa indígena brasileira na Adriana Chiari Magazine, de Londres. Ela se prepara para fazer uma exposição de fotografias sobre a rotina das tribos indígenas em Bruxelas.

"São livros de poesia indígena de cunho decolonial e de resistência", descreve a autora. Em "Ay Kakyri Tama", a escritora traz uma edição revisada com novas fotografias autorais, nova capa e a inclusão de 11 novos poemas, pela editora Pólen. Os poemas falam sobre a realidade do indígena que decide viver nos centros urbanos.

"A gente não nega que mora na cidade, mas não perde as origens, a cara de aldeia, que é a nossa identidade. A gente ouve muito que índio tem que viver na mata e andar nu, numa visão atrasada. Eu venho desmistificando isso nos meus poemas", explica.

As fotografias inclusas nessa nova edição de Ay Kakyri Tama dialogam com os poemas mostrando a vivência de uma aldeia indígena, com o índio mais velho contando histórias para as crianças sentadas ao redor dele e as mulheres dançando. Entre os novos poemas está "Índio eu não sou", que tem sido usado nas escolas pelos professores de História. "A gente não é uma caricatura ou folclore, a gente é um povo".

Já "O Lugar do Saber" é um livro inédito também de poesias indígenas que falam do território, do rio, das lendas sobre os seres encantados da floresta e que também apresenta uma homenagem ao Pará, estado que adotou como residência. "Vivi na aldeia (no Amazonas) somente até os meus 9 anos de idade. Cresci na cidade São Paulo de Olivença e me mudeu para Tabatinga, na fronteira com a Colômbia, e depois Manaus para estudar. Fui para Belém em 2011, onde morei até 2014, e depois me mudei para Castanhal, onde estou residindo até hoje". 

Serviço:

Lançamento dos livros  "Ay Kakyri Tama" e  "O Lugar do Saber", de Márcia Kambeba
Data: Terça-feira, 12/03, às 19 horas
Local: Centro de Cultura e Turismo Sesc Ver-o-Peso (Boulevard Castilhos França, 522/523, Campina)
Preço dos exemplares: R$ 30 (Ay Kakyri Tama) e R$ 20 (O Lugar do Saber).

Palavras-chave

Cultura
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