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Arte Pará 2022: cerimônia anuncia premiados da 40ª edição

20 trabalhos foram selecionados entre a categoria da Mostra Nacional e a categoria de Fomento à Produção de artistas emergentes da Amazônia Legal

Bruna Lima

A noite de abertura do Arte Pará 2022 anunciou os premiados da edição de 40 anos durante cerimônia, nesta quinta-feira (22), na Casa das Onze Janelas. As obras foram julgadas por Daniela Lins, Orlando Maneschy, Sanchris Santos e Paulo Herkenhoff. O júri avaliou os trabalhos dos 20 artistas selecionados entre a categoria da Mostra Nacional e a categoria de Fomento à Produção de artistas emergentes da Amazônia Legal.

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"É com alegria que a Fundação Romulo Maiorana apresenta a 40ª edição do projeto, que segue resistindo com o propósito de promover arte e educação", destacou Roberta Maiorana, curadora-adjunta do Arte Pará, na abertura do evento.

Além da premiação em dinheiro, esse ano o Arte Pará também premiou os artistas com bolsas de residência. (Cristino Martins / O Liberal)

Os três artistas premiados da categoria Mostra Nacional foram Rafael Matheus, Paula Sampaio e Pavuna Kid. Os vencedores da categoria Fomento foram Gabriel Bicho e Maurício Igor. Cada artista vai receber o valor de R$ 10 mil. 

Além da premiação em dinheiro, esse ano o Arte Pará também premiou os artistas com bolsas de residência. O goiano Hal Wildson, da categoria Mostra Nacional, foi contemplado com a bolsa Inclusartiz, que garantirá um período no Rio de Janeiro, com o acompanhamento da equipe de curadoria do instituto, para o desenvolvimento de seu projeto. Um dos principais objetivos do Instituto Inclusartiz é apoiar a produção de artistas fora do eixo Rio-São Paulo.

Já na categoria Fomento à Produção de Artistas Emergentes da Amazônia Legal, o paraense PV Dias foi contemplado com o prêmio de residência do Pivô Pesquisa, que também assegura um acompanhamento curatorial por um período, de forma presencial, na sede da instituição localizada do Edifício Copan, no centro de São Paulo.

Para Paulo Herkenhoff, curador geral do Arte Pará, essa edição é importante pelas pautas colocadas pelos artistas. "Essa edição marca a ideia de um salão de que todos estão de mãos dadas. É um salão de militância e que retrata assuntos atuais".

Durante o pronunciamento, o Secretário de Cultura Bruno Chagas, falou da importância de sediar o espaço da Casa das Onze Janelas para um projeto de arte consolidado como o Arte Pará. "A gente fica muito feliz em contribuir com um projeto que já tem uma tradição de 40 anos", ressalta.

João de Deus Lobato, Executivo de Comunicação e Marketing da Equatorial Pará, diz que a empresa sempre teve vontade de contribuir com o Arte Pará, por ser um projeto renomado no Brasil, mas esse ano conseguiu estabelecer a parceria e espera que seja duradoura. "A intenção é que a gente possa intensificar e agregar a nossa marca com esse tão importante evento para o Pará", pontuou o executivo.

Para o Reitor do Centro Integrado Fibra, Vicente Noronha, a edição de 40 anos do Arte Pará é significativa não só para o estado, mas para toda a região amazônica e para o Brasil. "Para nós é muito importante investir na arte, na educação e na cultura e levar para todos os cantos do país. É um prazer enorme e almejamos que esse projeto se perpetue, para que possamos caminhar de mãos dadas para o bem de toda a coletividade".

Hugo Barreto, diretor-presidente do Instituto Cultural Vale, diz que a intenção do instituto é de fortalecer iniciativas irradiadoras da dimensão de arte e cultura como o Arte Pará, que já tem 40 anos de tradição. “A gente se junta a essa edição de 40 anos, por ser um momento muito especial e de celebração de mulheres na arte”, pontua Barreto.

Os premiados

Paula Sampaio é mineira, mas já mora no Pará há 40 anos e durante essa temporada vem trilhando no fotojornalismo com vários trabalhos que tratam sobre questões de denúncias e debates sociais relacionados com a Amazônia.
 
Para esta edição do Arte Pará, a fotógrafa apresentou o projeto “Sob a pele, ossos da memória”, que vem se construindo nos últimos cinco anos. O ponto de partida foi a descoberta de que estava perdendo seus negativos. Pois um dia, ao abrir o arquivo onde guarda o acervo formado ao longo de mais de 30 anos de documentação fotográfica na Amazônia, percebeu que eles estavam se deteriorando.
 
O acondicionamento inadequado e as condições climáticas da região Norte agiram de forma devastadora e uma parte dessa memória avinagrou, se retorceu, gerando uma outra pele para essas imagens, muitas nunca reveladas.  
 
"Essa proposta que estou compartilhando foi um desafio sentimental para mim porque trata das minhas perdas, da parte afetada do meu arquivo que está irremediavelmente em combustão. Então, 'Sob a pele, ossos da memória' é resultado dessas releituras que venho fazendo sobre tudo que parece ter chegado ao fim. E também é um chamado, para pensarmos em como estamos perdendo as nossas histórias", destaca a fotógrafa.


Pavuna kid, persona de Theuse Luz, artista visual carioca não binária, que realiza trabalhos diversos, mas atualmente vem se dedicando na união entre performance e audiovisual como forma de questionar gênero e cidade, ganhou o Arte Pará com o videoarte chamado "QUEM TEM CORAGEM?", feito em 2020, e foi a primeira vez que experimentou atuar na direção geral no audiovisual.

A paraense Rafa Moreira ganhou o prêmio com a performance "Encantarias Idílicas". O trabalho conta com a participação do multiartista Allyster Fagundes. Em Encantarias Idílicas, a artista utiliza de elementos do folclore brasileiro como forma de inserir o corpo drag, o corpo trans, o corpo travesti e LGBTQIA+ neste imaginário coletivo.

"Eu vim de escola pública e a minha relação com o Arte Pará surge na época de escola, quando a gente fazia algumas atividades e realizava as visitas. E, hoje, ser premiada tem um significado muito importante", destaca a artista.

PV Dias foi selecionado nesta edição do Arte Pará com 13 trabalhos e uma das séries foi “Rasurando Fidanza”, na qual ele desenha em cima das fotos do fotógrafo português Fidanza, que viveu no Pará no final do século XIX, e fez uma gigantesca série de registros de pessoas e paisagens do Pará.

"Essa edição marca a ideia de um salão de que todos estão de mãos dadas. É um salão de militância e que retrata assuntos atuais"

O artista goiano Hal Wildson inscreveu três trabalhos e teve os três selecionados. Um deles é o estandarte “Teko Porã e Ubuntu”, feito de bordado sobre cetim, inspirado em um cartaz do acervo do Arquivo Nacional do Brasil, de 1888, produzido por uma fábrica de tecidos em que mostra um cidadão branco e um cidadão negro se cumprimentando com uma flâmula da Bandeira do Império do Brasil, comemorando o fim da escravidão do Brasil.

O Projeto Arte Pará 2022 é apresentado pelo Instituto Cultural Vale, com patrocínio do Centro Universitário Fibra e do grupo Equatorial Energia e com apoio institucional dos Institutos Inclusartiz e Pivô Arte e Pesquisa e do Governo do Estado do Pará, por meio da Secretaria de Cultura (Secult). O Arte Pará é uma realização da Fundação Romulo Maiorana.

 

Palavras-chave

Cultura
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