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Reggae em Belém celebra a luta das mulheres no mundo

A partir das 15h deste sábado (14), integrantes da Cultura Reggae se reúnem em homenagem ao Dia Internacional da Mulher e debater rumos da luta feminina

Eduardo Rocha

A luta das mulheres, em especial, mulheres negras, pelo respeito a seus direitos no mundo ganha eco em Belém neste sábado (14), quando a partir das 15h a Associação Paraense da Cultura Reggae (APCREGGAE) promove uma roda de conversa em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março. O encontro ocorrerá na sede da entidade, na avenida Senador Lemos, 4097, no bairro da Sacramenta. com entrada gratuita. Nesse evento, será lançado oficialmente o tema do 29º Festival Tributo a Bob Marley 2026: "Quando as mulheres são respeitadas, o mundo respira justiça". Como destacam os organizadores, essa proposta reforça o chamado à justiça climática, à equidade de gênero e ao fim das violências contra as mulheres e a valorização do protagonismo feminino na cultura.

A roda de conversa vai contar com a participação de representantes atuantes na área cultural e lideranças engajadas nas pautas de direitos das mulheres. A iniciativa tem apoio do Núcleo de Prevenção e Enfrentamento à Violência de Gênero da Defensoria Pública do Estado do Pará (Nugem).

A primeira roda de conversa será realizada a partir das 16h sobre o tema "Mulheres na Cultura Reggae: A Voz que Resiste". Servirá para uma abordagem da trajetória e contribuição feminina dentro do movimento reggae. Com o tema "Violência de Gênero: O Reggae como Bandeira de Luta", a segunda roda de conversa começará às 18h e servirá para o diálogo sobre estratégias de conscientização e transformação social por meio da cultura.

Presidente da APCREGGAE, o DJ Vitor Pedra destaca que a relação entre as mulheres e o reggae em Belém do Pará é marcada por protagonismo, resistência e contribuição histórica para a difusão dessa cultura na Amazônia. "Diversas mulheres tiveram e continuam tendo papel fundamental na consolidação do movimento reggae na cidade.
Um dos grandes exemplos é Bebel Chaves, considerada a primeira radialista responsável pela difusão do reggae no Brasil. Há mais de 34 anos, ela contribui para a valorização do gênero e atualmente apresenta o programa 'Aparelhagem Reggae' na Rádio Unama, transmitido todos os sábados das 13h às 14h", destaca.

Além da comunicação, mulheres também lideram importantes iniciativas sociais dentro do movimento reggae, como ressalta Vitor. Ele destaca que grupos como Ladys do Reggae e Grupo União Solidária promovem eventos solidários e ações comunitárias que fortalecem a cultura reggae e a solidariedade nas periferias.

"Outra referência importante foi Socia Soares, uma das primeiras mulheres colecionadoras de discos de vinil do gênero, que contribuiu significativamente para a propagação do reggae no Brasil. Nas pistas de dança, as mulheres também ocupam espaço de destaque, com DJs como DJ Cleide Roots e Carol C, além de diversas cantoras que integram bandas locais e fortalecem a presença feminina no cenário musical.

"O reggae sempre esteve profundamente ligado às lutas por justiça social, igualdade e libertação, tornando-se também um importante instrumento de fortalecimento da luta das mulheres, especialmente das mulheres negras. Ao longo da história do gênero, diversas artistas tiveram papel fundamental nessa construção, com destaque para Rita Marley, Barbara Jones, Marcia Griffiths entre outras. No Brasil, artistas como Célia Sampaio e Marina Peralta utilizam a música como ferramenta de consciência e transformação social", assinala Vitor Pedra.

Como repassa Vitor Pedra, o 29º Festival Tributo a Bob Marley 2026 será realizado em 17 de maio de 2026, em Belém, mediante uma construção coletiva. Está sendo organizado um bingo em prol desse festival a ser realizado em 18 de abril no Point Beer, em Icoaraci. O Dia Nacional do Reggae é celebrado em 11 de maio, desde 2012, em homenagem ao legado de Bob Marley. O evento deverá ocorrer no espaço Ver-o-Rio.