Pinduca fala ao 'Mangueirosamente' sobre conquistas em 75 anos de música
O Rei do Carimbó conta ao apresentador Ismaelino Pinto sobre a carreira, o preconceito que sofreu ao cantar essa música e outros fatos de uma trajetória singular na música paraense
Com certeza, ele nunca pensou que um dia seria uma referência musical do Pará, com uma carreira consolidada ao longo de 75 anos de envolvimento com a música. Mas, o cantor e compositor Pinduca, o Rei do Carimbó, é mesmo essa referência, anima qualquer festa e não perde a chance de mostrar o que o Pará tem para quem visita o estado ou vai ao encontro de públicos em outros pontos do país e no exterior. Por isso, o jornalista Ismaelino Pinto recebe Pinduca no videocast “Mangueirosamente” desta sexta-feira (6). O público vai poder conferir como foi esse bate-papo em detalhes a partir das 19h no Portal OLiberal.com e no Canal O Liberal no YouTube
No programa, esse artista conta como surgiu esse nome artístico para Aurino Quirino Gonçalves. Ele havia dançado quadrilha junina e se colocou na aba do chapéu dele o nome Pinduca para identificá-lo. No município de Igarapé-Miri, onde ele nasceu em 4 de junho de 1937, metade da população já o conhecia por esse apelido. Já em Belém, ele resolveu registrar o nome. Agora, chama-se Aurino Pinduca Quirino Gonçalves.
Pinduca conta que quando garoto o pai dele (José Plácido Gonçalves) era professor de música e o ensinava sobre o assunto. Mas o menino queria mesmo era jogar bola com a molecada. Até que um dia um irmão dele (Pio), baterista de uma orquestra que na época era chamada de jazz (com a pronúncia de jazzi, em referência ao termo norte-americano ‘jazz’), fez um convite a Pinduca que mudou a sua vida.
Era para ele ir tocar com o grupo na Vila Maiuatá, na Festividade de São Sebastião. O irmão o levou para tocar em uma junção da Orquestra de Abaetetuba/Jazz Brasil, e o Jazz Igarapé-Miri, ou seja, dois grupos em um só como novidade na ocasião. Pinduca tinha, então, 13 anos de idade. Quando chegou lá, os músicos viram o menino (Pinduca tocava pandeiro) e disseram que ele não ia dar conta do recado, dada a disputa entre os grupos/diretorias.
No dia da festa, o Jazz Brasil, de Abaetetuba, e o Jazz de Igarapé-Miri foram fazer a Alvorada na Vila Maiuatá - Alvorada é quando a orquestra vai para o coreto da praça central e toca logo cedo, por volta das 4 ou 5 horas até as 6h, para anunciar que a festa do santo padroeiro começou.
“Quando tocou o Mambo nº8, eu peguei duas maracas e comecei a dançar. Rapaz, foi um corre-corre. Pessoal nunca tinha visto um músico dançando, tocando. Quando a música parou, foi aquela festa. Eu tenho dito para as pessoas que naquela hora o Michael Jackson era fichinha para mim”, brinca Pinduca.
Em sequência, do pandeiro, Pinduca passou a tocar bongô. O maestro Agenor, da orquestra de Abaetetuba, foi até a casa do pai do jovenzinho pedir para Pinduca ir morar nesse município a fim de ser músico da banda dele. Pinduca foi e fez sucesso na banda Virgem da Conceição e na Orquestra Brasil.
Mas, o jovem Pinduca queria ser soldado e veio, depois de dois anos em Abaetetuba, se alistar no Exército em Belém. Pinduca aprendeu a tocar bateria e ao se apresentar no Café Glória, reduto dos músicos da época em Belém, um dia o célebre músico Orlando Pereira o convidou para ser baterista na orquestra dele.
“Eu fui lá nas nuvens” relembra Pinduca. No grupo, Pinduca trocava de lugar com o pandeirista Paulo e, então, cantava músicas do Jackson do Pandeiro. “E daí eu fui me acostumando a cantar”, destaca.
Carimbó
Certa vez, ele foi até Igarapé-Miri e viu o pessoal bem animado no salão ao som do carimbó e passou, então, a cantar esse gênero musical que é a cara do Pará. Agora, já à frente de um conjunto musical. No começo, quando ele anunciou em Belém que ia tocar um carimbó, chegou a ser vaiado. Só que das vaias, o carimbó com Pinduca depois chegou à Banda Sayonara, de Luciano Bastos.
Em festa de 15 anos, Pinduca teve de cantar o carimbó no salão a pedido do pai da aniversariante que antes havia solicitado para que o artista não tocasse esse ritmo. Esse artista conta no vídeocast ainda sobre o sucesso no Carnaval do Pará, sobre como se apresentou pela primeira vez na Assembleia Paraense a convite de Ronaldo Maiorana (presidente executivo do Grupo Liberal).
Ele também lembra que contou também com a parceria de Romulo Maiorana (idealizador e fundador do Grupo Liberal) no Iate Clube do Pará, o caso da Banda vinda do Rio e a divulgação de seu trabalho nas rádios paralelamente com o fenômeno Secos & Molhados e muito mais histórias da carreira desse nome musical paraense. O público confere tudo no “Mangueirosamente” nesta sexta (6) às 19h Portal O Liberal.com e no canal O Liberal no YouTube.
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