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Barco Regatão - Tapajós: quando a cultura corre pelo rio

A partir desta sexta (19) até 1º de julho, embarcação do Pontão de Cultura Instituto Regatão Amazônia percorrerá comunidades ribeirinhas com oficinas, cineclube, exposição fotográfica e outras atrações culturais

Eduardo Rocha

Uma experiência imersiva nos rios da cultura vai começar a partir desta sexta-feira (19) em uma das regiões mais simbólicas da Amazônia. Trata-se da terceira edição do Barco Regatão - Tapajós: Corredor de Culturas Vivas, que ocorrerá entre os dias 19 deste mês de junho e 1º de julho. Essa estratégia para viabilizar encontros, circulação de saberes e fortalecimento comunitário é uma iniciativa do Pontão de Cultura Instituto Regatão Amazônia. O Regatão percorrerá comunidades ribeirinhas da região, promovendo atividades culturais, processos formativos, ações de salvaguarda da memória, comunicação territorial e intercâmbio de saberes.

O projeto é inspirado na figura histórica do regatão, personagem que navegava pelos rios amazônicos, conectando comunidades por meio das trocas e da circulação de produtos. Como repassa a coordenação do projeto, a ação ressignifica essa tradição e transforma a embarcação em um espaço de circulação cultural, escuta e fortalecimento das culturas vivas de base comunitária.

A propostas dos produtores culturais não é levar respostas prontas aos territórios, mas, sim, criar espaços de encontro, escuta e troca de conhecimentos entre diferentes gerações. Esse processo objetiva o reconhecimento e a valorização dos saberes construídos por quem vive diariamente às margens dos rios amazônicos. Essa construção envolve comunidades ribeirinhas, indígenas e quilombolas que estão no cerne da cultura e da história do bioma amazônico. Esses cidadãos terem os seus saberes valorizados é estrutural para a perpetuação da cultura e a preservação do meio ambiente na região, dado que essa ancestralidade está relacionada de forma umbilical com os recursos naturais da região.

Travessia

A coordenação do projeto informa que a travessia começa nesta sexta-feira (19), com saída de Alter do Chão, sede do Instituto, com destino à comunidade Vista Alegre do Capixauã (na Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns, em Santarém e Aveiro), que recebe a primeira programação da jornada, no dia 20. O percurso segue por Suruacá, no dia 22; Surucuá, no dia 24, ambas comunidades na Resex Tapajós-Arapiuns, em Santarém; e Cametá, no dia 26, e culmina em Pinhel, no município de Aveiro'.

Em cada parada serão realizadas oficinas culturais, atividades formativas, ações voltadas às juventudes, sessões do Cineclube Regatão, exposição fotográfica itinerante, atividades do Projeto Afluentes e o pré-lançamento da coletânea Regatão das Amazônias. A etapa final acontece em Pinhel, onde a equipe permanecerá entre os dias 27 e 30 de junho desenvolvendo atividades de integração comunitária, pesquisa de campo e uma programação ampliada do Projeto Afluentes.

Uma atração durante a travessia do Regatão será a tradicional Festa do Gambá, que há 300 anos celebra a tradição da Festa de São Benedito na Comunidade de Aveiro, margem direita do Tapajós. Cerca de 30 pessoas entre fazedores de cultura, pesquisadores, comunicadores, educadores, artistas, voluntários e equipe técnica, participam desse percurso. A expectativa é envolver aproximadamente 40 participantes em cada atividade formativa realizada nas comunidades.

No território

"Quando falamos em Tapajós: Corredor de Culturas Vivas, estamos dizendo que o rio não é apenas um caminho geográfico. Ele é um corredor de memórias, saberes, pessoas e culturas que seguem vivas nas comunidades. A dança, a música, a oralidade, a pesca e as formas de organização comunitária também fazem parte da riqueza deste território. Essa é uma reflexão que vem sendo construída pelo projeto desde sua primeira travessia, em 2024", destaca  Marlena Soares, diretora executiva e cofundadora do Instituto Regatão Amazônia.

O Cineclube Regatão é uma das atividades mais aguardadas entre as comunidades. Essa ação busca reunir crianças, jovens, adultos e idosos em sessões coletivas de cinema. Em algumas localidades, muitos moradores nunca tiveram a oportunidade de assistir a um filme em uma tela de projeção, transformando a atividade em um momento de encontro, convivência e acesso à produção audiovisual, como pontua a coordenação do evento.

Outra atração é o “Museu de Memórias Vivas”, uma a exposição fotográfica construída de forma coletiva a partir dos registros das oficinas de comunicação e cultura realizadas com recursos públicos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), por meio do edital de Pontões de Cultura. A programação inclui ainda o pré-lançamento da coletânea "Regatão das Amazônias", publicação que reúne reflexões, experiências e memórias absorvidas ao longo da trajetória da organização e que serão compartilhadas com as comunidades para fortalecer seus agentes culturais.

O Instituto Regatão Amazônia entende que a cultura não deve ser compreendida apenas como expressão artística, mas como uma tecnologia social capaz de fortalecer vínculos comunitários, transmitir conhecimentos entre gerações e contribuir para a permanência das populações em seus territórios. Nesse sentido, reitera que fortalecer culturas vivas também significa fortalecer as pessoas que ajudam a proteger a Amazônia todos os dias.

Serviço

Barco Regatão – Tapajós: Corredor de Culturas Vivas

Saída de Alter do Chão em 19 de junho e retorno no dia 1º de julho de 2026

Comunidades visitadas

  • Vista Alegre do Capixauã – 20/06
  • Suruacá – 22/06
  • Surucuá – 24/06
  • Cametá – 26/06
  • Pinhel – 27 a 30/06