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No Rio, 2ª noite de desfiles celebra Rita Lee, candomblé, Mestre Ciça e Carolina Maria de Jesus

Mocidade, Beija-Flor, Viradouro e Unidos da Tijuca apresentaram enredos marcantes na Marquês de Sapucaí

Estadão Conteúdo

A segunda noite de desfiles do Grupo Especial do Rio agitou a Marquês de Sapucaí na segunda-feira, dia 16. Quatro escolas de samba apresentaram seus enredos, emocionando o público com grandes homenagens.

A Mocidade Independente de Padre Miguel iniciou a noite com um samba-enredo dedicado à cantora Rita Lee, falecida em 2023. Em seguida, a Beija-Flor de Nilópolis celebrou o candomblé e a ancestralidade com seu enredo "Bembé".

Já na madrugada de terça-feira, dia 17, a Unidos do Viradouro prestou tributo ao Mestre Ciça, sambista que completou 70 anos e 55 de seu primeiro desfile. A Unidos da Tijuca encerrou a noite com uma homenagem à escritora Carolina Maria de Jesus, autora de obras como "Quarto de Despejo".

Mocidade Independente de Padre Miguel homenageia Rita Lee

A Mocidade Independente levantou o público da Sapucaí logo no "esquenta", resgatando sambas que marcaram sua história. O enredo "Rita Lee, a padroeira da liberdade" animou a plateia com o refrão de "Erva Venenosa".

A Verde e Branca fez referências a músicas como "Ovelha Negra" e "Amor e Sexo". Aspectos da personalidade da rainha do rock, como a defesa dos animais, também foram representados. Uma alegoria homenageou o cão Orelha.

Roberto de Carvalho, viúvo da artista, foi destaque no último carro e expressou sua emoção. Ele descreveu a homenagem como "Um tsunami de alegria, beleza, luzes, música" em entrevista à TV Globo.

Hexacampeã do carnaval carioca, a Mocidade não vence desde 2017, quando dividiu o título com a Portela. A escola desfilou com 24 alas, sete carros e 3.500 componentes.

Beija-Flor celebra candomblé e ancestralidade

A Beija-Flor de Nilópolis entrou na avenida com o enredo "Bembé", homenageando o maior candomblé de rua do mundo, de Santo Amaro da Purificação, na Bahia.

A escola usou a estratégia de juntar dois sambas finalistas. O refrão "Isso aqui vai virar macumba!" reforçou a busca pelo posto de favorita e campeã do ano anterior.

Entre as novidades, Jéssica Martin e Nino do Milênio assumiram como puxadores oficiais, substituindo Neguinho da Beija-Flor. Jéssica Martin é a única puxadora feminina do Grupo Especial.

A "Deusa da Passarela", com sede em Nilópolis, acumula 15 títulos no Grupo Especial. O último foi uma homenagem ao mestre Laíla. A escola desfilou com 29 alas, seis carros, um tripé e 3.200 componentes.

Unidos do Viradouro presta tributo a Mestre Ciça

A Unidos do Viradouro celebrou a trajetória de Moacyr da Silva Pinto, o Mestre Ciça, com o enredo "Pra Cima, Ciça!". A escola narrou a história do músico desde a Estácio de Sá até hoje.

A atriz Juliana Paes retornou como rainha da bateria após 17 anos e expressou sua gratidão pela homenagem. Tarcísio Zanon assinou o projeto, e Wander Pires interpretou o samba.

O casal Julinho Nascimento e Rute Alves conduziu o pavilhão em um desfile emocionante. A bateria brilhou, com os ritmistas desfilando sobre um carro alegórico e Mestre Ciça à frente.

O carnavalesco Paulo Barros, com passagens por Salgueiro, Unidos da Tijuca e Vila Isabel, também participou como destaque em uma das alegorias. A Viradouro desfilou com 23 alas, seis carros, dois tripés e 2.500 componentes.

Unidos da Tijuca celebra Carolina Maria de Jesus

A Unidos da Tijuca encerrou a segunda noite de desfiles, homenageando a escritora mineira Carolina Maria de Jesus. Ela vivia na favela do Canindé, em São Paulo, nos anos 1950.

Carolina trabalhava como catadora e registrava seu cotidiano em diários. O jornalista Audálio Dantas a descobriu, e o diário foi lançado em 1960 como "Quarto de Despejo: Diário de Uma Favelada".

A obra foi retratada no desfile da Azul e Amarela. A apresentação contou com personalidades como a escritora Conceição Evaristo e a professora Fernanda Felisberto como destaques.

Conceição Evaristo, em entrevista à TV Globo, ressaltou que o desfile mostrava a diversidade da literatura brasileira, com marca social e étnica, classificando a apresentação como "a democratização da literatura".

A escola desfilou com 24 alas, cinco carros alegóricos, dois tripés e 2.100 integrantes.

Último dia de desfiles na Sapucaí

Nesta terça-feira, dia 17, a Marquês de Sapucaí recebe o último dia de desfiles. As escolas Paraíso do Tuiuti, Unidos de Vila Isabel, Acadêmicos do Grande Rio e Acadêmicos do Salgueiro farão suas apresentações.

Os horários de início previstos são: Paraíso do Tuiuti (21h45), Unidos de Vila Isabel (entre 23h20 e 23h30), Acadêmicos do Grande Rio (entre 0h55 e 1h15 da quarta-feira) e Acadêmicos do Salgueiro (entre 2h30 e 3 horas).