Nay Jinknss e Bruno Jungmann mostram em Belém a vida que pulsa em fotos
Exposição ‘A Vida Não É Paisagem’ pode ser Centro Cultural Bienal das Amazônias (CCBA)
Pessoas produzem fotos e fotos falam de pessoas, mesmo que aparentemente somente possam mostrar paisagens, como as da Amazônia. Então, é sempre uma relação entre a arte a vida, vida que produz arte. Esse olhar para uma relação muitas vezes deixada de lado porque se busca registrar apenas paisagens é mostrado em Belém na exposição “A Vida Não É Paisagem”, reunindo trabalhos dos artistas Nay Jinknss (Ananindeua, PA) e Bruno Jungmann (Pernambuco), com a curadoria de Keyna Eleison.
A mostra pode ser conferida no Centro Cultural Bienal das Amazônias (CCBA), no centro da capital paraense. Nay Jinknss destaca que em geral, no caso de imagens da Amazônia, sempre se falar de vários aspectos, como, por exemplo, o equipamento que foi feito, a trajetória do fotógrafo, a estética, a arquitetura, a luz, a fauna, a flora, “mas quase nunca a gente enxerga as pessoas”.
“São as pessoas que sustentam esse lugar, sustentam a cultura, a ancestralidade, como centro das nossas documentações, e que eles possam decidir qual foto melhor representa elas, que são os melhores contadores de história de determinado lugar, para que a gente saiba a história daquele lugar, daquelas pessoas pelo morador”, destaca. “Então, a coisa é muito mais profunda do que só um clique”, completa.
Há anos, Nay tem todo um trabalho artístico na área do Ver-o-Peso, em Belém, e, então, consegue produzir imagens desse principal cartão postal da capital paraense. Nesse processo, destaca a presença de quem trabalha e frequenta diariamente aquele espaço da cidade. “Eu fotografo há anos o Ver-o-Peso, mas quando eu chego lá, eu ainda assim sou estrangeira, né?”. Ela diz que a cultura do sentimento faz com que se adentre a paisagem.
Nay conta que não conhecia o trabalho de Bruno Jungmann. Mas, quando foi apresentada a ele por Keyna Eleison constatou pontos de encontro. Isso porque ele já havia fotografado na região amazônica e ela, em algumas comunidades no sertão, no agreste, na caatinga, como relata Nay.
Mostra no CCBA revela o trabalho de Bruno Jungmann, Keyna Eleison e Nay Jinknss (Foto: Ana Dias)
“Gostei muito do Bruno quando eu conheci ele, eu já tinha, a gente já tinha se encontrado rapidamente no Rio, mas aqui a gente pôde conversar”, diz Nay. Ela ressalta que ao ir fotografar Pernambuco foi cheia de estereótipos, diante de tantos discursos em circulação sobre espaços e suas imagens. E essa artista gostaria de mergulhar ainda mais nos significados das imagens e comunidades em solo pernambucano.
Sempre uma troca
“Cada cidade tem sua particularidade, mas quando você vai encontrando no seu caminho pessoas que te apresentem um outro Pernambuco, não sendo essa que a gente conhece só nas revistas, outros, aí são muitos pernambucos, muitos recifes, muitas comunidades, que vão se distinguindo assim”, pontua Nay.
Ela pôde, então, rever muito do que sabia sobre aqueles aqueles lugares que visitou. No caso, Nay, a companheira dela, Ana Mendes, e o professor de Fotografia, João Ripper. A partir da parceria do Instituto Sabiá, atuante no Cerrado, trabalhando com comunidades tradicionais que vivem da agricultura familiar, Nay conferiu o trabalho de comunidades com jeans e com alimentos, ou seja, aprofundou conhecimentos acerca da vida das comunidades. Essa troca entre os dois artistas (Nay e Bruno) frutificou e os resultados podem ser conferidos na mostra fotográfica em Belém.
A curadora Keyna ressalta: “Longe da imagem exótica ou do registro distanciado, o que se revela é um hábito atravessado por gestos, afetos, crenças e formas coletivas de existir. O que se vê aqui é um cotidiano que pulsa, inventa e se reconhece em seus próprios rituais”. “Mais do que documentar situações, as fotografias reunidas afirmam a vida como relação, como saber sensível e como prática coletiva. Porque aqui, a vida não é paisagem: é presença”, acrescenta.
Além de “A Vida Não É Paisagem”, o CCBA abriga a mostra “Meu Tema Sou Eu”, do artista paraense Emmanuel Nassar (curadoria: Vânia Leal).
O CCBA conta com patrocínio master da Shell e patrocínio da Vale e do Mercado Livre. O apoio institucional é do Instituto Cultural Amazônia do Amanhã, Fadesp, Horus Planejamento e Gestão, com realização via Lei Federal de Incentivo à Cultura – Rouanet.
Serviço:
Exposições ‘A Vida Não É Paisagem’, de
Nay Jinknss e Bruno Jungmann
‘Meu Tema Sou Eu’, de Emmanuel Nassar
Local: Rua Senador Manoel Barata, 400 - Comércio, Belém (PA) - Centro Cultural Bienal das Amazônias (CCBA);
Período: 13 de março a 30 de junho de 2026;
Horário de funcionamento: quartas e quintas das 9h às 17h; sextas e sábados das 10h às 20h; domingos e feriados das 10h às 15h;
Entrada gratuita