Filme 'Mama' vence mostra dedicada a cineastas mulheres no Amazônia FiDoc
Longa de Ana Cristina Benitez une relato pessoal e memória familiar em história sobre doença, afeto e resistência
O longa-metragem equatoriano “Mama”, dirigido por Ana Cristina Benitez, conquistou o principal prêmio da 3ª Mostra As Amazonas do Cinema, na categoria Melhor Longa-Metragem. A premiação foi anunciada na noite do último sábado (2), durante a cerimônia de encerramento realizada na Casa das Artes, em Belém.
Integrando a programação do Festival Pan-Amazônico de Cinema – Amazônia FiDoc, a mostra reuniu produções dirigidas por mulheres de diferentes territórios da Amazônia Legal e da Pan-Amazônia, com o objetivo de ampliar a visibilidade das narrativas femininas no audiovisual.
A 11ª edição do festival conta com patrocínio da Petrobras, por meio da Lei Rouanet de Incentivo a Projetos Culturais, Ministério da Cultura e Governo do Brasil, além de apoio cultural do Governo do Estado do Pará, Sesc/Pará, Fórum dos Festivais e Mistika. A iniciativa também tem parceria com a Aliança Francesa Belém, Instituto +Mulheres, FICCI e Apex Brasil, sendo realizada pela Z Filmes e pelo Instituto Culta da Amazônia.
O filme “Mama” parte da vivência pessoal da diretora, que, aos 36 anos, recebeu o diagnóstico de câncer de mama em estágio avançado. Narrado em primeira pessoa, o longa reúne imagens de arquivo feitas com uma câmera enviada pelo pai da cineasta, que havia emigrado para os Estados Unidos e solicitou que a família registrasse o cotidiano para que ele pudesse acompanhar suas vidas à distância.
Ao comentar a recepção da obra, Benitez ressaltou a conexão emocional que o filme estabelece com o público. “Acho que ‘Mama’ cria uma conexão muito humana e profundamente emocional porque não fala apenas sobre câncer de mama, mas sobre algo que todos nós vivenciamos em algum momento: a vulnerabilidade”, disse.
Sobre a participação no festival, ela destacou a importância do espaço. “Foi muito significativo, pois é um espaço que centraliza e conecta narrativas dos territórios Pan-Amazônicos, as memórias coletivas e as identidades historicamente invisíveis”, declarou.
Para Benitez, a experiência também reforçou o caráter coletivo dos processos de cura. “Lá, compreendi ainda mais claramente que a cura não é um ato individual, mas uma experiência profundamente comunitária”, disse.
A mostra ocorreu entre os dias 30 de abril e 2 de maio, reunindo filmes realizados por mulheres cis e trans, reforçando a diversidade e o protagonismo feminino dentro do festival.
Na sessão de encerramento, o público conferiu as produções “Todavía Baila” (AM), “Replikka” (SP), “Da Janela” (MG) e “Desejo de Viver” (SP). Antes da premiação, também foi exibido o documentário “Quatro Luas Pantaneiras” (MS).
A coordenadora geral do festival, Zienhe Castro, destacou as transformações observadas ao longo dos 17 anos do evento. “Com o avanço de políticas públicas, como as cotas de gênero, percebemos uma evolução significativa na participação das mulheres no audiovisual. Esse crescimento se reflete não apenas nas equipes técnicas, mas também nas funções de direção e roteiro - num caminho rumo à equidade. É muito gratificante observar esse movimento e ver o fortalecimento da presença feminina no setor audiovisual da Amazônia - ainda há um caminho longo pela frente, mas precisamos celebrar a estrada que nos traz até aqui e as vitórias que já alcançamos”, afirmou.
A Mostra As Amazonas do Cinema também contou com a curadoria de Flavia Guerra e Débora Mcdowell. O júri oficial foi composto por Ariadne Mazzetti e Tay Pinheiro.