Festival LED reúne artistas, educadores e iniciativas sociais em debates sobre o futuro da educação
Taís Araújo, Juliette e Marina Sena participaram de conversas e palestras do evento que ocorreu nos dias 15 e 16 de maio, no Píer Mauá
Ideias, debates e diferentes maneiras de pensar o futuro ocuparam o Pier Mauá, no Rio de Janeiro, durante a 5ª edição do Festival LED Globo – Luz na Educação, realizada na última sexta-feira (15) e sábado (16), com cobertura especial do Grupo Liberal.
Com entrada gratuita, o encontro reuniu oficinas, palestras, apresentações artísticas e experiências voltadas à infância, além de discussões sobre os desafios da educação brasileira. Entre os principais temas abordados estiveram pós-verdade, inteligência artificial, saúde social e ambiental, criatividade e novas formas de aprendizagem.
Ao longo dos dois dias, o festival promoveu 120 horas de conteúdo distribuídas em sete palcos e reuniu cerca de 190 palestrantes entre artistas, educadores, pesquisadores, influenciadores e especialistas de diferentes áreas.
Criado pela Globo e pela Fundação Roberto Marinho, em parceria com a Editora Globo, o festival integra o Movimento LED, iniciativa voltada ao reconhecimento e fortalecimento de projetos ligados à transformação social por meio da educação. Em 2026, o movimento também celebrou cinco anos de atuação.
Segundo Letícia Castro, líder e curadora do Festival LED Globo, a proposta desta quinta edição foi construir uma programação voltada para experiências e referências brasileiras na educação. Ela explicou que a curadoria buscou conectar desafios contemporâneos da sociedade aos debates educacionais.
“A gente sempre pensa o Festival LED para ser essa grande celebração da educação no Brasil. Nessa quinta edição, em que a gente celebra os cinco anos do movimento LED, quisemos trazer uma curadoria 100% brasileira, olhando para o que só o Brasil pode fazer pela educação”, afirmou.
A curadora também destacou que a mudança para o Píer Mauá permitiu ampliar a estrutura do evento e receber um público maior. Segundo ela, a proposta do festival é aproximar educação, cultura e entretenimento em um ambiente voltado para diferentes públicos. “A gente tem um diferencial aqui no Festival LED, que é trazer muita cultura, muito entretenimento para as falas de educação e receber toda a família aqui nesses dois dias”, declarou.
Criatividade, arte e inteligência artificial
Logo no primeiro dia, uma das mesas colocou em debate a relação entre criatividade, tecnologia e inteligência artificial. “Criatividade é coisa nossa”, no Palco LED Inspira, reuniu a atriz Taís Araújo, a cantora Marina Sena, o educador Charles Watson e a cientista de dados e multiartista Zaika dos Santos, com mediação de Sandra Annenberg.
Em entrevista ao Grupo Liberal, Taís Araújo comentou os impactos da inteligência artificial nos processos criativos, especialmente em linguagens populares, como televisão e novelas.
“Eu quero muito ouvir os teóricos sobre o futuro e entender para onde vai e como é que a gente pode escapar de não ser eclipsado pela tecnologia”, afirmou.
O debate refletiu sobre aquilo que permanece essencialmente humano em um cenário marcado por respostas automáticas e decisões mediadas por algoritmos. Curiosidade, imaginação e capacidade criativa apareceram como competências fundamentais para o futuro da educação.
Responsável pelo show de encerramento da programação de sexta-feira, Marina Sena também falou sobre o papel da música nos processos de transformação social.
“A música tem o papel transcendental, tem o papel de pegar na sensação e eu acho que o papel da transcendência é exatamente transformar. A teoria precisa da transcendência para fazer verdadeiramente uma revolução”, declarou.
Projeto paraense entre os vencedores
Outro destaque do festival foi a apresentação dos vencedores do Prêmio LED Globo 2026, que reconhece iniciativas educacionais de diferentes regiões do país. Entre os projetos premiados está o Tecer Mulher, desenvolvido em Marabá, no sudeste paraense, vencedor na categoria Educadores.
Representado por Leia Sousa, o projeto atua no enfrentamento de vulnerabilidades que atingem mulheres idosas, incluindo desigualdades de gênero, baixa escolaridade e exclusão digital.
A iniciativa promove inclusão tecnológica por meio do uso de smartphones e aplicativos, incentivando autonomia e fortalecimento social das participantes. Desenvolvido na Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará, o Tecer Mulher utiliza metodologias voltadas à educação de adultos e ferramentas pedagógicas estruturadas conforme as necessidades do grupo atendido.
Educação como transformação
Ainda na sexta-feira, o Palco LED Inova recebeu Juliette Freire com a palestra “Educação: o combustível que amplia suas escolhas”. A artista falou sobre a sua trajetória, autoestima e oportunidades.
Ao Grupo Liberal, Juliette afirmou que a educação foi determinante em sua vida antes mesmo da projeção nacional conquistada no reality show.
“Muitas pessoas me conhecem pelo Big Brother e eu digo que antes do Big Brother eu tive uma base muito sólida de educação, de valores e de crenças que me possibilitaram administrar tudo o que me aconteceu, fazer boas escolhas e seguir um caminho bacana”, disse.
A artista também ressaltou a responsabilidade de ocupar espaços de influência.
“É uma honra ocupar esse lugar e poder influenciar pessoas que, assim como eu, precisam e merecem da educação”, completou.
A participação de Juliette foi acompanhada por Giovanna Pitel, ex-BBB 24 e mestre de cerimônias do Palco LED Inova. Formada em Serviço Social, Pitel relacionou sua trajetória à importância da educação como ferramenta de mudança social.
“Antes de Big Brother, antes de estar nesse palco, eu atuava como assistente social da educação e acredito muito na coletividade, na transformação da nossa sociedade através da educação”, afirmou.
Ela também destacou que sua formação foi decisiva para transformar suas condições de vida.
“Eu venho de uma família de vulnerabilidades sociais e, através da minha formação de assistente social, eu consegui um emprego melhor, eu tinha um salário melhor. Então, a educação foi responsável por transformar a minha vida”.
Pitel ressaltou ainda a importância de iniciativas que incentivam financeiramente projetos educacionais.
“É muito significativo estar em prêmios como esse, que premiam de fato, que investem dinheiro, que trazem os estudantes, os empreendedores, que transformam a educação pelo mundo, para que eles vejam que vale a pena investir na educação”, declarou.
Debates sobre o presente e o futuro
Ao longo dos dois dias, o festival também recebeu nomes como Cármen Lúcia, Mario Sergio Cortella, Daniel Munduruku, Drauzio Varella, Felipe Neto, Linn da Quebrada, Sabrina Sato, Fernanda Montenegro e Tia Milena, do BBB 26.
A programação abordou temas como educação midiática, literatura, inclusão, saúde mental, primeira infância, sustentabilidade, juventudes, empregabilidade e inteligência artificial.
Entre as atividades promovidas estiveram oficinas de criação, ações de sustentabilidade, debates sobre uso saudável das telas, segurança digital, educação antirracista, empregos verdes e os desafios enfrentados pelas escolas diante da disseminação da desinformação.
A edição também abriu espaço para o Desafio LED Globo, reunindo iniciativas de diferentes estados voltadas à inovação educacional. No encerramento, estudantes finalistas apresentaram propostas para enfrentar a evasão escolar em cerimônia conduzida por Sabrina Sato.
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