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Festa da Chiquita chega a 50 anos e ganha roda de conversa neste domingo (29)

Será a partir das 16h na Estação Cultural de Icoaraci, com palestras e shows

Eduardo Rocha

Não apenas um evento de pessoas LGBTQIAPN+, mas, sim, um território de luta por dignidade e cidadania para quem, como parte das minorias no contexto social, sofre na pele os efeitos dos desmandos do poder e violências da sociedade, a Festa da Chiquita chega em 2026 a 50 anos de história. Para marcar esse momento emblemático da Festa que ocorre sempre na véspera do Círio de Nazaré, na Praça da República, no centro de Belém, será realizado neste domingo (29), a roda de conversa "Festa da Chiquita - Memória, História e Patrimônio". O anfitrião dessa roda será o cantor, compositor e produtor cultural paraense Elói Iglesias, coordenador da Chiquita, a partir das 16h na Estação Cultural de Icoaraci, seguido de shows, no começo da noite.

O evento em Icoaraci vai contar com palestras de Milton Ribeiro e Beto Paes, além de pocket show com Elói Iglesias e convidados. O antropólo Milton Ribeiro (Miltinho) vai discorrer sobre a tese acadêmica dele intitulada "Te vejo na Chiquita!" Cidade, Memória e Patrimônio LGBTQIA+ na Amazônia Paraense".

"Este é um evento em Icoaraci é uma transição em que estamos finalizando a Chiquita 2025, com a temática da COP 30, e partimos de vez para a Festa da Chiquita 2026, para celebrar os 50 anos da Festa, com o tema '"Festa da Chiquita - Memória, História e Patrimônio' ", ressalta Elói Iglesias. Ele pontua que ainda que essa festa anual desfrute de maior visibilidade nos últimos anos e no momento atual, a movimentação de seus protagonistas continua. Até porque, como frisa o produtor cultural, "quanto mais na luz, mais querem apagar a tua história".

A Festa da Chiquita, como frisa Elói, apresenta-se como um legado para as próximas gerações, ou seja, um território, uma ocupação no bairro da Campina, para a "discussão sobre o prazer" Elói Iglesias relembra o contraste entre o momento atual da Festa e o fato de que há 50 anos o evento ocorria "na penumbra". "A Festa da Chiquita surgiu de uma reunião de amigos, intelectuais e artistas que discutiam na calada sobre democracia, liberdade de expressão, isso nos anos 1970, auge da Ditadura", salienta o cantor.

Hoje, a Festa da Chiquita transcendeu a Cidade de Belém e o Estado do Pará como evento aglutinador de minorias sociais, segundo Elói, que tem reconhecimento das esferas oficiais na área da cultura. Essa festa da diversidade é reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial do Estado do Pará (Lei nº 9.025/2020). Também se apresenta como patrimônio cultural imaterial pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), do Governo Federal e é reconhecida da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). 

Em 2026, a Festa da Chiquita aborda o turismo LGBTQIAPN+, e a programação do evento é encaminhada pela coordenação a fim de se concretizar em outubro, logo depois da Trasladação, no sábado que antecede o Círio de Nazaré. A Festa faz parte do roteiro internacional de turismo LGBTQIAPN+.