Fauzi Beydoun, da Tribo de Jah, celebra em Belém a identidade brasileira do reggae
A partir das 16h deste domingo (29), artista se apresenta no Açaí Biruta, no bairro da Cidade Velha
O que o reggae tem a ver com a cultura amazônica, com o Pará? A resposta para essa pergunta, para quem não sabe, será dada neste domingo (29), a partir das 16h, quando o cantor Fauzi Beydoun, fundador e vocalista da emblemática banda Tribo de Jah, nascida na Cidade de São Luís (MA), se apresentará para o público em Belém. O show faz parte do evento “Reggae Biruta Nacional”, reunindo Adriano Yeman Jah, Marina e os Leones, Dhodhu Roots, George Rodrigues, Ras Margalho, Alex Roots e DJ Vitor Pedra.
A Tribo de Jah celebra em 2026 a marca de 40 anos de uma estrada iniciada em 1986, quando na Escola de Cegos do Maranhão quatro músicos cegos e um quinto com visão parcial (somente um olho), que viviam em internato nesse lugar, tomaram gosto pela música a partir de instrumentos improvisados.
Não se trata de entender o reggae como apenas um estilo musical que tomou conta do Brasil e do mundo, inclusive, passando a constar do repertório de muitas estrelas da música internacional, como Eric Clapton, The Police, Stevie Wonder, Led Zeppelin ("D'yer Mak'er"), The Clash, Gilberto Gil, Natiruts, Cidade Negra, e outros. Isso tudo além do legado imortal de Bob Marley e Peter Tosh. Trata-se, sim, de uma identidade entre cidadãos negros e mesmo brancos de países e realidades diferenciados que se encontram contra os mesmos desafios.
Uma atitude contra a opressão do racismo e o "apartheid social" como um cenário para gerações, isso tudo configura as canções de reggae. Assim como o samba, esse estilo musical faz parte da identidade musical brasileira, sem qualquer dúvida.
Tanto que Fauzi Beydoun não tem dúvida em afirmar à Reportagem do Grupo Liberal: “O reggae ainda é um estilo muito injustiçado, na verdade, dentro do cenário nacional, né? Ainda é considerado um elemento externo. Na verdade, o reggae se aclimatou, né? Existe um reggae genuinamente brasileiro. A tribo de Jah é a prova disso, né? É um reggae feito, produzido no Brasil, com nuances características, elementos da música brasileira, do xote, até do carimbó, do baião e do bumba meu boi, do Maranhão, enfim”.
O reggae, como sustenta Fauzi, tem variações como o samba reggae e reggae bossa (bossa nova com reggae). “Mas, o reggae ainda não é aceito como um elemento cultural brasileiro, mas ele já poderia, sim, ter essa conotação de ser um reggae nacional, um reggae brasileiro, né?”
“Assim como o rock nacional sempre teve evidência com grandes ícones da música brasileira, como Rita Lee, Raul Seixas, e foi assimilado dentro do contexto da cultura nacional, o reggae ainda é visto como algo que veio de fora, que não é. Mas, eu acho que isso é uma grande injustiça. É inegável a força do reggae hoje em todo o Brasil”, acrescenta Fauzi Beydoun.
Sonoridades mil
Como adianta Fauzi, o show no Açaí Biruta é fundamentado no trabalho solo dele, em que transita pela bossa, pelo reggae n´blues e jazz. Mas, é claro, sem deixar de fora alguns dos muitos clássicos da Tribo de Jah.
Fauzi tem certeza de que o show será bem recebido pelo público paraense, até porque a Tribo de Jah possui uma empatia ímpar com a plateia que gosta de reggae e outros sons na capital do Pará.
Como lembra o cantor, “indiscutivelmente Belém é um capítulo muito peculiar, muito especial na carreira da Tribo”. “A Tribo desde o princípio, desde o primeiro show em Belém, sempre foi sucesso, com a empatia da galera com a banda, algo mágico, algo que é realmente difícil de descrever, né?”. Fauzi lembra que o DVD “Live in Amazon” foi gravado no Parque dos Igarapés, no bairro do Coqueiro, em Belém, em 2008, com recorde de público, ou seja, cerca de 8 mil espectadores pagantes, ingressos esgotados três dias antes do show e cerca de duas a três mil pessoas do lado de fora do espaço.
Engajado na busca por melhores dias para a humanidade, Fauzi destaca que o que sempre o atraiu ao reggae foi o fato de ser uma música libertária, música de protesto contra “um sistema muito corrupto, muito cruel, de muita mentira”. “A gente vê lá nos Estados Unidos aí, esse caso Epstein, né?”, completa. O cantor não para de pesquisar novas trilhas na floresta sonora da música negra, em especial, e diz: “Tenho vontade de fazer um carimbó homenageando o Pará, uma fusão de carimbó com reggae, com jazz, enfim. Eu acho que essa cultura brasileira é maravilhosa, é uma coisa muito rica”.
Serviço:
Evento: ‘Reggae Biruta Nacional’
Data: 29 de março de 2026 (domingo)
Horário: A partir das 16h
Local: Açaí Biruta – Belém do Pará,
na rua Siqueira Mendes, 130, Cidade Velha,
Atração principal: Fauzi Beydoun (Tribo de Jah)
Atrações: Adriano Yeman Jah, Marina e os Leones, Dhodhu Roots, George Rodrigues, Ras Margalho, Alex Roots e DJ Vitor Pedra
Benefícios: Open bar até 18h e mulheres free até 18h
Ingressos: na bilheteria e www.sympla.com.br
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