Estilista paraense Ludimila Heringer leva a coleção ‘Maniva-Brasil’ à Semana de Moda de Milão
Inspirada na folha da mandioca e nas cores vibrantes da região, a estilista paraense apresenta peças fluidas e biojoias exclusivas na abertura da Milan Fashion Week
A Semana de Moda de Milão (Milan Fashion Week) começa no dia 22 de setembro, marcando os lançamentos para a temporada de Primavera/Verão 2027. Até o dia 28, a Itália recebe compradores, jornalistas, influenciadores e nomes da indústria global. Logo na abertura, dez marcas brasileiras, entre elas a etiqueta da estilista paraense Ludimila Heringer, apresentam suas coleções em um desfile exclusivo. Nos dias seguintes, a programação segue focada em rodadas de negócios e relacionamento com o mercado internacional.
Com a coleção “Maniva-Brasil”, Ludimila Heringer apresenta as cores e estampas autorais inspiradas na folha da mandioca, combinando a identidade regional a tecidos nobres. Além disso, as peças da marca são livres de qualquer química, utilizando apenas matérias-primas orgânicas.
“Este ano está muito mais organizado do que no ano passado. Antes do desfile em Milão, teremos um preview apresentando para a imprensa especializada. Na Itália, vamos desfilar em um castelo, com espaço para sala de maquiagem, bastidor, átrio interno, jardim interno”, pontua.
O preview citado é organizado pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) em São Paulo, em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), por meio do Programa Texbrasil – Programa de Internacionalização da Indústria Têxtil e de Moda Brasileira, e com o apoio da Associação Brasileira da Moda Sustentável (Abrimos).
Coleção se destaca por estampas exclusivas
A coleção “Maniva-Brasil” traz o caimento fluido das sedas em peças que se destacam pelos tingimentos e estamparias exclusivas. Tendo a mandioca-brava como elemento central da cultura e da gastronomia paraense, a linha ganha nova vida ao transitar da culinária para a alta-costura pelas mãos da estilista Ludimila Heringer. Alimento ancestral descoberto pelos povos originários, a raiz dá origem a insumos como farinha, beiju, goma e tucupi. Suas folhas, a maniva, que necessitam de longo cozimento para transformar o veneno na tradicional maniçoba, agora emprestam sua força e paleta de cores à moda. Sob esse conceito, a marca propõe uma mudança de protagonismo: se no passado o pau-brasil definiu a pigmentação do país, hoje é a riqueza da Amazônia que se transforma em arte e ganha as passarelas internacionais.
“Na primeira vez que fui, eles ficaram bem chocados com o que eu apresentei, porque, como a gente está falando de moda natural, moda de tingimento natural, as pessoas estão sempre acostumadas com cores esmaecidas, mais calminhas, um begezinho, rosadozinho, verdezinho. E eu cheguei na passarela com muita força, de cor e também de som, porque eu levei o Aparelhagem Rock Doido, a Gaby Amarantos”, relembra.
Desta vez não será diferente: as peças, já confeccionadas, apresentam uma Amazônia cheia de cor e verdes diversos.
“Quando eu vou fazer o tingimento, eu não começo com pouco, eu começo logo com muito. A minha lógica de pesquisa é: você faz logo na saturação máxima, depois você vai tirando e vai mudando as bases para você entender como é que se comporta. Por exemplo, eu vou tingir um liocel. Então o pessoal coloca na receita 50 gramas, eu coloco 500, porque eu já sei como é que vai ser a potência naquele tipo de tecido. Aí depois eu vou tingindo com a mesma tintura, mais clara, mais clarinha, até acabar. Então eu já consigo calcular qual a potência dele, qual a metragem, durante a pesquisa”, explica.
Flora regional inspira linha de acessórios
Para além do vestuário, Ludimila Heringer apresentará uma nova linha de acessórios inspirados na flora regional. As peças foram desenvolvidas a partir do reaproveitamento de madeiras descartadas pela indústria moveleira, aliando design, sustentabilidade e identidade cultural.
“Eu achava que madeira não era muito aproveitada aqui, porque o pessoal desperdiça muito. Como sempre gostei muito de colocar valor no que poderia ser descartado, conheci um artesão que esculpe de forma original e realista. No ano passado eu criei uma coleção, mas agora os acessórios têm a textura das frutas, da casca delas esculpida na pulseira de madeira. As primeiras que eu lancei foram buriti, biribá, cacau. Agora vou lançar a castanha, abacaxi, açaí, jambu e vou ampliando, elas vão estar na passarela com essas”, conta.
Fundada em 2019 pela estilista Ludimila Heringer, a marca homônima teve sua semente lançada em 2018. A assinatura da marca apoia-se no vestuário e nas biojoias, unindo saberes ancestrais e feitura manual por meio do crochê, do tingimento natural e da estamparia botânica baseada em plantas, com peças de tecidos naturais e nobres, como seda pura, algodão puro, linho puro e viscose tecnológica certificada.