Ernane Malato lança 'O Rito do Sobrevivente' para falar da imortalidade da palavra
Leitores poderão conferir livro às 18h do dia 26, na Sala Multiuso da Unama - Alcindo Cacela, no centro de Belém
O poema é feito das palavras que sobreviveram ao filtro do fazer poético e permanecem impressas no papel e nos leitores. E isso inclui o próprio autor e quem acessa as construções poéticas na obra literária. Assim se apresenta o novo livro do poeta paraense Ernane Malato, intitulado "O Rito do Sobrevivente". A obra sai pela Editora Acadêmica das Letras (APL) e será lançada no dia 26 deste mês de junho, às 18h, no Salão Multiuso da Universidade da Amazônia (Unama), no Campus Alcindo Cacela, em Belém. Ernane Malato é membro da Academia Paraense de Letras (APL) e do Instituto Histórico e Geográfico do Pará (IHGP) e filho de Eládio Malato, que atuou como dirigente do Grupo Liberal. Em "O Rito do Sobrevivente", esse autor traz 215 novos poemas ao público com abordagem na filosofia, sobretudo, na filosofia da palavra, algo estrutural na vida humana em todos os tempos e lugares.
Ernane Malato explica que esse livro vem para "falar da 'sobrevivência' da palavra, observada em sua própria inconstância de se relacionar”. “Imagino poesia como atitude da metáfora, transformando a realidade usual, pelo signo da escrita, em ficção inusual, na ação da perplexidade. Os seres humanos se comunicam por diversos recursos de linguagem: 'sonoro', 'escrito', 'visual', 'musical', 'iconográfico', 'gestual' e outros que possam proporcionar uma relação intelectual, mas poesia é comunicação forjada na acepção do incomum. Revela-se na disfuncionalidade material do vocábulo e na subsistência do verbo elaborado".
Existência
Essa temática de "O Rito do Sobrevivente" se confunde com a própria trajetória de Ernane Malato. Ele atua na área de humanidades, ou seja, o plano existencial do ser em sua relação com a vida, com a intelectualidade, com a criação, com a poesia e com os direitos humanos na essência do ser vigente em sua representação e dinâmica, como frisa o próprio escritor. Desde a adolescência vivenciada no Arquipélago do Marajó, no norte do Estado do Pará, ainda que tenha nascido em Belém, Ernane Malato escreve poemas.
"Escrever poesia significa interpretar a existência humana", pontua esse autor. Por isso, ele já escreveu três livros de poemas: "Correnteza", "Poexistir" e o atual "O Rito do Sobrevivente". Esse jurista, escritor e pesquisador da realidade amazônica é autor do livro jurídico: "Direitos Humanos - Federalização da Competência". Ernane possui outros títulos no prelo nas áreas da filosofia, poesia e do direito. Do pai Eládio e de autores regionais e, em particular, do português Fernando Pessoa, Ernane teve referências para se iniciar na confecção de poemas. "Meu pai foi determinante nesse fazer, porque me incentivou na minha adolescência a ler e a escrever, como intelectual que foi, atuando por muitos anos em O Liberal", conta o escritor.
Como um dos destaques nessa produção, "O Rito do Sobrevivente", ainda como esboço, conquistou em 2010 o Prêmio "Vespasiano Ramos", da Academia Paraense de Letras. Sobre essa obra, a professora e escritora Amarílis Tupiassú destaca: "Um vário de jogos significativos, prosa em meio a formulações em verso, discursividade livre, distensão, acatamento de módulos, quais sejam, alto empenho em inquirir, quebra de amarras quanto à ortodoxia literária, apego ao que vier, que venha de bel dizer. E assim se abrem as raias ao rito, ao cerimonial poético, quando no centro da ara a iluminação se concentra à investigação de ser, à amplitude e finitude de ser-estar no mundo, no dúbio que resume a acepção de humano, algo que há de envolver ser e ente e seu espaço, as mantas de ascenso e descenso, voo e queda, riso e pranto, as trilhas do efêmero e imprevisível, as travas de existir".
" 'O Rito do Sobrevivente', desde o título, subentende e conjuga sentidos implícitos, com indicativos de quanto a vida implica levantar meia parede com o pasmo de não viver, ou viver e ao mesmo tempo não viver, o que nem sempre significa morrer, mas sobreviver, viver por viver, viver e não saber dos sins e dos não da vida, o acrobata terráqueo sempre por um fio", complementa Amarílis.
No livro, Ernane Malato traz todo um histórico de Gilgamesh, rei da Suméria e que estrelou a "Epopeia de Gilgamesh", considerada a obra literária mais antiga da humanidade (começou a ser escrita há mais de 4 mil anos, por volta de 2.100 a.C). Essa obra narra sua busca mítica pela imortalidade e seu encontro com o sobrevivente do Dilúvio Universal. O enfoque dado por Malato a essa história ancestral traduz muito dos sentidos do livro, tanto que a capa da obra traz uma foto de uma tabuleta com escrita cuneiforme (primeira escrita da humanidade), da parte XI da "Epopeia de Gilgamesh", composta por 12 tábuas com 300 versos.
"O Rito do Sobrevivente" abrange seis partes: O Rito, O Sobrevivente, O Inventário, A Perplexidade, A Palavra e Rosas da Humanidade". Um dos poemas do livro, "O etéreo", diz: "O etéreo é o poema / Que se consagrou / Entre várias montanhas. / O rio que dele fluiu / É a escultura / Que se multiplica / A dádiva é o que ficou / Depois da enchente / Alimentando / A terra / Que encharcou / Fertilizada". Como diz Ernane Malato, escrever poemas é uma forma de interpretar a existência", e, desse modo, a palavra como vida persiste.
Serviço:
Lançamento do livro ‘O Rito do Sobrevivente’, de Ernane Malato
Em 26 de junho de 2026, às 18h,
Na Sala Multiuso da Unama, na Av. Alcindo Cacela, 287, bairro Umarizal - Belém