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Ensino e difusão da literatura amazônica perdem Josse Fares

Professora que inovou na valorização de autores regionais faleceu em Belém nesta sexta-feira (27) aos 77 anos de idade

Eduardo Rocha

O mundo das letras da Amazônia perdeu nesta sexta-feira (27) uma de suas maiores incentivadores e divulgadoras, no sentido de acesso do público a essa arte e às obras dos autores da região. Faleceu em Belém aos 77 anos a professora e escritora Josseclea Fares Paes, ou simplesmente Josse Fares. Natural de Sena Madureira (AC), ela sofria de Alzheimer e se encontrava acamada há cerca de 10 anos. O sepultamento da professora Josse Fares ocorreu na tarde desta sexta-feira (27) no Cemitério de Santa Isabel, no bairro do Guamá.

Josse veio para Belém ainda criança. Professora formada pelo IEP e depois licenciada em Letras pelo antigo Centro de Letras e Artes da Universidade Federal do Pará (UFPA). 

Josse Fares lecionou, entre outras instituições, na Escola Estadual Deodoro de Mendonça; Colégio Marista Nossa Senhora de Nazaré e Universidade da Amazônia (Unama), onde era titular da cadeira de Literatura Brasileira. Teve atuação de destaque como escritora, ensaísta e cronista. 

É autora de "Porongas, Cestos e Palavras: vozes de ensinar e aprender", Edição do Autor, Belém, 2012; coautora de "Pedras de Encantaria: no entorno da serpente", Editora da Unama, 2001; "Texto e pretexto: educação contextualizada de autores paraenses", Semec Belém, 1987. Notabilizou-se ainda como autora de "Portugal Nosso avozinho: crônicas", Brasília Letrativa, 2003.

Essa educadora recebeu a Medalha Manuel Bandeira, da Seduc Pará, 1986, e a Comenda da Ordem da Cabanagem, Alepa, 2009. Josse Fares foi a principal idealizadora do projeto "Belém da Memória: a cidade e o olhar da literatura", do antigo Núcleo Cultural da Unama. Ela foi a professora homenageada no XVII Forum Paraense de Letras, em 2012. 

Amor à cultura

Em um gesto de puro amor pela cultura, Josse Fares doou, em 2013, 1.500 livros de siua biblioteca de Letras para a Universidade do Estado do Pará (Uepa). Foram mais de 40 anos de serviços prestados por essa profissional à educação literária do Pará.

Josse Fares empenhou-se na integração de autores amazônicos nos currículos escolares. Autores, como Dalcídio Jurandir, Eneida de Moraes e Haroldo Maranhão. 

O foco era uma educação contextualizada, ou seja, com a valorização dos escritores da região e da própria realidade amazônica dos estudantes de diferentes espaços educacionais no Pará. Josse foi uma estudiosa sobre a necessidade de serem conhecidas as vozes literárias da Amazônia nas unidades escolares, isto é, o acesso dos alunos aos saberes ancestrais e à literatura de matriz oral na região.