'Dragão' revela em Belém as nuances da solidão
Espetáculo será encenado pelos alunos da Turma Shakespeare do Curso Atuação Cênica da Nós Outros Companhia Teatral nesta quinta (2) e sexta (3) no Atelier Porta Azul, em Belém
Falar em solidão nestes tempos de uma população de cerca de 8,3 bilhões de pessoas no mundo e de intensa interação entre pessoas de diferentes idades em redes sociais parece ser algo contraditório. Mas ela existe e também está conectada com cidadãos e cidadãs na Terra. E é desse tema espinhoso, mas que precisa ser abordado, que trata o espetáculo "Dragão". A peça será encenada por alunos da Turma Shakespeare do Curso Atuação Cênica 2026.1 da Nós Outros Companhia Teatral nesta quinta-feira (2) e sexta-feira (3), a partir das 20h, no Atelier Porta Azul, em Belém.
"Dragão" tem dramaturgia de Hudson Andrade, que também assina a encenação, e o espetáculo parte do conto de Caio Fernando Abreu (1948 – 1996). No elenco, Alex Fernandes, Cilene Valente, Domênico Ferraioli e Paulo Rabelo. A iluminação é uma parceria com o projeto de extensão Luminárias Cenográfica, de Tarik Coelho. O figurino de Josiane Lima e Hudson Andrade.
Hudson explica o título do espetáculo. "Os dragões são, talvez, os seres mitológicos mais antigos presentes nas culturas humanas do ocidente ao oriente, em diversas formas e funções, simbolizando o caos e a sabedoria, o mal e a fertilidade, conforme cada povo".
"Nosso espetáculo se chama 'Dragão' em primeiro lugar por ser uma adaptação do conto 'Os Dragões Não Conhecem o Paraíso', do gaúcho Caio Fernando Abreu, ele mesmo uma pessoa com crenças místicas. Em conversa com o elenco no processo de criação de nossa poética, o dragão apareceu como essa criatura composta por partes de diversos animais – três atores e uma atriz interpretam o mesmo personagem – e uma criatura que representa um sentimento idealizado pelo personagem, um amor platônico, romântico, por alguém que talvez nem exista. Representa ainda alguém – ou alguma coisa – que pode gerar grandes bens, mas pode ser igualmente destrutivo em seus momentos de fúria", explica o diretor Hudson Andrade.
Ele destaca que sempre pergunta ao elenco sobre o que o grupo quer falar com sua encenação, por acreditar em um teatro com compromisso, com uma mensagem consistente, que ultrapasse o mero entretenimento. "Da leitura do conto e das reflexões da atriz e dos atores, decidimos falar de solidão, dessas que nos acometem em cheio quando um grande amor acaba, ou que sentimos pela ausência de alguém que amamos – e/ou que nos ame", diz o diretor.
"Dragão" é um solilóquio, de vez que o personagem único, interpretado por essas quatro pessoas, fala de si, dos seus sentimentos, da sua consciência. Esse personagem sem nome é interpretado por Alex Fernandes, Cilene Valente, Domênico Farraioli e Paulo Rabelo.
Como proposta, o espetáculo traz à plateia a proposta de se questionar algumas formas com as quais as pessoas lidam com a solidão. "Como optamos por colocar nossa felicidade fora de nós – em outra pessoa, num relacionamento, ou em qualquer outra coisa: trabalho, religião, etc. –, deixando de ser realmente felizes", como ressalta Hudson Andrade, às vésperas da estreia do espetáculo.
"Um homem sozinho em um apartamento, cercado de memórias, alecrim e hortelã. Do amor que se foi – se é que um dia existiu – apenas cinzas. Ao som de Dalva de Oliveira e Edith Piaf, esse solitário procura razões para o que acabou e para seguir vivendo. Ao contar sua história, busca conexões. Afinal, não é bom que o homem viva só", como provoca o texto de apresentação do espetáculo.
"Dragão" é a prática de montagem da turma Shakespeare – iniciante –, isto é, o resultado do estudo feito ao longo do semestre pela turma do Curso Atuação Cênica. O mesmo curso tem ainda a turma Stanislavski, mais avançada e que está montando o texto "Barrela", do santista Plínio Marcos. Essa peça ficou censurada pela Ditadura Militar desde a sua primeira tentativa de exibição pública até o início da redemocratização brasileira. As apresentações ocorrerão no mesmo Porta Azul, em 4 e 5 de julho, às 20 horas.
Serviço:
Espetáculo 'Dragão'
Fundamentado em texto de Caio Fernando Abreu
com adaptação e encenação de Hudson Andrade
Datas: 2 e 3 de julho de 2026, às 20h
No Atelier Porta Azul. Rua João Diogo, 516, Campina, Belém (PA)
Ingressos: Sympla
Informações:(91) 99385-2307
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