MENU

BUSCA

Dia de Alfredo vira lei estadual para homenagear Dalcídio Jurandir

Governadora sancionou a Lei nº 11.390, que institui essa data no calendário oficial de eventos do Pará

Eduardo Rocha

Não é difícil para uma pessoa amazônida sentir-se na pele dos personagens dos romances do escritor paraense Dalcídio Jurandir (1909-1979). Ainda que o cidadão amazônico seja multifacetado, considerando, por exemplo, os povos indígenas, quilombolas e ribeirinhos da região e suas respectivas identidades, Alfredo, protagonista das obras do Ciclo do Extremo Norte desse escritor e alter ego do autor, conta muito sobre o que é viver nesse bioma imprescindível à vida no planeta. E isso por meio do estilo literário refinado e inconfundível de Dalcídio faleceu aos 70 anos de idade em 16 de junho de 1979. Por isso, toda homenagem a esse homem das letras da floresta é sempre bem-vinda, como a Lei nº 11.390, de 22 de abril de 2026, sancionada pela governadora do Estado Hana Ghassan Tuma. Essa legislação, publicada no Diário Oficial do Estado do Pará nessa quinta-feira (23), “institui no calendário oficial de eventos do Estado do Pará o Dia de Alfredo”.

No texto publicado no DOE, Hana Ghassan destaca que a Assembleia Legislativa do Estado do Pará (Alepa) estatuiu e ela sancionou a lei. No Artigo 1º é comunicado: “Fica instituído no calendário oficial de eventos do Estado do Pará o Dia de Alfredo, a ser celebrado, anualmente, no dia 16 de junho, em homenagem ao escritor paraense Dalcídio Jurandir e à sua contribuição para a literatura e a cultura amazônica”. 

O Dia de Alfredo foi idealizado pelo sobrinho do escritor marajoara, José Varella Pereira, e se tornou Lei Municipal nº 9.164/2015, em referência ao falecimento desse autor paraense. A data vem sendo celebrada por admiradores da obra do escritor  e funciona como um convite a que as pessoas conheçam os livros de Dalcídio Jurandir, nascido em Ponta de Pedras, no Marajó, norte do Pará, em 10 de janeiro de 1909.

Foi em 16 de junho de 2025 que a Academia Paraense de Letras (APL) realizou a primeira celebração oficial do Dia de Alfredo. Essa data referente ao escritor paraense se concretiza à semelhança do Bloomsday, que se refere ao personagem Leopold Bloom, do romance “Ulysses”, do escritor irlandês James Joyce (1882-1941). Essa obra foi publicada em 1922.

Ler Dalcídio

Especialista na obra de Dalcídio Jurandir, o professor de Literatura da Universidade do Estado do Pará (Uepa), Paulo Nunes, destaca: “O Dia de Alfredo foi pensado inicialmente pelo sobrinho de Dalcídio, Pereira. O Dia de Alfredo é celebrado faz 10 anos no Ppged (Programa de Pós-Graduação em Educação) da Uepa, por meio do CUMA (Núcleo de Pesquisa Culturas e Memórias Amazônicas)”. 

“O Dia de Alfredo  não pode ser entendido como festa ou evento isolado, mas deve estar dentro de políticas públicas promovidas pelo Estado, por meio da Secult, da Seduc e Fundação Cultural do Pará. Do modo como eu entendo, hoje quem está mais perto disto é a Ioepa, Editora Pública Dalcídio Jurandir”, acrescenta o professor Paulo Nunes.

Como celebração acadêmica, o Dia de Alfredo inicia na UEPA, mas hoje já foi assumida também pela Academia Paraense de Letras, por exemplo, como salienta Nunes. “A Uepa, em seus cursos, assim como UFPA e Unama, UFOPA e Unifesspa têm lutado para difundir Dalcídio nas salas de aula. Mas, e se os livros de DJ não estão nas bibliotecas escolares, nas livrarias? Aí é que entram as parcerias da Ioepa e da Casa de Cultura DJ, sediada no Rio de Janeiro,  com intuito de republicar os romances de nosso autor”, ressalta o professor.