Delinquentes cruza fronteiras com turnê europeia histórica
Banda de Belém integra circuito independente com shows na Alemanha e República Tcheca a partir de julho
Com quase quatro décadas de atividade, a banda paraense Delinquentes embarca em julho deste ano para a turnê europeia Brazil Punk Crossover – 40 Years. O giro internacional, que inclui shows na Alemanha e República Tcheca, representa um marco significativo na trajetória do grupo, comparável apenas à gravação do DVD na Praça da República, segundo o vocalista Jayme Katarro.
“Essa viagem significa o ponto máximo de nossa trajetória até agora. É um marco mesmo”, afirma Katarro, enfatizando a importância simbólica da empreitada para a história da banda.
Articulação da turnê e convite internacional
A concretização da turnê foi viabilizada pela Xaninho Discos, produtora que mantém uma relação de longa data com a banda. A ideia de levar a Delinquentes à Europa já era cogitada há algum tempo e se tornou realidade no segundo semestre do ano passado.
A oportunidade surgiu a partir do convite para o tradicional Obscene Extreme Festival, um dos principais eventos dedicados à música extrema no continente europeu. Com a confirmação da participação, novas datas foram agendadas em cidades da Alemanha e da República Tcheca.
Repertório e identidade sonora
Para as apresentações internacionais, o grupo prepara um repertório que abrange diferentes fases de sua carreira, desde composições dos anos 1980 até o álbum mais recente, “A Serpente”, lançado em 2024. Os shows no exterior devem privilegiar uma sonoridade mais direta.
“Lá com certeza será focado mais no hardcore, com alguma coisa do nosso habitual crossover”, explica o vocalista. A identidade musical da banda, que combina punk hardcore, thrash e influências do hardcore nova-iorquino, foi construída de forma orgânica ao longo dos anos, mantendo “as letras e a velocidade na mesma pegada”.
Expectativas e o “grito antifascista”
Ativa desde 1985, a Delinquentes acumulou apresentações em diversas regiões do Brasil, mas a turnê europeia inaugura uma nova dimensão. Entre as expectativas, Katarro destaca a intenção de apresentar releituras que dialogam com a cultura amazônica, como “Pescador”, do Mestre Lucindo, em versão hardcore.
Para o músico, a linguagem do hardcore transcende fronteiras. “A música pesada tem uma linguagem quase universal. Quem curte underground entende a essência em qualquer lugar”, afirma. Ele ressalta que, apesar das diferenças de contexto entre Brasil e Europa, existe um ponto em comum: “o grito antifascista”.
Preparação e desafios da estrada
A preparação para a turnê envolve não apenas ensaios, mas também adaptação física e emocional. Os integrantes, acostumados a conciliar a música com outros trabalhos, encaram o desafio de uma sequência intensa de shows. “Não estamos habituados com apresentações diárias. O máximo que fizemos foi tocar quatro dias seguidos”, conta.
A ansiedade também marca o momento, pois, com exceção do baixista, será a primeira experiência internacional dos demais integrantes.
Agenda de shows na Europa
Confira as datas confirmadas da turnê Brazil Punk Crossover – 40 Years:
- 1º de julho: Berlim, Alemanha
- 2 de julho: Dresden, Alemanha
- 4 de julho: Trutnov, República Tcheca (Obscene Extreme Festival)
- 7 de julho: Praga, República Tcheca
- 8 de julho: Leipzig, Alemanha (Manfred)
- 9 de julho: Nuremberg, Alemanha (Bela Lugosi)
- 11 de julho: Wolfsburg, Alemanha (S.V. Junghaus Ost)
Duas datas adicionais permanecem em aberto: 6 de julho (entre República Tcheca, Polônia e Eslováquia) e 10 de julho (cidade ainda não definida).
Planos futuros e nova formação
Após o retorno ao Brasil, a banda já planeja novos lançamentos, com a previsão de dois ou três singles ainda este ano. No horizonte, estão também novas circulações pelo território nacional, com foco em regiões como o Nordeste, além de possíveis retornos a São Paulo e ao Sul do país.
Para a turnê europeia, a formação contará com uma mudança pontual: o baterista Raphael Lima não participará por questões pessoais e será substituído por Wagner Nugoli. A banda será composta por:
- Jayme Katarro (vocais)
- Pablo Cavalcante (baixo)
- Paulo Bigfoot (guitarras)
- Wagner Nugoli (bateria)
Paixão pela música e incentivo à cena local
Após tantos anos, a paixão pela música é o que mantém a Delinquentes em atividade. “Fazemos o que gostamos. Temos nossos empregos fora da banda, então tudo é por amor. Às vezes bate o cansaço, mas o retorno do público renova nossa energia”, compartilha Katarro.
A turnê é vista não apenas como um feito pessoal, mas também como um incentivo para outras bandas da cena independente amazônica. Embora reconheça que a Delinquentes não seja pioneira em circulações internacionais, o vocalista manifesta o desejo de que novas iniciativas surjam. “É difícil e oneroso, mas cada banda deveria tentar dentro de suas possibilidades. Espero de verdade que não sejamos a última”, conclui.