Criações da figurinista paraense May Progene brilham nas telas
Jovem artista tem trabalhos no longa ‘Filhos de Ninguém’ e na série ‘Beyond The Ocean’
A trajetória dela em si já é uma boa história para o cinema. Aos 26 anos, a figurinista e estilista de moda paraense May Progene trilha uma carreira reunindo conquistas sucessivas. Ela assinou seu primeiro contrato com a Globo aos 20 anos de idade e, agora, responde pelo figurino do longa-metragem “Filhos de Ninguém”, que está sendo filmado em Teresina (PI), e pelo figurino da série internacional “Beyond The Ocean”.
“Filhos de Ninguém” conta a história de três crianças em situação de abandono e foi selecionado pelo Edital Ruth de Souza, consolidando-se como um dos projetos audiovisuais mais importantes realizados recentemente no Piauí. Já “Beyond The Ocean” é um romance LGBTQIA+ (GL) gravado em inglês e português, com filmagens no Brasil e em Bangkok, na Tailândia.
May Progene mora em Fortaleza (CE) e conversou com a Reportagem do Grupo Liberal. Ela detalha essas conquistas nesse começo de carreira. “Esse primeiro trabalho foi para um projeto do Globoplay, um especial em comemoração aos 200 anos da Independência do Brasil. Foi uma oportunidade que marcou o início da minha trajetória profissional na Globo e abriu portas para novos desafios na área de figurino”.
“Desde então, participei de outros três projetos da emissora: os filmes ‘Tá Roxeda’, ‘Só no Sertão’ — dirigido por Alexandre Klemperer, diretor de novelas como ‘Salve Jorge’ e ‘Caminho das Índias’ — e ‘Milagre do Destino’. Cada um desses trabalhos contribuiu para consolidar minha experiência e ampliar minha atuação no audiovisual”, ressalta.
May foi criada no bairro do Telégrafo, em Belém, e desenvolveu seu talento no espaço cultural Curro Velho, “onde, aos 12 anos, desenvolvi minhas habilidades em customização de peças e a paixão pela moda e figurino de cinema”.
Câmera, moda, ação!
“Antes de entrar no mercado, eu nem imaginava que o cinema poderia ser um caminho dentro da moda. Sou formada em Design de Moda, e a faculdade acabou ampliando minha visão sobre as possibilidades da profissão. Normalmente, o foco é muito em estilismo, marcas e labels, e pouco se fala sobre figurino para audiovisual. Sempre fui apaixonada por filmes e musicais e, como também fazia teatro, adorava montar meus próprios figurinos. Acho que uma coisa acabou levando à outra”, conta May.
“Na época do vestibular, ainda tentei fugir da minha vocação e fiz um semestre de Direito... nem preciso dizer que não deu muito certo. Aí me matriculei em Design de Moda e encarei a rotina de trabalhar e estudar ao mesmo tempo. Depois de formada, comecei fazendo styling para artistas e figurino de comerciais e campanhas publicitárias. Aos poucos, fui conhecendo pessoas, construindo meu networking e cada trabalho foi abrindo portas para o próximo, até chegar aos projetos maiores que assino hoje”.
May explica que a criação de um figurino tem seu primeiro passo no entendimento de quem é a personagem. “Antes de pensar em roupa, penso na história que ela carrega: de onde veio, o que faz, como vive, o que ela quer comunicar sem precisar dizer uma palavra. O figurino é uma ferramenta narrativa e social, então tudo precisa fazer sentido dentro daquele universo”.
“Depois vem uma etapa que eu adoro, que é pesquisar referências. Busco inspirações em filmes, fotografias, pessoas reais, arte, álbuns de fotos de famílias de pessoas que nem conheço, músicas e até na rua. A partir disso, começo a construir uma identidade visual que converse com a direção e os demais departamentos”, diz May.
“O mais decisivo nesse processo é que o figurino nunca pode chamar mais atenção do que a personagem. A roupa precisa servir à história, não ao contrário. Quando alguém assiste a uma cena e acredita completamente naquela pessoa, que eu criei sem perceber o trabalho que existe por trás do figurino, eu sinto que meu trabalho cumpriu seu papel”, detalha.
Além da criação, May Progene coordena uma equipe de profissionais e, inclusive, atua nos sets de filmagem. Ela fala sobre sua produção atual. “ ‘Filhos de Ninguém’ (vai estrear em breve) tem sido um dos projetos mais especiais da minha carreira até agora. É um filme que aborda temas muito sensíveis, como abandono, pertencimento e sobrevivência, acompanhando personagens em diferentes fases da vida.
“Isso faz com que o figurino tenha uma responsabilidade enorme, porque ele ajuda a contar essa passagem do tempo e tudo o que essas pessoas viveram. Meu trabalho foi construir uma identidade visual que fosse extremamente verdadeira. Como a história acontece em Teresina e dialoga diretamente com a realidade, era fundamental que o figurino respeitasse esse contexto social e cultural”. “Esse é um filme que emociona justamente porque retrata uma realidade muito brasileira com sensibilidade, e poder contribuir para essa narrativa por meio do figurino é algo que me enche de orgulho”, ressalta.
“Beyond The Ocean” (cujas gravações ocorrem neste mês) está sendo um projeto muito especial para May, por unir moda e romance, e ainda porque a série acompanha personagens de culturas muito diferentes. Então, ela criou um figurino focado na construção dessas identidades e no diálogo entre esses dois mundos.
“Sei que 'Beyond The Ocean' é um momento importante da minha carreira justamente por mostrar que o figurino também pode ser uma ponte entre culturas”. Em setembro, May segue com a equipe para Bangkok, para a segunda etapa da série. Ela acompanha tudo no set de filmagem. “Independentemente do tamanho da produção, eu sempre trabalho pensando em contar a melhor história possível por meio do figurino”, finaliza May Progene, sempre atenta a vestir as oportunidades de criação artística com o seu talento.
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