Como é o filme brasileiro com Conceição Evaristo selecionado para o Festival de Berlim
A trama acompanha a história de Gilberto (interpretado por Norberto Novais Oliveira, pai do diretor André) e Jacira (Conceição), um casal que atravessa cinco décadas de vida em comum
O filme Se Eu Fosse Vivo... Vivia, dirigido por André Novais Oliveira, e protagonizado pela escritora Conceição Evaristo, integra a programação do Festival Internacional de Cinema de Berlim, que acontece de 12 a 22 de fevereiro. O longa faz parte da seleção paralela Panorama, dedicada a um cinema autoral de viés político, social e estético mais ousado.
Produzido pela Filmes de Plástico, em coprodução com o Canal Brasil, Se Eu Fosse Vivo... Vivia é ambientado entre o Brasil dos anos 1970 e os dias atuais. A trama acompanha a história de Gilberto (interpretado por Norberto Novais Oliveira, pai do diretor André) e Jacira (Conceição), um casal que atravessa cinco décadas de vida em comum.
Quando Jacira é subitamente internada, Gilberto passa a vivenciar acontecimentos perturbadores - numa espiral que atravessa o tempo e o espaço - e que o conduzem a uma experiência profunda de memória e amor.
O filme transita entre o drama íntimo, a comédia de costumes e elementos inesperados da ficção científica, mantendo o olhar sensível para o cotidiano, característica da obra de André Novais Oliveira.
No longa, Novais aprofunda uma investigação pessoal e cinematográfica sobre o luto, a passagem do tempo e os mistérios da ausência, articulando elementos autobiográficos, fantasia e observação do cotidiano.
Estreia de Conceição Evaristo no cinema
O filme, rodado em cidades da Região Metropolitana de Belo Horizonte, marca a estreia de Conceição no cinema, em uma atuação de forte presença e delicadeza, ao lado de Norberto Novais Oliveira, protagonista de diversos filmes recentes do cinema brasileiro.
O elenco conta ainda com Jean Paulo Campos (Carrossel: O Filme) e Tainá Evaristo, que interpretam o casal em sua juventude, além de participações de Wilson Rabelo (Paterno, Ponto e Vírgula), Aisha Brunno, Demétrio Nascimento, Suellen Sampaio e Zora Santos.
Na equipe, estão a diretora de fotografia Leonor Teles, vencedora do Urso de Ouro em Berlim pelo curta A Batalha de Um Batráquio; o diretor de arte Diogo Hayashi; a figurinista Diana Moreira; o desenhista de som Pablo Lamar; e a trilha sonora original assinada pelo grupo Metá Metá. A montagem é dividida entre Gabriel Martins e o próprio André Novais Oliveira.
Quem é Conceição Evaristo?
Conceição é uma das vozes mais importantes da literatura brasileira contemporânea. Escritora, professora e pesquisadora, sua obra, que inclui romances, contos e poesias, é caracterizada por uma profunda reflexão sobre a experiência afro-brasileira, abordando temas como discriminação racial, desigualdade social e a força das mulheres negras.
Entre suas obras mais conhecidas estão Olhos D'Água, Ponciá Vivêncio, Insubmissas Lágrimas de Mulheres, Canção Para Ninar Menino Grande e Macabéa: Flor de Mulungu.
Conceição já venceu prêmios como o Jabuti e o Prêmio de Literatura do Governo de Minas Gerais e abriu caminho para uma nova geração de escritores negros.
Brasil no Festival de Berlim
Além de Se eu fosse vivo... vivia, o longa Isabel, de Gabe Klinge, também foi selecionado para a mostra Panorama. Coprodução com a França, o filme acompanha Isabel (Marina Person), uma sommelier de São Paulo que sonha em escapar do chefe e abrir seu próprio bar. O roteiro foi escrito por Klinge em parceria com Marina.
Na mostra Generation, que reúne obras voltadas a crianças e jovens, com narrativas que exploram processos de amadurecimento, identidade e transformação, foram selecionados os filmes Feito Pipa, dirigido por Allan Deberton e estrelado por Lázaro Ramos, e Quatro Meninas, de Karen Suzane, a animação Papaya, de Priscilla Kellen, e o documentário A Fabulosa Máquina do Tempo, de Eliza Capai.
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