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'Cenas Cariocas', de Pedro Amorim, chega com muito samba à terra do carimbó

Compositor carioca de choro, samba e outros sons faz show nesta sexta (16) à noite na Casa do Gilson, em Belém

Eduardo Rocha

O samba tem o condão de aproximar as pessoas. Daí, o termo roda de samba e outros que traduzem o momento em que pessoas se juntam para ouvir e dançar samba e suas variações. E isso ao longo da história e com significados diversos, mas sempre relacionados à expressão da liberdade e do amor às raízes culturais do Brasil. Daí vem o convite que o compositor e bandolinista carioca Pedro Amorim faz ao público paraense para conhecer a sua mais nova lavra de músicas no show “Cenas Cariocas” que ele vai mostrar na Casa do Gilson nesta sexta (16), às 21h, conectando Belém ao Rio de Janeiro e vice-versa. Para isso, muitos sambas sincopados e autorais e choro, entre outros sons do bandolim do artista. 

A fim de não deixar Pedro a ver navios em plena Amazônia, o músico vai dialogar no templo do choro em Belém com um time do tipo “comissão de frente”: Paulo Moura (7 cordas), Tiago Amaral (clarineta), André Ganso (percussão) e Bruno Miranda (percussão). Pedro vai cantar sua cidade, falando de situações do dia a dia por meio de composições cheias de humor, irreverência e sentimento. 

Na linha de composição consagrada por Geraldo Pereira, Wilson Batista e Noel Rosa, linha de composição consagrada, as composições de Pedro funcionam como crônicas musicais, fruto do talento dele e da convivência dele com gente do naipe de Carlos Cachaça, Nélson Sargento, Zé Keti e Manacéa, entre tantos outros bambas. No meio das cerca de 200 composições de Pedro (instrumentais e canções), figuram., por exemplo, “Samba do Carteiro” e “Samba da Moreninha”, gravada por Paulo Pimenta e que é uma homenagem à Ilha de Paquetá, bairro onde Amorim mora desde 2008. Ambas estão no show.

Esse sambista tem lastro para tocar na Casa de Gilson. Ele assina composições gravadas por Maria Bethânia, Roberta Sá, Teresa Cristina, Teca Calazans, Ney Matogrosso, Nelson Sargento, Dori Caymmi, Ilessi, Nina Wirti, Pedro Miranda, Alfredo del Penho, Pedro Paulo Malta, Ronaldo Gonçalves e outros. 

Na música

Pedro sabe que o show de todo artista tem de continuar, apesar das dificuldades de ser compositor e músico no Brasil, onde as artes em geral não são tidas como profissões. “Apesar disso,  a ligação com a música é um compromisso com a cultura do Brasil, e isso vale a pena. Além do que, é um impulso irreprimível: eu não consigo deixar de fazer música! (risos)”, diz o compositor. 

Ele conta que costuma vir a Belém, pois a companheira dele, a escritora Conceição Campos, é paraense. “E aqui conheci diversos músicos que tocam choro, inclusive o Gilson, com quem tenho uma amizade de quase 30 anos”. 

“A Casa do Gilson é um lugar muito especial, que mantém viva a tradição do choro e do samba com atividades semanais; é uma casa de cultura, no primeiro sentido da palavra, e a cultura tradicional sempre se renova, como vem acontecendo com o choro e o samba em Belém”, destaca Pedro.

Ele conta que é ligado na música, gastronomia e arquitetura paraenses. Não compôs carimbó, mas já dançou muito esse gênero musical. Porém, compôs lundu, como pode ser conferido no álbum mais recente, “Voz Nagô”, em parceria com Paulo César Pinheiro.

O sambista está completando 43 anos de carreira artística. Ele gravou dez álbuns. Pedro Amorim começou com o grupo “Nó em Pingo D’Água”, em 1983, no LP dedicado a João Pernambuco. Dez anos depois, Pedro gravou em Paris, com Maurício Carrilho e Paulo Sérgio Santos, o cd “O Trio”, duplamente vencedor do Prêmio Sharp 1994: Melhor Disco e Melhor Conjunto Instrumental. 

“Aquele com o Nó em Pingo D'água foi o primeiro, depois eu saí do grupo, mas ele continuou, com outra formação”, detalha. Pedro e o Nó têm em comum a pesquisa musical e arranjos bem construídos. Até porque levar um samba sincopado é algo muito sério. Esse tipo de samba tem melodia bastante elaborada e um ritmo bem quebrado, é rico em acordes e gingado. Choro, também, nem se fale.   

Essa obra de Pedro Amorim dialoga com a sonoridade da afro-brasileira, “que é a grande formadora do Brasil como linguagem cultural e como nação independente”. Ele conta que cresceu ouvindo grandes nomes do choro e do samba, aproveitando a discoteca do pai. Na Terra do Carimbó, tem lugar, sim, para “Cenas Cariocas”, de Pedro Amorim. Afinal, o samba consegue expressar muito bem o que vai no coração do brasileiro, e o gênero também tem suas raízes na Amazônia.

Serviço 

Show ‘Cenas Amazônicas’, de Pedro Amorim

Apresentação única em 16 de janeiro de 2026, às 21h

Na Casa do Gilson, na Tv. Padre Eutíquio, 3172,

bairro da Condor

Ingressos: R$50 

Venda antecipada: 21 986558595