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Belém vira ‘New Orleans’ para saudar o Dia Internacional do Jazz

Shows da Amazônia Jazz Band e do Grupo Gema vão marcar essa data nesta quinta (30) na capital paraense

Eduardo Rocha

Imagine um filme rápido assim: New Orleans, nos EUA, América do Norte, final do Século XIX e começo do Século XX, músicos negros enlouquecem plateias com um tipo de música criativa, marcada pela improvisação e contando a trajetória de gente sofrida, mas que se mantém de pé por meio dessa expressão artística. Agora, como cena seguinte, chega-se a Belém do Pará, na América do Sul, em plena Amazônia, em 30 de abril de 2026. No Theatro da Paz, show com a Amazônia Jazz Band (AJB), e, no Núcleo de Conexões Ná Figueiredo, apresentação do Grupo Gema. Assim será o Dia Internacional do Jazz na capital parense neste 30 de abril, quando se celebra esse gênero musical que cruza fronteiras e o tempo para contar histórias sonoras.

Essas histórias começam desde a escravidão na América do Norte e enveredam por um som instrumental e canto que dialoga com a música de vários países, inclusive o Brasil. O universo reúne, sem preconceito de cor, raça ou credo, gente da qualidade de Louis Armstrong, Billie Holiday, Ella Fitzgerald, Sarah Vaughan, Wes Montgomery, Billy Evans, Miles Davis, John Coltrane, Charles Mingus, Chet Baker, Pat Matheny, Jaco Pastorius, Wayne Shorter, Thelonious Monk, Duke Ellington, Glenn Miller e outros. No Brasil, Cama de Gato, Egberto Gimonti, Pau Brasil, Antônio Adolfo, Victor Assis Brasil, Sivuca, César Camargo Mariano, Hermeto Pascoal, Wagner Tiso, Toninho Horta e outros. Em Belém, entre outros talentos, a AJB e o Grupo Gema.

 Como Belém vai virar uma espécie de New Orleans (berço do jazz) em plena Amazônia nesta quinta-feira (30), a Amazônia Jazz Band se apresentará no palco do Theatro da Paz, a partir das  20h. Sob a regência do maestro titular Eduardo Lima, a AJB interpretará um repertório de grandes sucessos desse gênero musical e renderá homenagem a personalidades desse estilo, como Sammy Nestico, Gordon Goodwin, Thelonious Monk e outros.

O público vai conferir sucessos como “Straight Chaser”, “Moonlight Serenade”, “Magic Flea” e outros clássicos do gênero, como adianta o maestro Eduardo. “Estamos com um repertório com grandes clássicos do jazz, e levaremos o público em uma viagem pelas diferentes épocas do gênero. Será um espetáculo muito especial, e o público pode esperar um show com muita energia, improvisação e surpresas”.

Para Toninho Gonçalves, saxofonista da AJB, integrante  desse grupo musical que agrega uma organização de banda de jazz com o diferencial de prezar pelas raízes amazônicas, ressalta: “Nós já carregamos o gênero no nosso nome e o nosso formato de banda já remete às grandes big bands americanas que tiveram as suas eras de ouro nas décadas de 40 a 60 e nos dias atuais. Nós já carregamos essa linguagem com a gente. Não tocando apenas o jazz tradicional, mas também incorporando as nossas raízes e a música amazônica, o nosso carimbó, e sempre tentamos adaptar isso”.

O jazz, como frisa essa músico, permite inúmeras possibilidades, como improvisação e liberdade, o que facilita a mistura de fases do gênero com a junção de linguagens locais. “Agora em comemoração ao Dia Internacional do Jazz, nós vamos também fazer valer a tradição tocando compositores de renome internacional que foram mestres nessa linguagem”, diz Toninho Gonçalves.

Os ingressos para essa apresentação custam R$ 2 (cada) e podem ser adquiridos, a partir das 9h do dia 30 de abril, na bilheteria do Theatro da Paz ou pelo site Ticket Fácil (ticketfacil.com.br), com limite de duas unidades por pessoa.

Da Gema

O público paraense e visitantes de Belém vão ter uma nova oportunidade para conferir três músicos remanescentes do Grupo Gema, que nos anos 1980 fez a trilha sonora na capital do Pará tocando música instrumental de qualidade e ainda acompanhando o saudoso cantor Walter Bandeira (1941-2009). 

Surgido no final dos anos 1970, o Gema, por intermédio do guitarrista Bob Freitas, do violonista Nego Nelson e do percussionista Dadadá, além do baixista convidado Adelbert Carneiro, apresentou-se no finalzinho de janeiro último no Assemblage Bistrô, no centro de Belém. Isso após ficar um bom tempo sem se apresentar em um show completo, fora exibições esporádicas em eventos. 

Além disso, o show nessa quinta-feira (30) tem tudo a ver com o Dia Internacional do Jazz, data que o Gema pega como mote para iniciar as comemorações pelos seus 45 anos de muita música em 2026. “Tocar jazz é meter a cara na liberdade de expressão musical, na linguagem internacional, na música dos músicos. Tocar é um negócio incrível, que dá prazer e ao mesmo tempo desafia, né? É a chance de a gente praticar a harmonia mais sofisticada, a harmonia rítmica, a dinâmica, o lado mais sofisticado da música. Até porque, nas artes plásticas, tudo é visível, tu tens cheiro, a visão, e na música tu só tens a audição e, em alguns casos, agora, o visual, mas que não tem nada a ver com sonoridade. Então, tocar jazz é o desafio que dá prazer”.

Bob Freitas diz que na época da II Guerra Mundial funcionava em Belém a Base Militar  de Val-de-Cães e aí vinham bandas militares norte-americanas de jazz tocar para os fuzileiros, aviadores e outros. 

Isso deixou raízes, como diz Bob. No entanto, o jazz que o Gema, por exemplo, toca jazz em uma outra pisada, diferente dos negros do Delta do Mississipi, do tempo da escravidão norte-americana. Mas, considerando essa linguagem acessível, marcada por um mínimo de disciplina e o máximo de interpretação. “Essa raiz tem a ver com a liberdade de expressão musical; tu ficas menos engessado. Tem um mínimo de disciplina, para não virar esculhambação, mas não tem o gesso do cover, da música copiada do disco, da música de consumo, efêmera”, diz o guitarrista.

No show desta quinta (30), o Gema vai tocar basicamente jazz brazuca, músicas autorais do grupo e os clássicos do jazz, como adianta Bob Freitas. O jazz brasileiro, como frisa Bob, nasce com  a Bossa Nova, e aí esse movimento cultural integrado João Gilberto, Tom Jobim, Roberto Menescal e outros terá seu espaço no show do grupo. Para quem gosta de música bem construída, com acordes vibrantes e interpretações de pura entrega, são opções para celebrar o jazz os shows da Amazônia Jazz Band e do Grupo Gema.

Serviço:
Espetáculo “Grandes clássicos do Jazz” - Amazônia Jazz Band

Data: 30 de abril de 2026
Horário: 20h
Local: Theatro da Paz
Ingressos: R$ 2 (cada) com retirada a partir das 9h do dia 30, na bilheteria do Theatro da Paz ou pelo site Ticket  Fácil (ticketfacil.com.br) (2 unidades por pessoa)

Show do Grupo Gema - ‘A Influência do Jazz’

Em 30 de abril de 2026, às 20h,

No Núcleo de Conexões Na Figueiredo,

na avenida Gentil Bittencourt, 449, em 

Belém (PA)